OPINIÃO | Cuesta limpa, algumas reflexões

Será que as críticas realizadas através das redes sociais são assertivas no processo de transformação da sociedade?

por Patrícia Shimabuku*

Iniciou-se a Edição 2018 do Cuesta Limpa, um programa de catação de lixo promovido pelo COMUTUR (Conselho Municipal de Turismo) com apoio de diversas frentes da gestão pública municipal, entidades locais e voluntários. O programa está inscrito no projeto global Clean Up The World que envolve 35 milhões de pessoas em mais de 125 países. O primeiro local escolhido foi a Fazenda Lageado.

Estou envolvida com o programa desde o seu primeiro planejamento e operacionalização. Hoje não participei como “catadora do lixo alheio” mais sim, como “fotografa”. Assumir essa função, estimulou e despertou ainda mais, o meu senso crítico e reflexivo sobre a questão do lixo.

 “Se você quiser descobrir os detalhes de uma pessoa, analise o lixo por ela produzido” uma frase clichê. Neste caso, vou tentar descrever para vocês características do lixo encontrado no trajeto sugerido para limpeza.

 Nas proximidades da entrada principal encontramos um volume pequeno, quase imperceptível para uma “olhada rápida”, porém, como foi estimulado o olhar de forma atenciosa e lenta, encontramos inúmeras bitucas de cigarros e vestígios de sacolinhas plásticas.

Na via paralela à avenida principal, local utilizado como estacionamento, encontramos blisteres e frascos de medicamentos (analgésicos e suplementos vitamínicos), garrafas tipo PET, garrafas tipo long neck de bebidas alcoólicas, embalagens de alimentos (saquinhos e isopor/marmita) e sacolinhas de supermercado.

 Seguindo a via até o lago, encontramos mais garrafas tipo PET (de 2 litros e 600mL), embalagens de alimentos, sacolinhas de supermercado, bijuterias, retalhos de roupas, calçados e, entre a vegetação/alambrado retiramos duas calotas, um pedaço de plástico de painel veicular e um volante.

 Na rampa (tobogã de grama) do lago, o local muito procurado pelas famílias e crianças encontramos os papelões. Papelões que estavam “escondidinhos/guardados” em meio a touceira de capim e, também, mais sacolinhas e embalagens de alimentos. 

“Divirta-se sem deixar rastro, não deixe o papelão para trás”. Reflita.

 Descendo mais um pouquinho, chegamos às margens do Rio Lavapés. Um ambiente lindo, arborizado, favorável para piquenique, leitura de um livro, ioga, meditação ou simplesmente, ficar lá só para “observar a vida passar” (pausa restauradora). Entretanto, isso é só no imaginário do “Botucudo”. Dependendo do dia e hora do dia, um odor de esgoto permeia a região. Ao caminhar em direção à margem encontramos lixo de diversos materiais, A quantidade é absurda. A força das águas do curso hídrico favorece um emaranhado lixo entre as raízes expostas da APP (vegetação). Nas fendas da laje basáltica encontramos lixo acumulado (mais sacolinhas, mais garrafas tipo PET, isopor/marmita e retalhos de roupas). Vale ressaltar que a presença deste lixo, também tem origem no descarte inadequado nas vias públicas presentes no entorno de sua rede/bacia hidrográfica, provenientes da drenagem das águas pluviais.

 Na região do entorno do Museu do Café encontramos mais sacolinhas, embalagens de alimentos, garrafas tipo PET e bitucas de cigarro.

 E por fim, na via que dá acesso a portaria 2 (saída para o Distrito de Vitoriana), uma área arborizada, favorável a caminhada e corrida, encontramos muitas garrafas de vidro (tipo long neck de bebidas alcoólicas), em meio a mata (indicativo de terem sido arremessadas), algumas sacolinhas e embalagens de alimentos.

O que pensar sobre isso? 

Existem diversas lixeiras espalhadas no local!

Quais as justificativas de tanto lixo espalhado no “Lageado”? 

Qual a nossa dificuldade em colocá-lo na lixeira? 

Parece que não entendemos a relação da DENGUE e outras doenças com o descarte inadequado de lixo!

 Será um problema de administração pública? Ou educacional?  Mas, quem é/será o responsável por essa educação? A família? O Estado? Mas, e você?

O que você tem feito de fato para transformar/resolver esse problema?

Você participa, acompanha e colabora com as decisões de nossa cidade?

Será que as críticas realizadas através das redes sociais são assertivas no processo de transformação da sociedade?

 Como resolver o problema do descarte inadequado de lixo?

Vamos pensar juntos?

Dê sugestões!