OPINIÃO | Ano Novo, Síndrome da Renovação

2018 será um ano turbulento, no entanto, são 365 dias para renovar e quebrar velhos paradigmas políticos

por Patrícia Shimabuku*

Ano novo é tempo de renovação, de olhar para trás, refletir sobre o que passou e planejar dias diferentes (esperanças de um futuro melhor). Mais do que um clichê de Réveillon, o ano que se inicia nos dá a oportunidade de obter um recomeço, abandonar os maus hábitos e começar do zero. A transição de um ano a outro assume o papel mágico de nos dar forças para pôr tudo em prática. Falhas reconhecidas e vivenciadas (hoje) poderão ser os instrumentos de transformação e não de repetição. Para isso, será necessário não só vontade própria, mas um olhar acolhedor para o meio ambiente e todos os seres vivos que nele coabitam. Ah, e de ação também!

Como foi dito dias atrás, “Botucatu poderá ser modelo de desenvolvimento”. Mas, que tipo de modelo de desenvolvimento que a gestão pública (Executivo e Legislativo) almejam para nossa cidade? Será um modelo nos moldes do desenvolvimento sustentável com sustentabilidade econômica?

Falhas, inúmeras falhas existem. Falhas que estão associadas à outras tantas falhas herdadas de outros mandatos. Botucatu tem muito a melhorar, no entanto, se a compararmos com outras cidades paulistas, possui um cenário favorável (segurança, saúde, educação, abastecimento de água, tratamento de esgoto, moradia e emprego). Condição que aumenta, exponencialmente, nossas responsabilidades com a cidade. Não podemos retroceder e muito menos acomodar.

Botucatu poderá ser a renovação das gestões públicas. Poderá ser o modelo de esperança (renovação) para o catastrófico cenário político nacional. Nossos representantes políticos (Prefeito, Secretários e Vereadores) não poderão ser corrompidos pelas vaidades e interesses pessoais e, muito menos, pelas pressões externas (do mundo empresarial, financeiro e partidárias). Cada dia de 2018, o “tal jeitinho brasileiro” deverá ser reduzido, com a meta de ser extinto ao término do ano! Tenho esperanças!

O Prefeito deve construir uma gestão sólida, transparente e participativa, saindo da precariedade que persiste nas demais gestões públicas. A cidade não é mais um território desconhecido, um ano de mandato já passou, temos mais três para inovar com responsabilidade, ética e sustentabilidade. Os Secretários devem exercer suas funções com profissionalismo, eficácia, eficiência e colaborativíssimo com as demais pastas que compõem o organograma do executivo municipal. É inadmissível “a não troca de figurinhas” entre as secretarias. O modelo de gestão municipal não é um “Frankenstein”. E aí, senhores secretários, vamos inovar? Que tal reuniões de planejamento global, onde as secretarias apresentarão seus projetos para 2018? Nesta reunião poderão ocorrer ajustes de projeto (financeiro, obras em conjunto, análise de risco, etc). Olha a oportunidade de fazer a diferença (além da assertividade na aplicação dos escassos recursos financeiros e humanos). Ah, a participação dos beneficiados (a população) também se faz necessária.

Já os vereadores têm suas responsabilidades com o município, que vão além de nomear ruas e concretizar os “pedidos de uma parcela do eleitorado”. Cabe “a pessoa que verea” acompanhar a atuação do Prefeito (e seus Secretários) dando legitimidades aos seus atos. Cabe ao vereador propor leis que tenham relevância para a municipalidade (para o coletivo e não para favorecimento alheio individual). Cabe ao vereador definir os caminhos da cidade e, voltando ao sentido etimológico da palavra, verear ou traçar caminho. Caminhos que a cidade deve tomar em consonância com os anseios e necessidades da população, pautados na conservação do patrimônio natural local (cuesta basáltica, fragmentos de mata atlântica-cerrado, bem como as tantas microbacias que serpenteiam o município). Os vereadores têm que “sentir o cheiro do povo” e ir nos bairros, nos distritos, visitar as comunidades, ouvir as entidades organizadas e ser o interlocutor do povo com o executivo. E aí, legislativo local, vamos inovar em 2018?

E eu, você, nós (população em geral) também temos que inovar. Vamos aproveitar esse espírito de transformação, essa ânsia por dias melhores, por um futuro melhor presentes nos primeiros momentos de 2018. Vamos participar, vamos cuidar de nossa cidade. Se a “política nacional vigente é nojenta, repugnante, corrupta” a culpa é nossa! Contribuímos a cada instante para falência da democracia representativa. Foi você que votou! Foi você escolheu! E pior, você não acompanhou (e não acompanha) o desenvolvimento dos mandatos. A sua responsabilidade não é simplesmente votar e/ou justificar o seu voto. Ah, a omissão tem sérias consequências!

Eu, você, nós temos o dever de estar presente nas sessões da Câmara Municipal. Vamos aprender e acompanhar as votações, discussões e as decisões sobre nossa cidade (vamos saber quem são, como votam e o que votam os nossos vereadores eleitos). Fazendo isso, estaremos exercendo o nosso papel de agente da cidadania. Vamos renovar, vamos extinguir a “velha política do clientelismo, baseada nos favores”. Nosso voto não pode ser “moeda de troca por moradia”, ou qualquer outra necessidade. As necessidades da população é um direito e previsto em Constituição Federal, portanto, não se venda! Infelizmente, percebe-se que no dia-a-dia, a população procura o gabinete do vereador, do prefeito (e seus secretários) para buscar soluções para questões pessoais. São demandas importantes para aquele cidadão, mas não são o problema do bairro, da rua nem da cidade.

2018 será um ano turbulento, no entanto, são 365 dias para renovar e quebrar velhos paradigmas políticos! Vamos inovar!!! A culpa também é sua, não se esqueça disso! Um cidadão consciente com informação (Educação Política não-partidária) constrói uma sociedade ativa e não refém do sistema. O conhecimento é a base da democracia e dará qualidade aos debates e, aí, não existe sistema político corrupto que aguente.

Faça a diferença, estude, participe. Vamos transformar a realidade. Uma única vela acesa é capaz de espantar a escuridão, então, imagine várias acesas! Pense! Acredite! Mexa-se!

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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