OPINIÃO | O destino de uma nação

O filme alerta com sabedoria para outro ponto essencial: estar sempre disposto a lutar pelo que se acredita

por Oscar D’Ambrosio

Há filmes que valem por um ator ou atriz. Outros, por uma cena marcante. ‘O Destino de uma Nação’, dirigido por Joe Wright, reúne esses dois elementos. O eixo central é a pressão a quem o primeiro-ministro Winston Churchill é submetido para fazer um acordo com Hitler quando todos os esforços de franceses e ingleses parecem estar condenados ao fracasso.

Ocorre, no entanto, um momento, em que Gary Oldman, no papel central, decide tomar o metrô e ouvir as pessoas que estão próximas. Trata-se de uma cena fictícia, é claro, mas uma aula de democracia e de saber escutar numa sociedade como a nossa , em que todos querem ouvir. Ao sair de seu gabinete e escutar o que as pessoas esperam de seu país, o líder se reconecta com o mundo.

Existe um ensinamento muito singelo na cena. Talvez não seja cinematograficamente um achado, mas mostra como os políticos, encarcerados em seus gabinetes, vão, pouco a pouco, se distanciando do povo que os elegeu. Dessa maneira, perante a necessidade de tomar uma decisão, seja grande ou pequena, acabam seguindo os mas variados interesses.

O filme alerta com sabedoria para outro ponto essencial: estar sempre disposto a lutar pelo que se acredita. Perante dificuldades ou reveses, muitas vezes o bom senso – e, muito pior, o senso comum – indicam que fazer acordos e baixar a cabeça sejam as melhores alternativas. Churchill, em sua controversa carreira política não fez isso. E passou à História!

Oscar D’Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.