OPINIÃO | Conjecturas políticas

Não é à toa que o radicalismo de direita amplia seu espaço

por Adilson Roberto Gonçalves*

“Cartas não publicadas nos jornais” poderia ser o subtítulo – ou linha fina – deste texto. Se lá são preteridas, aqui o espaço para discussão ou manifestação ainda resta. Usemo-lo.

Tucanos se bicando já virou clichê na política brasileira. A propalada terceira via da social-democracia dos tempos de Tony Blair e Bill Clinton, que procurava ser imitada por FHC, ficou restrita ao registro histórico. Hoje, dentro do partido, é o prefeito novato criticando tudo e todos, e o senador corrupto questionando as demais pré-candidaturas. Não é à toa que o radicalismo de direita amplia seu espaço.

Esse radicalismo não é tão exceção assim, haja vista que Hitler subiu com o discurso dos descontentes. Articulistas de jornais da capital denunciam a retrógrada candidatura, mas ela não é tão improvável, nem longe dos interesses do mercado. Infelizmente.

Com todo o empenho da sociedade brasileira para produzir uma matriz energética relativamente limpa, com vento, sol, água e biocombustíveis, os desarranjos do governo fazem com que sejamos rotulados de fósseis na 23a Conferência da ONU Sobre Mudanças Climáticas (COP-23), conforme notícias do meio do mês. O pior cego é o que não vê a riqueza que poderia ser de todos e não de uns poucos.

Por fim, para falar de uns para todos, o deputado federal pelo PSOL Chico Alencar publicou um texto na Folha de S. Paulo (“A reinvenção da esquerda”, Tendências/Debates, 12/11) em alusão ao centenário da revolução bolchevique, também chamada de revolução russa. De certa forma, o texto do parlamentar dialoga com outros que exortam a discussão sobre as redes sociais em torno da relação da vida do indivíduo com a sociedade. Se o comunismo/socialismo procurou dar uma dimensão global para a questão individual, as redes sociais são a transformação da vivência individual na única possível – ao menos é o que se depreende do que ali circula. O equilíbrio deveria ser preposicional: caminhar para “viver em sociedade” e não “viver para a sociedade” (submissão) ou “viver da sociedade” (dominação).

Adilson Roberto Gonçalves, doutor em química pela Unicamp, livre-docente pela USP e pesquisador da Unesp em Rio Claro-SP