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OPINIÃO | Turismo sustentável e sustentabilidade turística

O turismo sustentável é aquele que maximiza o uso dos recursos, não comprometendo a cultura local e o meio ambiente

por Patrícia Shimabuku*

O segmento turístico possui uma característica ímpar em relação aos outros nichos econômicos, uma interação (direta e/ou indireta) concomitante com diferentes segmentos da cadeia de prestação de serviços, bens de consumo, cultura, transporte, etc. (coletividade e interpendência entre os segmentos). O turismo, em comparação à outras atividades econômicas, promove o “alívio da pobreza” através da inclusão social, isto é, quando planejado e operacionalizado de forma sustentável, com a geração de emprego (valorizando a mão de obra local) reduzindo as desigualdades sociais.

No entanto, o que é “Turismo Sustentável”?

Segundo a Agência Especializada em Turismo das Nações Unidas (OMT: Organização Mundial de Turismo), o TURISMO SUSTENTÁVEL é “aquele que atende às necessidades dos turistas de hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as oportunidades de futuro. É visto como um condutor ao gerenciamento de todos os recursos, de tal forma que, as necessidades econômicas, sociais e estética possam ser satisfeitas sem desprezar a manutenção da integridade cultural, dos processos ecológicos essenciais, da diversidade biológica e dos sistemas que garantem a vida”. Resumindo, o turismo sustentável é aquele que maximiza o uso dos recursos, não comprometendo a cultura local e o meio ambiente, promovendo as infraestruturas e equipamentos desmandos pelo setor.

Como já abordados em pautas anteriores, o município de Botucatu (bem como sua região) apresenta um grande potencial para o segmento turístico (ecológico, cultural, rural, náutico, religioso, científico e industrial). Tal potencial está descrito no volume II (Perímetro Botucatu) do Plano de Manejo da APA Corumbataí-Botucatu-Tejupá (Decreto Estadual nº 20.960/1983). O documento propõe que, uma das maneiras de garantir a finalidade da criação desta APA, foi a elaboração de um zoneamento (ordenamento do uso e ocupação do solo) das áreas de relevante interesse turístico, como a AIHC (Área de Interesse Histórico-Cultural) e, a APIT (Área de Potencial Interesse Turístico). O Plano Diretor Participativo sinaliza, também, Zonas Especiais de Interesses Turísticos (ZEITUR) para o município. Sem falar, na inserção estratégica na malha rodoviária estadual (acessibilidade às rodovias Marechal Rondon e Castelo Branco).

No entanto, a lógica e a relevância do desenvolvimento turístico são mal interpretadas pelo Gestor Municipal e pelos munícipes. Interpreta-se de maneira superficial e limitada os benefícios (econômicos, ambientais e sociais) que o segmento proporciona.

O turismo quando planejado, explanado, capacitado tecnicamente e operacionalizado coletivamente (poder público, iniciativa privada, conselhos municipais, sociedade civil organizada, órgãos ambientais competentes e munícipes) levará a mudança de paradigmas e transformações significativas, que serão percebidas a médio e longo prazo, através de investimentos, empregabilidade, inovação tecnológica e retorno econômico (impostos).

Para as questões ambientais, a cadeia turística será a garantia de uso e ocupação (vocação) sustentáveis, principalmente, das áreas que contemplam a região da Cuesta Basáltica (uma formação geomorfológica com morros testemunhos de grande potencial turístico, com remanescentes de vegetação (cerrado-mata e atlântica), conhecida por suas inúmeras cachoeiras e córregos, resultantes dos desníveis abruptos de seu relevo, formando um conjunto cênico/paisagístico expressivo, um verdadeiro centro promissor para o ecoturismo, turismo de aventura, científico e rural). A Cuesta é o “patrimônio natural” de nossa cidade, que deve ser conservado visando a manutenção da biodiversidade, dos fenômenos biológicos, da cultura e do modo de vida local. Com essa ótica, a atividade turística torna-se economicamente e ambientalmente sustentável; tem-se uma operacionalização da atividade econômica, com viés da responsabilidade socioambiental não-exploratória, que conduzirá o poder público, cadeia de prestação de serviços, munícipes e turistas à apreciação, à proteção e a interpretação das características ambientais locais e regionais, no sentido de identificar-se com o meio ambiente e, assim valorizá-lo. Além disso, entender a relação entre a natureza e a sociedade como elementos indissociáveis é compreender a relevância da conservação ambiental, usufruindo a natureza de forma sustentável e não de caráter exploratório, garantindo o sucesso e a prosperidade do segmento turístico local e regional.

Sendo assim, por que com todos esses recursos turísticos, ainda não somos uma referência turística regional, estadual e nacional?

Além de tudo, o turismo poderá ser um gesto civilizatório e de cidadania ecológica.

Pense nisso!

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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