Prefeitura de São Manuel desiste de implantar UPA, mas terminará prédio

Decisão foi motivada pelo custo de manutenção do espaço, que giraria em torno de R$ 1 milhão mensais

por Flávio Fogueral com Prefeitura de São Manuel

A administração do prefeito Ricardo Salaro (PPS), em São Manuel, desistiu da implantação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no município. A decisão ocorreu no início de julho e foi motivada pelo custo de manutenção do espaço, que giraria em torno de R$ 1 milhão mensais.

Mesmo com a desistência o prédio, que é erguido na Avenida José Horácio Melão, deve ser concluído até o início de 2018, segundo perspectiva dada pela Diretoria Municipal de Saúde. No local ocorrem trabalhos de acabamento interno como pintura e outras providências como limpeza e acabamento.

O espaço será destinado, então, a ser um laboratório de especialidades. A própria Diretoria de Saúde admite que o prédio poderá alojar serviços específicos como pequenas cirurgias, vigilância epidemiológica, centro de testagem rápidas e outros serviços. Esse centro de especialidade vai agilizar o sistema de saúde e também distribuir os serviços que ocorrem no chamado “Postão (da Rua Dr. Júlio de Faria), cujo espaço físico não tem apresentado capacidade para atender à atual demanda.

Segundo a própria Diretoria de Saúde, o valor para manutenção da UPA, em São Manuel, custaria em torno de R$ 1 milhão para atender média de 300 pessoas por dia. Este valor será aplicado, no entanto, na manutenção estrutural e de Recursos Humanos do Pronto Socorro municipal, que tem média de 200 atendimentos diários, número já considerado alto para a pasta.

O prédio da UPA começou a ser erguido em 2014, após São Manuel ser incluída no plano de expansão do programa, que  trabalha de forma integrada com o SAMU- Serviço de Atendimento Médico de Urgência e Emergência- e oferece atendimento a algumas especialidades no próprio local, desafogando assim outras unidades do sistema público de saúde. Em muitos casos, o SAMU presta os primeiros atendimentos e encaminha o paciente à Unidade de Pronto Atendimento. A unidade contaria com equipamentos de raio-X, eletrocardiografia, laboratório de exames e leitos de observação para resolução de alguns casos.

Mas a construção da Unidade de Pronto Atendimento em São Manuel enfrentou percalços pelo caminho. Em 2016, a obra foi paralisada por falta de pagamentos. Em junho, a administração municipal negociou com a empreiteira contratada para as obras, e realizou o aporte de R$ 270 mil. “O governo federal financia projetos, como o prédio da “UPA”, de até R$ 2 milhões. No entanto, o projeto foi feito na Administração passada para custar R$ 2,8 milhões. Então, R$ 800 mil foi a contrapartida do município. Este ano, quando mudou a Administração, a obra estava parada por falta de pagamento. A Administração Ricardo Salaro e Major Rubin pagou só neste prédio R$ 270 mil de dívidas e, assim, conseguiu dar andamento à obra com outro processo licitatório”, ressalta o diretor de Saúde, Márcio Santarém.

Mesmo com a conclusão do prédio, a destinação do local não será mesmo para o atendimento nos moldes da UPA, reforça o diretor. Com isso, o município explicará ao governo federal a desistência do projeto. “O funcionamento de uma UPA se dá mediante a uma solicitação do serviço no município para o governo federal. Essa solicitação, por exemplo, já prevê que o governo federal arque mensalmente com R$ 100.000,00 das despesas da UPA e o município com o restante (lembrando, como mencionado, que o custo mensal de uma UPA é em torno de R$ 1 milhão, com todos os gastos inclusos). Na verdade, esse serviço não será solicitado. Será enviada uma justificativa explicando a decisão de acordo com o orçamento que o município tem”, explica Santarém.

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