Servidores da Famesp irão cruzar os braços ainda nesta semana

Entre as reivindicações, estão a aplicação do total do índice de inflação do mês de abril, que ainda não fechou, e 3,5% de aumento real

do JCNet

Em assembleia realizada na última sexta-feira, os servidores da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que atuam na Maternidade Santa Isabel, no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), além dos hospitais Estadual e de Base, em Bauru, decidiram por greve.

Segundo o advogado do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru e Região (SindSaúde), Evandro de Oliveira Garcia, aproximadamente 400 trabalhadores participaram da assembleia, que se deu às 13h no Base e às 19h no Estadual.

Ainda de acordo com Garcia, em abril deste ano, quando ocorre a data-base da categoria, os servidores completarão três anos sem qualquer reajuste salarial. “No ano passado, obtivemos sucesso no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região (TRT-15), mas a Famesp não cumpriu com a sua obrigação”, acusa.

O advogado acrescenta, ainda, que a pauta com as reivindicações dos trabalhadores foi elaborada em fevereiro deste ano, após assembleia. “Porém, a Famesp não quis receber o documento”, diz.

Entre as reivindicações, estão a aplicação do total do índice de inflação do mês de abril, que ainda não fechou, e 3,5% de aumento real. Além disso, o sindicato pede a manutenção do quinquênio, do adicional noturno, do adicional de setores fechados e do diferencial das folgas.

Em relação ao auxílio-refeição, o TRT-15 determinou que a Famesp pagasse R$ 22,00 por dia. Agora, a categoria exige que o valor diário suba para R$ 25,00. Já o vale-alimentação teria de ser ajustado de R$ 549,50 para R$ 650,00. O auxílio-creche, por fim, subiria de R$ 275,00 para R$ 300,00.

Como a saúde é considerada uma área crítica, a categoria deve esperar 72 horas após a notificação da empresa para, de fato, dar início à paralisação. “Enviamos o ofício via Correios e, se não me engano, a Famesp o recebeu na segunda-feira. Portanto, a greve começará entre quinta e sexta-feira desta semana”, avalia.

O sindicato aguarda, também, uma reunião com a Famesp, marcada para as 10h de hoje, na sede do SindSaúde, que fica na rua Bandeirantes, 12-50, Centro. O objetivo é definir, através de consenso entre ambas as partes, qual será o percentual de trabalhadores que cruzará os braços.

Garcia esclarece que os serviços de urgência e emergência, bem como as UTIs, estarão com percentual de servidores reduzido, porém, se necessário, entrarão para trabalhar, mesmo em greve. Outras atividades, como exames, consultas e cirurgias eletivas, serão mais prejudicadas.

OUTRO LADO

Presidente da Famesp, Antônio Rugolo Júnior rebate item por item da reivindicação do sindicato. Quanto ao reajuste salarial, ele alega que a culpa é da própria entidade, que judicializou a negociação coletiva. “Só este sindicato não teve reajuste”, complementa.

Questionado sobre a decisão do TRT-15, Rugolo diz que a fundação impetrou recurso, mas ainda não foi apreciado pelo órgão. “Não cumprimos, porque ainda está na Justiça”, justifica.

Além disso, o presidente da Famesp revela que a instituição, desde 2015, é filiada ao Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (Sindhosfil). Logo, não tem competência jurídica para discutir diretamente com o SindSaúde.

“Assim que enviaram a pauta, encaminhamos ao sindicato, que solicitou que a negociação começasse em março. Porém, o SindSaúde respondeu que queria negociar diretamente com a Famesp”, reitera.

A fundação, então, solicitou que o Ministério Público do Trabalho (MPT) mediasse uma reunião de conciliação junto ao sindicato, cuja data ainda não foi definida. “Mesmo assim, estamos elaborando uma proposta aos servidores e a intenção, em meio aos tempos difíceis, é repor somente a inflação”, revela.

Rugolo, por fim, considera a greve prematura, porque o mês de abril sequer chegou. “Mandaram a pauta para o lugar errado e não teve qualquer negociação, já que a data-base é só em abril. A nossa maior preocupação é com os pacientes, que serão prejudicados com a paralisação”, analisa.

O presidente da Famesp pretende, ainda, enviar um representante para participar da reunião de hoje, na sede do SindSaúde.