OPINIÃO | Ônibus gratuito é viável

Hoje o transporte coletivo tem como política ser “autossustentável”, ou seja, custeado única e exclusivamente pelos usuários dos ônibus municipais

por Karoline Rodrigues, Gustavo Costa e Daniel de Carvalho*

PREFEITURA E EMPRESAS DE ÔNIBUS CAMINHAM PARA ENTENDIMENTO, GARANTEM QUE HAVERÁ MELHORIA NA QUALIDADE DOS ÔNIBUS COLETIVOS, E SECRETÁRIO DE GOVERNO SUGERE QUE ÔNIBUS GRATUITO PARA TODOS CUSTARIA MENOS DE 5% DO ORÇAMENTO ANUAL DA CIDADE!!!

Agora que começa a amadurecer a utilização de subsídio municipal para baratear o custeio da passagem. Finalmente a luta por maior qualidade e eficiência nos ônibus coletivos de Botucatu aparenta caminhar para uma solução.

Em reunião com a Comissão Municipal de Transporte Coletivo nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, Secretário de Governo de Botucatu, Fábio Leite, apresentou proposta do Prefeito Mario Pardini – PSDB para que o dinheiro do Fundo Municipal de Apoio ao Transporte Coletivo, caixa formado a partir de parte do valor de cada passagem no valor de aproximadamente R$ 1.6 milhões ao ano, será utilizado para manter o valor da passagem nos atuais R$ 3,35.

Hoje o transporte coletivo tem como política ser “autossustentável”, ou seja, custeado única e exclusivamente pelos usuários dos ônibus municipais, diferentemente das outras pastas como Educação, Saúde, Habitação, e outras secretarias que tem subsídio municipal e fazem parte do custo anual de R$ 360 milhões previstos para serem gastos em 2018, além dos créditos suplementares tão comumente utilizados durante o ano conforme o interesse da Prefeitura de Botucatu em subsidiar a aquisição de algum produto ou serviço, e assim facilitar a vida do cidadão com acesso menos oneroso ou muitas vezes gratuito a seus direitos. Por exemplo, no orçamento de 2017 a Secretaria de Cultura possuía o orçamento estimado de aproximadamente R$ 1 milhão, mas conquistou, a partir de créditos suplementares aprovados na Câmara dos Vereadores, outros R$ 1.3 milhões, fechando 2017 com o investimento de R$ 2.3 milhões investidos em festas, aniversário da cidade, e outras atividades. A mudança de postura para adotar a política de subsídio facilitará o acesso ao lazer, à escola, ao trabalho e a outros momentos essenciais, e é um grande avanço!

Além deste caixa milionário, ultrapassando as fronteiras da República de Botucatu, vemos também que podemos agir politicamente nas instâncias estadual e federal através dos deputados de nossa região, como aconteceu recentemente na captação de R$ 15 milhões do Governo Federal para construção de um viaduto, ou de R$ 1.2 milhões do Governo Estadual para reduzir as ações de trânsito, e que, através de nova investida política, poderiam ser agora direcionados para planejamento de um transporte coletivo de qualidade e eficiente que substituísse a necessidade dos transportes individuais que, segundo pesquisas, consomem aproximadamente 17,7% da renda do trabalhador em combustível, passe de ônibus ou manutenção do veículo próprio. Você já calculou quanto de seu salário é gasto em combustível, seguro, IPVA, manutenção e outras despesas necessárias para se mover na cidade? Agora, com esta guinada que visa socializar os custos do direito ao transporte público, há a esperança de um transporte mais barato, com real melhoria na qualidade e eficiência para assim convidar todos a utilizar os coletivos!

Há como planejarmos uma verdadeira ponte para o futuro com ações que garantam que a suada renda do trabalhador fique em seu bolso, e que, uma vez que o direito ao transporte não comprometa tanto, seu salário possa ser revertido livremente em qualidade de vida com investimento em lazer, alimentação, educação, vestuário ou outros recursos, com a adesão ao ônibus gratuito para todos, mantendo o dinheiro do trabalhador no município, concluindo em maior arrecadação do município.

Foto de arquivo: Gustavo Costa, Karoline Rodrigues, José Galdino, Isabel Galdino e Daniel de Carvalho em frente à Casa dos Conselho Municipais de Botucatu no dia de posse da CMTC.

O Passe livre é viável se conseguirmos imaginar que uma nova sociedade é realmente possível, uma cidade onde toda cidadã e cidadão façam parte da gestão e sejam ouvidos, que sejam os reais beneficiados de todas ações que ajudam a pagar, acabando com a concentração de renda em alguns privilegiados. Uma outra Botucatu é possível se pudermos imaginar juntos uma nova política, e até lá seguiremos debatendo porque temos que nos satisfazer com um transporte caro e sem as urgentes e necessárias melhorias que trarão dignidade e segurança a usuários, trabalhadores do transporte coletivo e pedestres, estudando e trabalhando juntos por alternativas reais com soluções definitivas para velhos problemas. Parabéns ao poder executivo que finalmente reconhece a importância de subsídio ao transporte público coletivo, uma abordagem defendida pelo PSoL 50 Botucatu há mais de 2 anos.
Seguiremos juntos, todos! Só a luta muda a vida.

Karoline Rodrigues, Gustavo Costa e Daniel de Carvalho. são membros da Comissão Municipal de Transporte Urbano Coletivo – CMTC e militantes do PSoL 50 Botucatu.

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