OPINIÃO | Lula e o triplex

O triplex é mais uma tentativa de afirmar “as convicções”, já que “não há provas”. E tirar Lula de 2018.

por Valdemar Pereira de Pinho*

Nesta semana o noticiário das TV, editoriais, artigos dos jornalões, blogs e sites falaram da “delação premiada” do Léo Pinheiro. Nela ele afirmou, finalmente, que o triplex do Guarujá era do Lula. Qual é a cronologia dos fatos relacionados a essa acusação?

A Bancoop, é uma cooperativa habitacional criada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo. Marisa e Lula compraram uma cota e pagaram as prestações, tendo direito a um imóvel. A Bancoop faliu em 2009 e repassou os imóveis em construção para a OAS, que os concluiu. O triplex foi oferecido a Lula, que decidiu não comprá-lo. Investigações foram feitas pela Lava Jato e pelo MP de São Paulo sob suspeita que o triplex teria sido um “presente” da OAS. Foram ouvidas 73 testemunhas, inclusive Léo Pinheiro e funcionários da empresa, e todas afirmaram que o triplex era realmente da OAS. 

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

Léo Pinheiro foi preso pela primeira vez em novembro de 2014. Cinco meses depois, em abril de 2015, o STF o colocou em prisão domiciliar. Em junho de 2016 foi condenado a 16 ANOS de prisão, quando resolveu fazer delação premiada e confirmou ter repassado propina a executivos da Petrobrás e políticos de vários partidos. E inocentou Lula. Quando perguntado, afirmou que o apartamento era da OAS. Sua delação foi rejeitada pelo MPF e Lava Jato em agosto de 2016 porque, “segundo fontes do MPF que não quiseram se identificar, não incriminava Lula”. Duas semanas depois, em setembro de 2016, Léo Pinheiro foi novamente preso por Moro para “garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e segurança da aplicação da lei penal”. Em novembro de 2016 a pena do Léo é aumentada em 10 ANOS pelo TRF4. Desde então o réu tenta negociar uma delação premiada que o livre dos 26 ANOS DE CADEIA. Em abril de 2017 faz a nova delação, vazada prá imprensa, que reproduz exaustivamente o trecho em que diz que Lula era o real proprietário do triplex. Mas não reproduz o trecho em que ele é questionado pelo advogado de Lula. Felizmente existe a internet, onde podemos ver a íntegra do depoimento. Nesse trecho Léo afirma que, desde que recebeu da Bancoop o prédio inacabado (em 2009), foi dito que aquele apartamento era do Lula, embora nunca tenha feito essa transferência. O advogado mostrou documento do Cartório que comprova que o apartamento foi colocado pela OAS em 2013 como garantia de negociação de reestruturação financeira da empresa, e perguntou como isso foi possível se o apartamento era do Lula. Ao que o delator diz que ele era da OAS.

Em nota a defesa de Lula lembra que: “Perguntado sobre diversos aspectos dos três contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos”.

Um fato inegável é que desde o início da Lava Jato os promotores e o juiz que a dirigem tentam encontrar alguma coisa que incrimine o Lula. Isso se exacerbou com a divulgação de pesquisas eleitorais que colocam Lula como possível vencedor nas possíveis eleições presidenciais de 2018. Até o momento foram feitas várias acusações, mas não encontraram nada que as comprovasse. O triplex é mais uma tentativa de afirmar “as convicções”, já que “não há provas”. E tirar Lula de 2018.

O que você faria, leitor, se estivesse no lugar do Léo Pinheiro? Mudaria a versão de acordo com a vontade da Lava Jato? Ou cumpriria os 26 anos de prisão?

* Valdemar Pereira de Pinho é professor aposentado da Unesp, ex-vice-prefeito de Botucatu (2001 a 2008) e membro do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu.

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