Ídolos do passado veem seleção pronta, mas descartam amplo favoritismo do Brasil na Copa do Mundo

Os três ídolos do futebol brasileiro, no entanto, são categóricos ao afirmar que três nomes serão fator de desequilíbrio

por Flávio Fogueral

Para três personagens importantes do futebol nacional nas décadas de 1980 e 1990, a seleção brasileira está pronta para a Copa do Mundo da Rússia. A dois meses do pontapé inicial, Careca, Müller e Amaral consideram que o “trauma” da goleada sofrida pela Alemanha, há quatro anos, é passado e elegem os principais adversários dos comandados pelo técnico Tite.

Os três jogadores participaram no domingo, 8, de partida beneficente contra a seleção botucatuense de futebol master. Ao lado de outros nomes que fizeram história pelos gramados brasileiros, como Pavão, Zenon, João Paulo, entre outros. Em campo, o jogo terminou 6 a 2 para o selecionado brasileiro.

“No Mundial tudo pode acontecer, mas é claro que o Brasil passa com certa tranquilidade pela primeira fase. Depois é aquela máxima: não se pode errar. O time está bem e o treinador (Tite) é um cara do bem e tem a equipe já montada”, foi categórico Careca, ex-atacante e ídolo de times como Guarani, São Paulo e com importante passagem pelo futebol internacional.

Careca e Müller, durante a partida contra o selecionado master botucatuense

Defendeu a seleção de 1982 a 1993, com 63 jogos e 29 gols. Disputou a Copa do Mundo de 1986, no México, sendo eleito um dos melhores jogadores daquele Mundial. Após aquela edição, transferiu-se para o Napoli, onde jogou ao lado de ninguém menos que Diego Armando Maradona. Careca diz que o fantasma da goleada sofrida para a Alemanha é passado e pontua alguma das seleções que despontam como favoritas.

“A Argentina mesmo com resultados negativos nos amistosos promete, pois este será o último mundial do Messi e, se ele resolver jogar, realmente os argentinos podem crescer bastante no torneio. A França também vive um bom momento e, infelizmente perdemos uma grande seleção, que é a Itália que, pela sua tradição não poderia estar fora de competições assim. Mas, por todo o retrospecto e organização, a Alemanha leva uma certa vantagem”, ressaltou o jogador, que passou seis temporadas no futebol italiano.

Quem também coloca a seleção brasileira pronta para a disputa da Copa do Mundo é Müller, ídolo do São Paulo e Palmeiras nas décadas de 1980 e 1990. O ex-atacante, no entanto, descarta o favoritismo criado em torno dela. “A seleção brasileira, claro, não é a franca favorita. Há outras equipes que vivem bom momento que é o caso da Alemanha, a atual campeã. O Brasil pode conquistar o favoritismo durante o torneio, dependendo do que apresentar em campo. Este mundial estará sem seleções tradicionais como a Itália e Holanda, o que pode facilitar a nossa campanha para chegar a uma final”, coloca o ex-jogador.

Müller, que jogou 59 vezes com a camisa canarinho e marcou doze gols, disputou três Copas do Mundo (México-86, Itália-90 e Estados Unidos, em 1994, conquistando o tetracampeonato), ressalta que não se deve esperar por surpresas nesta edição do mundial. “A Copa do Mundo não deve sair do tradicional. Temos aí a Alemanha, Inglaterra, França, Espanha, com um timaço, que vão bater de frente com a seleção que o Tite está montando”, frisou o ex-jogador, que também encarou o desafio de ser técnico de futebol entre 2011 e 2015.

Amaral, que fez história com as camisas do Palmeiras e Corinthians, acredita que três jogadores decidirão a Copa do Mundo

Conhecido pela irreverência, mas principalmente pela carreira vitoriosa em dois arquirrivais (Corinthians e Palmeiras), onde sagrou-se campeão paulista e brasileiro, Amaral serviu à seleção brasileira em doze oportunidades entre 1995 e 1996. Neste ano, inclusive, chegou a conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta 96. Para ele, esta  Copa deve apresentar um equilíbrio em nível técnico, o que não se via em outras edições. “O que vale é o momento e estar preparado. A Copa é um torneio rápido e, aquela seleção que está bem tecnicamente, sai na frente das adversárias. Mas tem que ter cautela: é só ver o caso da Bélgica que, há quatro anos a colocaram como favorita e não conseguiu ter o desempenho esperado. A Alemanha, que não era uma das apostas ao título, foi a campeã. Acredito que teremos muitas surpresas”, afirma.

Os três ídolos do futebol brasileiro, no entanto, são categóricos ao afirmar que três nomes serão fator de desequilíbrio e grande expectativa de suas torcidas: Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo. “Esses três jogadores farão a diferença e todo o mundo voltará às atenções para o que eles apresentarem em campo. Será um espetáculo à parte”, completa Amaral.

Sobre Flavio Fogueral