Egressa da Unesp de Botucatu é Professora Titular na Universidade da Flórida

Natália formou-se numa época em que ainda não se falava com tanta intensidade em internacionalização da Unesp

da Assessoria da Unesp

Graduada em Agronomia pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, câmpus de Botucatu, em 1995, Natalia A. Peres, 42 anos, é atualmente professora titular de Fitopatologia no Gulf Coast Research and Education Center da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.

Formada numa época em que ainda não se falava com tanta intensidade em internacionalização da Unesp, Natália traçou um caminho de sucesso alicerçado na FCA, onde também defendeu seu Mestrado em 1998 e o Doutorado em 2002.

Da Iniciação Científica ao Doutorado foi orientada pelo professor Nilton Luiz de Souza. A presença do docente, falecido em 2007, foi importante em sua trajetória. “Tenho muita admiração e gratidão até hoje por sua humildade e pelo incentivo que ele dava a todos os seus orientados a buscar sempre mais. Quando estava na Iniciação, eu ajudava um dos seus alunos de Doutorado na época, o Mario Sergio Carvalho Dias, atualmente pesquisador da EPAMIG. Da Iniciação Científica para o Mestrado foi basicamente uma continuação da pesquisa iniciada pelo Mario e orientada pelo professor Nilton”, diz ela.

O incentivo para o Doutorado veio quando a Citrovita (hoje Citrosuco) foi até a Faculdade em busca de pesquisas com a podridão floral, doença que estava causando perdas significativas de produção para a empresa. “Sempre gostei de pesquisa aplicada, de ver o resultado da pesquisa sendo implementado para ajudar o produtor e a oportunidade de trabalhar naquele projeto me atraiu muito. Ao final, foi muito gratificante. Acredito que foi somente aí que realmente tive certeza que queria continuar na área acadêmica”, afirmou Natália.

Durante o doutorado, Natália percebeu que os trabalhos mais significativos publicados sobre o tema eram de um pesquisador chamado Peter Timmer, da Flórida. “Como o professor Nilton também não tinha muito conhecimento da doença, ele me incentivou a sair para trabalhar fora do país”, conta a professora.

Determinada, Natália entrou em contato com Timmer, inicialmente, para um estágio de um mês, financiado pela Citrovita. Após o estágio, ela retornou à Flórida mais duas vezes por seis meses cada, fazendo uma espécie de doutorado sanduíche. “Voltei a Botucatu e terminei o doutorado em 2002, mas o Timmer e um pesquisador da Califórnia me contrataram para trabalhar num projeto de pesquisa no Brasil com uma doença conhecida como Pinta Preta dos Citros, que não havia sido detectada nos Estados Unidos”, explica ela.

Quando Natália trabalhava nesse projeto, soube da abertura de uma vaga na Universidade da Flórida para a contratação de um fitopatologista que trabalhasse com morango. “Participei do processo de seleção, que é similar ao de uma empresa privada, com análise de currículo, apresentações e entrevistas. Para minha surpresa, fui selecionada e comecei trabalhar como Professora Assistente em 2004. A vaga, porém, só é concedida permanentemente após uma avaliação da produtividade do pesquisador durante os 6 primeiros anos. É um processo chamado “tenure”, onde a pressão por produtividade é muito grande”, revela a egressa.

Natália superou a etapa do ‘tenure’ e, em 2010, foi promovida a Professor Associado. A promoção para Professor Titular veio no dia 01 de julho de 2016, após uma avaliação de produtividade, onde foram analisadas publicações, financiamento de projetos, alunos graduados, e reconhecimento internacional na área.

Bem sucedida em sua carreira, Natália relembra com carinho os anos vividos na FCA. “Tenho comigo as lembranças dos amigos, dos pontos de carona, das festas no Terreiro de Café e, principalmente, a presença do meu companheiro de turma e de todas as horas, meu marido Renato”, comenta Natália.

Aos alunos interessados em traçar um caminho parecido com o seu, Natália aconselha: “primeiramente é preciso investir no aprendizado da língua. Também é importante ter objetivos definidos. Os professores nos Estados Unidos, por exemplo, recebem vários currículos de alunos buscando oportunidades todos os meses. Porém, a grande maioria é de alunos atirando para todos os lados e que, na maioria das vezes, não têm nada na sua formação voltado para a área do pesquisador. Ter foco é muito importante”, enfatiza a professora.

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