OPINIÃO | Natal sustentável: reciclando valores, tempo de paz e de esperança no futuro!

Para não comprometer a presente e a geração futura, a sociedade (nós) deve tomar providências agora.

por Patrícia Shimabuku*

Muito já se escreveu sobre o Natal e seu significado independente de ser cristão ou não em todo o mundo. Fato que a data transcende o aspecto religioso e evoca sentimentos como amor, amizade, solidariedade, respeito ao próximo, fraternidade e fé. Data caracterizada pela vontade de abraçar e ser abraçado, de dar e ganhar presentes, da partilha alimentar, de cantar e ouvir canções típicas, de viajar para reencontrar parentes e amigos ou ficar em casa para abrigá-los quando vêm de longe. Tempo de reconciliações, perdão e além de tudo, mágico, pois faz brotar até nas faces mais sisudas um sorriso acolhedor. Os pensamentos e atitudes se voltam para aqueles que amamos, para tudo que julgamos importante, que nos faz falta e que um dia esteve presente. Natal, a síntese perfeita para as reflexões sobre nossa existência, sobre nossas atitudes com o mundo e quais as marcas formativas que deixaremos até a hora da partida.

Se a data resgata e emana energias positivas e esperança no mundo, então é mais que perfeita, para aplicar os conceitos de sustentabilidade e os porquês de refletir e cuidar do meio ambiente (Planeta)!

Durante o ano de 2017, conceituamos a sustentabilidade em vários textos, mas se você não recorda: “Sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável é definido como aquele que atenda às necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades, pautado em vários pilares: social, cultural, ecológico, ambiental, territorial, político”. Outro ponto importante a ser relembrado é o artigo 225 da nossa Constituição Federativa da República do Brasil de 1988: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Mais dois conceitos que achamos oportuno recordar: (1) “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afeções e enfermidades”, conceito da OMS, Organização Mundial de Saúde e (2) “Saúde Ambiental são todos aqueles aspectos da saúde humana, incluindo a qualidade de vida, que estão determinados por fatores físicos, químicos, biológicos, sociais e psicológicos no meio ambiente. Também se refere teoria e prática de valorar, corrigir, controlar e evitar aqueles fatores do meio ambiente que, potencialmente, possam prejudicar a saúde de gerações atuais e futuras, que abrange os fatores físicos, químicos e biológicos externos às pessoas, e os fatores que impactam seus comportamentos. Ela engloba a avaliação e o controle daqueles fatores ambientais que podem afetar a saúde. Ela é direcionada à prevenção de doenças e melhoria da saúde nos ambientes. Esta definição exclui comportamentos não relacionados com o ambiente, bem como o comportamento relacionado com o ambiente social e cultural, e genético”, conceito da OPAS/OMS Organização Pan-Americana de Saúde da Organização Mundial de Saúde.

Com a leitura deste texto até aqui, concluímos que o sentimento natalino está em consonância com todos os conceitos técnicos, aqui relembrados. E aí, ficam as seguintes provocações: “Qual a nossa dificuldade em ser humanos mais sustentáveis? O que nos cega e nos manipula em nossas decisões diárias, sejam particulares ou profissionais? Qual a dificuldade de aplicação dos conhecimentos científicos no modelo de gestão pública (municipal, estadual e federal)? Por que os modelos econômicos e comerciais ignoram todos os saberes ambientais e ecológicos, mesmo dependendo estritamente dos finitos recursos naturais? Por que os interesses individuais (ganância, individualismo e o egoísmo, ou seja, “burrice”) trava-ignora-atropela todas as projeções científicas e sociais? É esquizofrênico dizer que os estudos teóricos não se aplicam na prática (uma vez que, muitos deles são fundamentados na realidade e no seu passado). Então, se existe dificuldades na aplicação da teoria, imaginem, como será o manejo das consequências deste modelo econômico anti-ambiental atual!

Você sabia que até o Vaticano, no ano de 2008, atualizou a lista de pecados capitais para adaptá-la à “realidade da globalização”? A manipulação genética, o uso de drogas, a desigualdade social e a poluição ambiental são novos pecados capitais pelos quais os cristãos devem pedir perdão! Aliás, independentemente da sua fé ou crença, recomendamos a leitura da Laudato si’ (português: Louvado sejas; subtítulo: “Sobre o Cuidado da Casa Comum”) a encíclica do Papa Francisco, na qual o papa critica o consumismo e desenvolvimento irresponsável e faz um apelo à mudança e à unificação global das ações para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas.

Para não comprometer a presente e a geração futura, a sociedade (nós) deve tomar providências agora. Aproveite o espirito natalino e reflita sobre suas ações e que tipo de mundo você irá presentear seus entes queridos em 2018! Ser omisso ou indeciso também gera consequências! Não fique “em cima do muro”! Porque conservar o meio ambiente é uma missão minha, sua, nossa (e não só dos ambientalistas)! Dividimos o mesmo Planeta!

E assim, terminamos o penúltimo texto do ano, com os versos finais da visão e concepção existencialista de Machado de Assis em seu “Soneto de Natal”:

E, em vão lutando contra o metro adverso, 
Só lhe saiu este pequeno verso: 
“Mudaria o Natal ou mudei eu?” 

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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