OPINIÃO | A universidade, o banco e nós

Sabemos das razões para repensar e reorganizar o ensino superior do país, bem mais que esses agentes disfarçados (nem tanto) do mercado financeiro.

por Valdemir Pires*

Banco Mundial de novo, como urubu rodeando a carniça econômica em que o Brasil foi transformado. De credor líquido a potencial “cliente”, o país vai atravessando a ponte para o sombrio futuro.
E vem o banco recomendar que se desatem alguns nós e, entre eles, um antigo, ensebado: a cambaleante universidade pública, que só recentemente vem tendo a decência de alguma inclusão dos pobres. Sugerem que seja repensada.
Se temos que repensar a função, o custo e a forma de financiamento da universidade pública brasileira (e temos, não é de hoje), não é pelos motivos superficiais apontados no recente relatório produzido (logo agora!) pelos tecnocratas insensíveis do Banco Mundial,  regiamente pagos para produzir o que interessa aos magnatas das finanças internacionais, que capturaram as finanças públicas via endividamento estrutural dos governos.
Sabemos das razões para repensar e reorganizar o ensino superior do país, bem mais que esses agentes disfarçados (nem tanto) do mercado financeiro. O que fazemos desse conhecimento, porém? Nós, que estamos na universidade pública, sucateada sob os nossos narizes? Nós, lattescratas despudorados, desertores de Celso Furtado, Josué de Castro,  Guerreiro Ramos, Milton Santos, Paulo Freire e outros cientistas capazes de pensar tendo  a História como referência.
Valdemir Pires, professor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp e autor de “Economia da Educação: para além do capital humano”.