OPINIÃO | Conversas Urbanas 2

O urbanismo é o conjunto de conhecimentos e técnicas que permite às pessoas e poder público reconhecer, compreender, projetar, administrar e assim, organizar melhor uma cidade

por Patrícia Shimabuku*

Na última terça-feira, dia 8 de agosto de 2017, iniciaram-se as primeiras audiências para discussão do Projeto de Lei Complementar no 15/2017 que “Dispõe o Plano Diretor Participativo do município de Botucatu e dá outras providências”. Esta primeira audiência foi para discutir os artigos que contemplam o Eixo Território do Plano Diretor. No próximo dia 22, às 19 horas, na Câmara Municipal, ocorrerá a segunda audiência do referido tema.

Neste contexto, conversamos com o Professor, arquiteto e urbanista, um dos fundadores da Escola da Cidade, Celso Pazzanese (Pôla) que organiza e coordena o evento “CONVERSAS URBANAS 2” que acontecerá nos dias 25 e 30 de agosto, no Iglu Principal (Cine Janelas) do Espaço Cultural, a partir das 19h. Entrada Gratuita.

O que são “Conversas Urbanas” (evento)?

PÔLA: É um evento aberto ao público geral, interessado em aprofundar seu conhecimento sobre nosso lugar e todo o potencial que ele tem, no formato de palestras de especialistas junto com conversas abertas ao público. O objetivo é desenvolver formas mais contemporâneas DE DISCUSSÃO e reunir a inteligência da cidade com convidados externos, para pensar juntos sobre o que podemos melhorar em nossa vida e lugar. Isso foi o que nos motivou a criar o evento aberto de discussão, Conversas Urbanas, no ano de 2015. Estas Conversas Urbanas de 2017 serão feitas a partir de 2 perguntas, muito importantes para todos nós, pensarmos a respeito do nosso lugar: (1) Em que cidade e território vivemos? (2) Em que cidade e território queremos viver?

Por que o pensar em urbanismo é importante? Quais são os seus reflexos na vida do cidadão comum?

PÔLA: Importa muito, porque o urbanismo é o conjunto de conhecimentos e técnicas que permite às pessoas e poder público reconhecer, compreender, projetar, administrar e assim, organizar melhor uma cidade (e seu território), juntando o que se conhece, com o que se deseja, com o melhor para todos, combinando todas as demandas de economia, ambiente, conforto, infraestrutura etc., de modo mais equilibrado. Por isso o urbanismo se reflete em praticamente todos os aspectos e momentos da vida de qualquer cidadão: no seu trajeto até o trabalho, nos seus momentos de lazer, no bairro onde mora, e assim por diante.

Como as sugestões/reflexões/provocações que serão geradas no evento poderão contribuir neste importante momento de aprovação do Plano Diretor e para o planejamento da cidade?

PÔLA: As pessoas pensam melhor quando mais conhecem. Trazer a visão de especialistas, e conversarmos todos, com seus conhecimentos, isso ajuda a todos a saberem muitas coisas que já são feitas de bom, em outros lugares parecidos, e podem ser feitas aqui também, para aproveitar melhor a cidade e a cuesta junto, para todo mundo. 

Quem poderá participar? Público específico ou qualquer cidadão?

PÔLA: É aberto ao público interessado em conhecer mais sobre esses assuntos, e gente que tem coisas pensadas ou propostas organizadas sobre os assuntos que envolvem a construção da nossa cidade. 

Por que Botucatu precisa de projetos urbanísticos “inovadores”? O que a cidade teve de “prejuízos” ou que ela deixará de “ganhar” se continuar com o processo de urbanização vigente? 

PÔLA: Porque as formas atuais que estão propondo para o *crescimento* da cidade estão absurdamente desatualizadas: A atual proposta de PDP é baseada num *plano de avenidas* feito em 2012, coisa que é do tempo do Prestes Maia, anos 1930, e só leva em conta a necessidade de transporte individual, praticamente nada para transporte público e, todos os outros modos de circulação de hoje em dia, por exemplo. Além do mais, se propõe que a cidade se espalhe pelo município, quando ainda é cheia de lugares vazios dentro da própria cidade, imaginando um crescimento que o próprio diagnóstico feito para o PDP, em 2015, já demonstra que não existe nem vai existir. Só para entenderem outro dos equívocos do Plano, ele segue o *anel viário* que, na parte onde se propõe nova expansão urbana, lados da “Castelinho”, segue os linhões de distribuição de energia, o que é um absurdo, porque linhão foi feito para atender a necessidade dessa distribuição, não para resolver uma cidade inteira. Então quem está dizendo como devemos crescer não é a necessidade da cidade, mas o linhão de energia, imagina só.

Para o desenvolvimento de um urbanismo adequado para a cidade de Botucatu, quais as necessidades? O que precisa fazer?

PÔLA: Precisamos entender aqui melhor o que já está no Diagnóstico de 2015, e rever as propostas para a cidade levando em conta o que lá aparece, associado a conhecimento mais atual sobre desenvolvimento sustentável. 

Conte um pouco da história do evento.

PÔLA: Já realizamos pelo Instituto Botucatu (I.Bot) várias ações na e com a cidade, e quando vimos a forma como estava sendo discutido o PDP em 2015, vimos que era preciso muito mais gente conhecer muito mais coisas sobre a cidade e seu território. Todos se acostumam tanto com o próprio lugar, que desconhecem características que, quem vem de fora, acha maravilhosas, e isso não estava sendo levado em conta na proposta do PDP em 2015. As pessoas todas estavam insatisfeitas, mas, não sabiam direito porquê, então criamos as Conversas Urbanas para cruzar informação local, que é muita e, estava dispersa, com o conhecimento de especialistas de fora, que conhecem formas mais adequadas de desenvolver um lugar como o nosso aqui.

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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