OPINIÃO | A saída é pela porta

Uma eleição indireta viria para consolidar o golpe, seria um golpe dentro golpe, e golpe se combate com mais democracia

por Carlos Ramos*

Vivemos tempos de turbulência Política, parece que nunca mais vai acabar, cada dia aparecem mais escândalos, a população desacreditada de tudo, ondas de ódio e de conservadorismos pipocam como há tempos não víamos.

Na verdade isso tudo começou no segundo turno das eleições de 2010, quando o PSDB e o seu candidato a Presidente trouxe para a arena Política uma agenda extremamente conservadora, onde o candidato priorizou de forma negativa, temas como o aborto e acendeu uma disputa que até hoje ainda não terminou.

Depois tivemos as manifestações de junho de 2013, quando milhares de pessoas foram às ruas reivindicar melhorias nos serviços públicos e um Estado mais presente, porém ali com uma negação a Política e aos Partidos Políticos.

A Eleição de 2014, também foi emblemática para o momento que vivemos hoje, o candidato derrotado não aceitou a derrota e no dia seguinte já começou a articular o golpe, pedindo a recontagem dos votos, o que ele confessou mais tarde que o fez única e exclusivamente “para encher o saco”. Vale ressaltar ainda o pedido de impugnação da Chapa Dilma e Temer, ao TSE, feita pelo PSDB, e hoje eles fazem parte e dão sustentação o governo golpista de Temer. O golpe se materializou com grande apoio da mídia e de uma justiça seletiva,  patrocinada por um congresso de ladrões e corruptos (Eduardo Cunha, presidente da Câmara que aceitou o pedido de Impeachment em retaliação ao Partido dos Trabalhadores, esta preso; Henrique Alves, principal articulador do golpe, esta preso; o vice Presidente Golpista está sendo investigado; e o candidato derrotado nas ultimas eleições foi flagrado recebendo R$ 2 milhões em propina, sua irmã e primo estão presos).

O cenário hoje é de  um governo ilegítimo e fraco, que está a serviço do capital, que promove em tão pouco tempo, reformas que acabam com os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, que promove atraso nas questões de direitos humanos, questões que acreditávamos que estavam já superadas, garantidas e consolidadas. Um governo que trouxe para a linha de frente o que de pior se tinha nos subterrâneos do país e acima de tudo um governo que exala podridão por todos os lados.

E num cenário como esse se faz urgente que a democracia seja restabelecida e só tem uma forma, é através que se tenham eleições Diretas, nada mais justo e correto é de que a população escolha o caminho que quer seguir, esse Congresso esta atolado em escândalos, esta desmoralizado e não tem mais autoridade e nem legitimidade para eleger um novo Presidente.

Uma eleição indireta viria para consolidar o golpe, seria um golpe dentro golpe, e golpe se combate com mais democracia; somente dessa forma conseguiremos voltar a ter o equilíbrio que tínhamos e que foi perdido nos últimos tempos.

As mobilizações aumentam a cada dia, dois grandes eventos já aconteceram no Rio e em São Paulo, puxado por artistas, intelectuais e sociedade civil, também foi lançada a frente parlamentar suprapartidária, por eleições diretas, que pretende aumentar a pressão sobre o Congresso para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 277, que pretende garantir a realização de eleições diretas no caso de vacância do cargo de presidente da República até seis meses antes do fim do mandato.

Mas somente a troca de comando é muito pouco, é preciso também que sejam feita grandes reformas de base, a tão falada reforma política precisa ser feita pra valer, e é preciso uma constituinte exclusiva para essa finalidade, não haverá  mudanças se os principais envolvidos ditarem quais serão as regras do jogo e não haverá mudança no jogo se não mudarem as regras, temos também que criar novas formas de democracia participativa.

Precisamos resgatar os valores da Política, sem ela teremos a barbárie, sem ela podemos ter Donald Trump que vira as costas para o mundo e se retira do acordo do clima por ser um mau negócio, ou um Doria insensível com as pessoas da cracolândia e que  fala em internação compulsória, rasgando vários tratados e pactuações, corremos o risco de termos Bolsonaro ou qualquer coisa pior.

O momento é sombrio e de desalento, mas devemos manter viva a chama da esperança, que guardemos o desanimo para quando tivermos vivendo dias melhores, hoje não temos esse direito. O título desse artigo é o nome de um livro do Vereador de São Paulo, Eduardo Suplicy, “A saída é pela porta” que mostra o óbvio, só se sai de um lugar pela porta, e diante dessa crise que vivemos o óbvio é que a única saída é pela Política.

*Carlos Ramos é especialista em Gestão e Políticas Públicas pela FESPSP e Vice-Presidente do PT de Botucatu

Deixe uma resposta