Número de focos de incêndio tem aumento superior a 80% em SP

Satélite já detectou 952 focos de incêndio no Estado

incendio morro de rubiao junior

Queimada destruiu vegetação do morro de Rubião Junior, em 2014

da Imprensa Oficial

Balanço da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) indica que, do início de janeiro até 27 de junho, foram detectados por satélite 952 focos de incêndio no Estado. O número é 84% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando houve 517 focos. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe).

Para o coordenador de Fiscalização Ambiental da SMA, Sergio Marçon, o principal fator que explica esse crescimento é “a baixa pluviosidade  no mês de abril, quando praticamente não choveu”. Ele lembra que naquele mês surgiram dois focos de incêndios em unidades de conservação estaduais: um no Parque do Jaraguá, na capital, que destruiu três hectares de mata, e outro na Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (Feena), em Rio Claro. Essas ocorrências motivaram a antecipação da Operação Corta-Fogo 2016 para maio, em vez de junho, como seria o habitual.

Além do evento climático, diz Marçon, “especulamos que pode também ter ocorrido a antecipação de parte da colheita da safra de cana-de-açúcar”. Alguns focos, nesse caso, seriam relativos a queimadas autorizadas e controladas. Esse procedimento ainda responde por pequena parcela da colheita de cana no Estado. “As queimadas têm picos em torno do mês de agosto. Se realmente foram antecipadas, a causa deve ter sido também o clima”, avalia o coordenador.

“O satélite registra a queimada como mais um foco de incêndio e ainda não temos como saber se é algo autorizado ou não. Somente no fim do ano, quando fecharmos os dados e compararmos com as autorizações é que poderemos ter certeza a respeito”, explica Marçon. Ele acredita que, se essa hipótese estiver correta, no balanço geral deste ano haverá equilíbrio, porque as queimadas pre-vistas para agosto já terão sido realizadas.

Integração – A Operação Corta-Fogo citada pelo coordenador teve início em 2010, quando o aumento de focos de incêndio, decorrente de um inverno mais seco e prolongado, motivou a criação do Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais no Estado de São Paulo.

O braço operacional do sistema é a Operação Corta-Fogo, coordenada pela SMA, em conjunto com Casa Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental e municípios parceiros. Participam também a Fundação Florestal, o Instituto Florestal e a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb). Essa iniciativa prevê a integração das ações de prevenção, monitoramento, controle e combate a incêndios florestais.

Em geral ocorre entre junho e outubro, período mais seco do ano, quando aumenta o risco de incêndios florestais. No ano passado, houve 1.984 focos de incêndio, queda de 58% na comparação com os 4.717 registrados em 2014. As condições para o surgimento do fogo estão estreitamente vinculadas ao clima. “Numa época de chuvas regulares, por mais que pessoas possam ser negligentes e, por exemplo, jogar bitucas de cigarro perto de vegetação, o campo estará molhado e resistirá à ampliação do fogo”, argumenta Marçon. “Uma situação de exceção climática (seca) como a que tivemos neste ano acaba criando mais e maiores incêndios.”

Área menor – A meta, para 2016, é manter o total de focos de incêndio abaixo de 2.926, como tem sido o objetivo nos últimos anos. Esse número passa atualmente por revisão, mas ainda é a base. O coordenador informa que existe a intenção de acrescentar neste ano meta de área máxima a ser atingida por focos de incêndio.

“Nas unidades de conservação do Estado, temos o controle de áreas. Queremos chegar a isso fora dessas unidades também. Mesmo se não conseguirmos evitar o fogo, precisamos agir para reduzir o dano, limitando o alcance dos incêndios”, diz Marçon. Em unidades de conservação, a área queimada  diminuiu 22% de 2014 para 2015.

Existem questões técnicas que dificultam a aferição da área atingida. Se forem resolvidas, haverá um número de referência neste ano e, em 2017, “poderemos até ter o mesmo número de focos, mas com o objetivo de que a área atingida seja menor”, afirma o coordenador.

Cuidados – Os cuidados básicos que qualquer pessoa pode tomar para evitar o fogo são bem conhecidos. Entre os fatores principais para o surgimento de incêndios florestais estão: a prática de soltar balões, o ato de acender fogueiras e não apagá-las direito, o descarte de cigarros acesos à beira de estradas e o uso de fogo para limpeza de terrenos. Para enfrentar os problemas associados aos incêndios florestais, a Operação Corta-Fogo estimula a formação de brigadas municipais e promove capacitação de agentes públicos para ações de prevenção e combate ao fogo em cobertura vegetal. Neste ano, deverão ocorrer 14 oficinas em diferentes regiões, promovidas pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. No ano passado, várias oficinas capacitaram 2.752 pessoas, em 475 brigadas municipais.

Além da participação nos treinamentos, os municípios podem agendar capacitações específicas com as unidades do Corpo de Bombeiros. As cidades que treinarem suas brigadas municipais pontuam no Programa Município VerdeAzul, da SMA.

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