Botucatu mobilizada pela Luta Antimanicomial

O evento contou com depoimentos de pessoas que trabalham no tratamento em saúde mental

por Flávio Fogueral

Para conscientizar a população e quebrar paradigmas e preconceitos quanto ao tratamento em saúde mental, além de pedir a consolidação da Reforma Psiquiátrica Brasileira; profissionais da saúde, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), além de militantes e populares participaram na sexta-feira, 20 de maio, de um ato pela Luta Antimanicomial, em Botucatu. A realização da ação foi do Fórum Permanente Intersetorial de Saúde Mental.

O evento, aconteceu na Praça Emílio Pedutti (Bosque) e contou com depoimentos de pessoas que trabalham no tratamento em saúde mental; familiares e usuários dos serviços em Botucatu. Uma grande roda formada no marco zero de Botucatu mostrou a união destas representações sociais contra possíveis retrocessos na saúde pública. A bateria da Escola de Samba Nenê de Vila Mariana apresentou-se, na ocasião junto com o Bloco Samba Para-Todos, que propõe a inclusão social.

Logo após a mobilização na praça, os participantes percorreram a Rua Amando de Barros e trechos da Rua Curuzu, onde houve nova concentração, dessa vez em frente ao Teatro Municipal Camilo Fernandez Dinucci, na Praça do Paratodos. Foi explicitado o anseio pelo respeito aos direitos dos portadores de doenças mentais.

Mobilização Luta Antimanicomial

“É um movimento social e não pertence a uma entidade ou outra. Atua principalmente a partir de um coletivo de trabalhadores pertencentes aos serviços de saúde mental e outros coletivos vinculados à sociedade civil (ABRAPSO, Associação Arte e Convívio) e Conselhos de Classe (CRP, por exemplo) que militam a favor de um lugar digno e emancipatório para as pessoas em grande sofrimento psíquico”, explica Pedro Habimorad, militante de coletivo de saúde mental e integrante da organização do evento.

Botucatu possui rede de saúde mental composta por diversos equipamentos (CAPS I, CAPS III, CAPS AD, Residências Terapêuticas, Ambulatório de Saúde Mental, Oficinas de Geração de Renda, Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), 2 Enfermarias Psiquiátricas, Hospital de Referência para Álcool e Drogas, Ambulatório de Psiquiatria e Hospital Dia.

Desde 2001, a Reforma Psiquiátrica Brasileira, definida pela Lei 10216 de 2001(Lei Paulo Delgado), tem como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferido o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos, distribuídos nos diferentes níveis de atenção do SUS.

“Costumamos dizer que a luta antimanicomial não se limita à semana de 18 de maio, ela implica em uma postura, um modo de pensar os cuidados e o tratamento em saúde mental. Nesse sentido, quem se afina com a causa, estará na luta todos os dias”, ressalta Deborah Mendes, também integrante do Fórum Permanente Intersetorial de Saúde Mental.

Prevalência de Transtornos Mentais na População

Dados publicados pelo Jornal Brasileiro de Psiquiatria em 2010 apontam que, de 20% a 56% da população brasileira sofre com transtornos mentais. As parcelas mais acometidas são mulheres e trabalhadores. Em relação à esquizofrenia, em especial, sabe-se que 1% da população mundial é acometida por este transtorno.

No Brasil, em 2003, 3% da população sofre de transtornos severos e persistentes (mais agravado, em CAPS, etc), 9% precisam de cuidados em saúde mental (casos que chegam com sofrimento na Atenção Primária), (totalizando 12%) e•6 a 8% pessoas com problemas decorrentes do uso abusivo e/ou dependência Álcool e outras drogas.

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