OPINIÃO | Mulher e suas contribuições para o desenvolvimento sustentável

As mulheres rurais cultivam as terras e plantam sementes para alimentar as populações, garantem a segurança alimentar

por Patrícia Shimabuku*

A relação entre a mulher e a natureza não é recente. Cuidar é a atitude essencial feminina. O “cuidar” é o diferencial que faz da mulher, a cada dia que passa, agente fundamental das melhorias nas comunidades, na vida pública, na intervenção por melhores condições de bem-estar para os cenários: econômico, político, de justiça, cultural e ambiental.

A Organização das Nações Unidas em inúmeros documentos destaca o papel da mulher no manejo dos recursos naturais, enquanto protagonista relevante e ativa de ações locais, regionais e inclusive globais. Um documento que caracteriza esta visão das Nações Unidas é a Agenda 21, na qual se afirma o papel da mulher no desenvolvimento sustentável, propondo que os governos avancem, cada vez mais, na implementação de estratégias que contemplem seu papel fundamental na dimensão sócio-política das questões ambientais.

No próximo dia 8 comemora-se o “Dia Internacional das Mulheres” cujo tema divulgado pela ONU Mulheres deste ano é “o tempo é agora: ativistas rurais e urbanas transforma a vida das mulheres”. Segundo a agência das Nações Unidas, o Dia Internacional da Mulher de 2018 é uma oportunidade para transformar esse impulso em medidas concretas de empoderamento de mulheres de todos os ambientes — rural e urbano — e de reconhecer as ativistas que trabalham sem descanso para reivindicar direitos e desenvolvimento pleno.

Em sintonia com o tema prioritário do próximo 62º período de sessões da Comissão sobre a Situação das Mulheres, que ocorre de 12 a 23 de março em Nova Iorque, o Dia Internacional da Mulher também presta atenção aos direitos e ao ativismo das mulheres rurais, que constituem mais de 25% da população mundial, e a maioria de 43% das mulheres da força de trabalho agrícola mundial.

As mulheres rurais cultivam as terras e plantam sementes para alimentar as populações, garantem a segurança alimentar das suas comunidades e geram resiliência diante do clima. Contudo, em praticamente todos os indicadores de desenvolvimento, as mulheres rurais estão atrasadas em relação aos homens rurais e as mulheres urbanas devido às desigualdades de gênero e à discriminação arraigadas.

Por exemplo, menos de 20% das pessoas em todo mundo que possuem terras são mulheres. Além disso, enquanto a diferença mundial de salário entre mulheres e homens urbanos se situa em 23%, nas áreas rurais pode chegar até 40%. Por outro lado, elas carecem de infraestrutura e serviços, trabalho decente e proteção social e se encontram em uma situação mais vulnerável em face dos efeitos das mudanças climáticas.

“Para materializar a promessa dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de não deixar ninguém para trás, é preciso atuar com urgência nas áreas rurais para garantir um nível de vida adequado, uma vida sem violência ou práticas nocivas para as mulheres rurais, assim como o seu acesso à terra e aos bens produtivos, à segurança alimentar e à nutrição, ao trabalho decente, à educação e à saúde, incluindo a saúde sexual e reprodutiva e seus direitos conexos”, segundo a ONU Mulheres.

As mulheres rurais e suas organizações representam um potencial enorme e, atualmente, estão se mobilizando para reclamar os seus direitos e melhorar seus meios de vida e bem-estar, segundo a agência da ONU. Utilizam métodos agrícolas inovadores, criam negócios exitosos e adquirem novas habilidades, lutam por direitos legais e se apresentam como candidatas políticas. As mulheres rurais encontram um poderoso aliado, a Aliança Nacional de Camponesas, uma organização norte-americana de camponesas.

Diante deste cenário, do tema e da importante relação da mulher com conservação ambiental, quais as oportunidades que as gestões públicas proporcionam para vozes femininas? E nós mulheres, reconhecemos e assumimos o nosso papel com a conservação ambiental?

As informações acima foram fundamentadas no link: https://nacoesunidas.org/tema-do-dia-internacional-da-mulher-deste-ano-celebra-ativistas-rurais-e-urbanas/

* Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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