Pardini: “Nosso governo conseguiu manter Botucatu em um ritmo intenso de desenvolvimento”

Prefeito realça que o desafio foi manter o crescimento em meio à crise econômica do país

por Flávio Fogueral*

Mario Eduardo Pardini Affonseca tem uma missão política e administrativa sob muita responsabilidade. Eleito em 2016 com mais de 45 mil votos, o prefeito tem, em suas decisões, o futuro de mais de 142 mil botucatuenses, segundo dados do censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pardini é formado em administração de empresas pela Faculdade Paulista de Administração e Ciências Contábeis, além de engenharia civil, pelo Centro Universitário Padre Anchieta. Possui, ainda, mestrado em Irrigação e Drenagem, pela Unesp de Botucatu.

Com perfil de gestor, adquirido em sua carreira como funcionário e posteriormente superintendente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o prefeito adota o estilo prático de administração. No gabinete, por exemplo, um extenso quadro branco foi instalado. Ali estão metas e planos para obras públicas, serviços de manutenção e investimentos. Entre seus principais objetivos, o prefeito elenca a construção de duas mil moradias populares, ampliação do número de vagas em creche e Ensino Fundamental, além do aprimoramento dos serviços em saúde pública. Mas tudo isso tem um custo.

Uma de suas principais ações à frente do executivo municipal foi o enxugamento da chamada “máquina pública”. Determinou, em seus primeiros meses de mandato, a redução de 130 para 60 os cargos comissionados na Prefeitura, além da revisão de contratos de prestação de serviços públicos e de aluguéis. Esta ação gerou economia de R$ 2,4 milhões aos cofres municipais.

“Temos que trabalhar voltados para a geração de empregos. Coincidência ou não dados do Ministério do Trabalho, que Botucatu foi a sexta cidade que mais gerou novos postos de trabalho.”

Este dinheiro em caixa foi fundamental para o início da implantação do sistema de escolas em tempo integral, ampliação dos exames de diagnósticos, além de obras de infraestrutura, principalmente em bairros periféricos. Um reflexo imediato foi na destinação de verbas para a saúde, setor nevrálgico em qualquer administração municipal.

Para o prefeito, Botucatu possui várias frentes de desenvolvimento. Algumas estão mais latentes como as áreas de comércio, serviços e indústria de alta tecnologia. O Poder Público, salienta, tem que ser aliado nesse processo de atração de novas empresas e fomento de empregos. “ Já vi empresas mudarem de cidade porque não tinha fornecimento de água, pela ineficácia no fornecimento de energia elétrica. Ainda mais: empresários deixando uma determinada região porque a cidade era insegura”, ressalta Pardini.

Em entrevista ao Notícias Botucatu, o prefeito de Botucatu avalia seu primeiro ano de mandato, além dos desafios para o desenvolvimento do município. “Mesmo em meio à maior crise econômica que o país viveu, nosso governo conseguiu manter Botucatu em um ritmo intenso de desenvolvimento”, salienta Pardini.

Notícias Botucatu- Prefeito, uma de suas metas ao assumir o governo de Botucatu foi otimizar a chamada ‘máquina pública’, como forma de garantir a eficácia dos serviços prestados à população e também resultar em economia aos cofres municipais. Passado um ano de seu mandato, o que efetivamente mudou nesta área?
Mário Pardini- Conseguimos implementar aquilo que falávamos em relação à eficiência da máquina pública, especialmente na redução de custos. Reduziu-se o número de funcionários comissionados, além do enxugamento das secretarias. Para se ter uma ideia, foram seis secretarias extintas e, com isso, economizamos R$ 2 milhões por ano. Esse dinheiro em caixa foi muito importante para enfrentar a crise econômica. Além disso, reduzimos o número de casas e prédios que a Prefeitura alugava, com valor estimado em R$ 800 mil por ano. Alguns contratos foram revistos. Não havia nada de errado, mas era necessário saber no que era investido o dinheiro do contribuinte. Essa medida foi crucial para economizar valores na ordem de R$ 10 milhões. Isso proporcionou aplicar na construção de duas escolas em tempo integral, com recursos próprios. E também no aumento do custeio da Saúde. Em 2016, a cidade investiu 22,7% do seu Orçamento (o que já é algo extraordinário) em ações nessa área. No ano passado o investimento foi em torno de 27%, ou seja, alguns milhões de reais em investimentos, com a redução de gastos. Para se ter uma ideia, isso propiciou o realinhamento de convênios com a Unesp, proporcionando colocar mais médicos nos Prontos Socorros Adulto e Pediátrico, principalmente nos horários de pico. Outro reflexo foi a ampliação do horário de atendimento da Unidade Básica de Saúde da Cecap (Conjunto Habitacional Frei Fidélis) para fazer a assistência dos pacientes com menor gravidade. Mais do que isso, esses valores que economizados pudemos investir em um Centro da Mama municipal. Antigamente esse centro fazia atendimentos de toda a região. Ou seja, nossas mulheres ficavam muito tempo na fila. Hoje ele é mantido unicamente pela Prefeitura, atendendo, mensalmente, cerca de 700 mulheres botucatuenses que necessitam de exames de mamografia. Também foi possível oferecer mais de 200 ultrassons ginecológicos e obstétricos. São quase mil exames por mês com recursos aplicados oriundos da economia obtida nestas mudanças. Depois de um ano, temos uma ‘máquina’ mais enxuta; e com esses resultados, investindo na Saúde e Educação, onde ampliamos em 700 as vagas de creches na cidade. O que, em um ano, são muitas vagas, possibilitadas pelas parcerias e ampliação da estrutura existente. Vamos, ainda, contratar mais 40 profissionais para a fazer frente a essa nova demanda que chega à rede municipal de ensino.

NB- Botucatu, assim como muitas cidades brasileiras, sofreu com o impacto da crise econômica, principalmente nos investimentos públicos decorrentes da queda da arrecadação e desemprego. Hoje, a cidade vive uma recuperação ‘tímida’ dessa turbulência. Quais as políticas, em âmbito municipal, que são adotadas para alavancar o desenvolvimento do município?
MP- Temos que trabalhar voltados para a geração de empregos. Coincidência ou não dados do Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados), um instrumento oficial do Ministério do Trabalho, que Botucatu foi a sexta cidade que mais gerou novos postos de trabalho. Novos empreendimentos, ampliação de empresas menores ou familiares, ampliação dos serviços. A Prefeitura contratou muitos servidores públicos pois assumiu muitos trabalhos que eram feitos por terceiros. Não sou eu que estou dizendo, mas sim dados do próprio governo federal, que fomos um dos municípios que mais proporcionou oportunidades no Estado de São Paulo. O interessante disso tudo é que a política da abertura de microempreendedores individuais (MEIs) estabelece que o Poder Público também adquira produtos e serviços desta categoria. Isso foi algo que fizemos. Estimulamos o desenvolvimento com incentivos aos empreendedores. Outra coisa que surtirá efeito no futuro, foi a revisão de finalidade do Parque Tecnológico. Antes, somente empresas com caráter tecnológico poderiam se instalar no local. Ficamos quase três anos patinando com a boa utilização do Parque. Mudamos o regimento e abrimos a possibilidade de outras empresas adentrar no espaço. Com isso, assinamos quatro contratos de formalização de investimentos no local, que é um distrito industrial, enquanto não é entregue a primeira etapa das obras do Distrito 4. Todas essas estratégias e ações atraem investimentos de grandes empresas e possibilitam a geração de emprego.

NB- O Distrito Industrial 4 é uma realidade. Assim como as demais áreas destinadas para empresas e indústrias. Diante disso, como o município se planeja para a atração de novos investimentos neste segmento?
MP- Primeiro, garantir a infraestrutura básica. Já vi empresas mudar de cidade porque não tinha abastecimento eficaz de água, e pela ineficácia no fornecimento de energia elétrica. Ainda mais: empresários deixando uma determinada região porque a cidade era insegura. Botucatu hoje busca manter-se como uma das mais seguras do país, também trabalhamos em tornar a represa do Rio Pardo uma realidade, garantindo assim a ampliação no fornecimento de água para o município. O setor industrial e a agricultura também são contemplados. Isso gera emprego e desenvolvimento. Acompanhamos a crise hídrica de 2014, onde produtores rurais tiveram as bombas lacradas. A Duratex, por exemplo, parou a caldeira por três dias porque não tinha água para usar no resfriamento. Resultado: R$ 3 milhões de prejuízo à empresa por dia parado. A própria direção da empresa pensou em mudar de cidade, à época. Além do Parque Tecnológico, o início do Distrito 4, temos a preocupação na qualificação da mão de obra, com cursos feitos pela Universidade do Trabalhador e Empreendedor (UNITE).

NB- A represa do Rio Pardo, dita por você como um ‘sonho’, começa a ser definida com as doações de áreas e licenciamento ambiental. Quantos milhões de reais serão investidos na construção e qual a previsão de capacidade de armazenamento da barragem?
MP- A represa do Rio Pardo, que é um sonho, começa a ver uma “luz” no fim do túnel. Nunca disse que faria em meu mandato, mas quero deixar o projeto pronto, licenciado e regularizado imobiliariamente, além da outorga. E, dentro desses quesitos para construir a represa, já temos a autorização dos órgãos estaduais para poder inundar essa área. Temos o compromisso da Cetesb e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de entregar o licenciamento ainda em abril. Temos o projeto executivo e a Sabesp deve apreciar a autorização para investimento na desapropriação das áreas que serão afetadas pela obra. Quanto à capacidade de represamento, para fazer uma comparação, com a crise hídrica de 2014, o Rio Pardo, aproveitando ao máximo sua capacidade, produziu em média 370 litros por segundo. Não era o suficiente para atender à demanda da população. Por isso tivemos que fazer as obras para aproveitar o Pinheirinho e o Lavapés. Com isso, o volume que é de 400 litros/segundo, vai para 1000 litros por segundo. Isso significa poder dobrar a população de Botucatu. Nenhuma indústria se instala na cidade se não tiver autonomia quanto ao abastecimento de água.

Pardini: “Já vi empresas mudar de cidade porque não tinha abastecimento eficaz de água, e pela ineficácia no fornecimento de energia elétrica”

NB- Outro setor que é imprescindível para a economia botucatuense é o de comércio e serviços. Tanto que Botucatu hoje tem diversos corredores comerciais além das ruas tradicionais da região central. Diante desse cenário, como o Poder Executivo se adequa quanto a incentivos, tanto estruturais quanto fiscais/tributários?
MP- A Prefeitura tem estudado um pacote de incentivos para a atração de empresas. Junto com Parque Tecnológico, Distrito Industrial 4, ampliação da oferta de água e energia elétrica, além de segurança pública, estamos trabalhando em medidas para que as empresas se instalem em nosso município. Quanto ao comércio botucatuense, ele é um dos mais fortes do interior paulista. Sem nossas empresas, a cidade perde divisas e empregos. Por isso que, dentro desse pacote de incentivos, discute-se as áreas de comércio e serviços.

NB- Para o comércio e serviços, quais seriam tais incentivos?
MP- Um dos planos é a segunda etapa da revitalização da Rua Amando de Barros, que foi muito cobrada mas impossível de se levar adiante no primeiro ano de mandato. Esta nova etapa está organizada para que comece no segundo semestre deste ano. Depende, apenas, de alguns trâmites como emendas que possibilitem verbas para as obras. Para se ter uma ideia, continuaria da Praça Emílio Peduti (Bosque) e se estenderá até o Supermercado Central. Neste projeto serão contemplados detalhes arquitetônicos diferenciados, com a utilização de parklets (áreas dentro do espaço urbano para descanso, sem a necessidade de grande intervenção estrutural), como ocorre em alguns pontos de São Paulo. Além da praticidade, essas estruturas serão atrações turísticas. Outro ponto que será amplamente transformado é a Praça Coronel Moura (Paratodos), onde inclusive, já publicamos os editais para as obras de revitalização. Será algo amplo que extrapola o Paratodos. Vamos integrar o Paratodos com a praça que ficou em frente ao Teatro da Catedral. O trânsito não será afetado, pois pensamos em uma estrutura elevada para o trânsito de pedestres e o fluxo de veículos que venham da Rua Amando de Barros e de outras vias. Arquitetonicamente parecerá que é uma coisa só, mas será algo novo e que valorizará o comércio daquela região, como um todo. Os grandes corredores como a Rua Major Matheus, Avenida Dom Lúcio, Avenida Floriano Peixoto, Vital Brasil, Conde de Serra Negra, Avenida Dante Delmanto, estão recebendo projetos para revitalização daquelas áreas, inclusive com licitação pronta para a troca de todas as luminárias. Será substituído o modelo atual por lâmpadas de LED, igual o que instalamos na Rodovia Gastão Dal Farra (recém-revitalizada). Este será o padrão de iluminação para estas ruas.

NB- Mas nesse contexto de revitalizações, principalmente a segunda etapa na Amando de Barros, acarretará na redução de vagas de estacionamento e, consequentemente da área coberta pelo estacionamento rotativo pago. Hoje, são 1000 vagas espalhadas em diversas ruas, sendo que a empresa concessionária tem o direito de criar mais 800. Diante dessa situação, como é o planejamento para adequar as vagas disponíveis para estacionamento?
MP- O objetivo é suprimir o menor número de vagas. Mas não temos escopo para ampliar da área que é abrangida pela cobrança do parquímetro. Mesmo com essa supressão das vagas, não tenho a intenção de ampliar as vagas para outras ruas, neste momento.

NB- Outra área que gera empregos e divisas é o turismo. Botucatu tem solidificado sua identidade no turismo de aventura e se mobilizado, até politicamente, para desenvolver este setor…
MP- … inclusive está aberta a licitação para a revitalização da Cascata da Marta, que era algo que vinha se arrastando há anos. Em outro ponto temos a luta de Botucatu para se tornar Município de Interesse Turístico (MIT), que dará uma receita anual de R$ 600 mil para investimento neste setor. Sabemos que o turismo em nosso país é uma das maiores fontes de receita e geração de emprego. Temos que explorar, com responsabilidade, os pontos que Botucatu oferece como as cachoeiras, lugares agradáveis para se visitar. Quanto à revitalização da Cascata da Marta, construiremos um centro receptivo, além da recuperação da estrutura de acesso às quedas d’água. Fora isso, há um trabalho intenso- e os empresários têm ajudado quanto a isso na divulgação da cidade.

NB- Uma cidade que superou os 163 anos, possui uma concepção viária antiga em algumas regiões, com ruas estreitas; passando por grandes avenidas em novos bairros. Nestes primeiros meses de mandato, você salientava que uma das metas era a concepção do anel viário que interligue as diferentes regiões da zona urbana. Esse passo foi dado com as obras do viaduto que ligará o Jardim Paraíso ao Jardim Cristina.
MP- A primeira etapa desse anel viário é a interligação da região Norte à região Leste. O viaduto. ele é um equipamento desse projeto, pois vai ligar o Jardim Paraíso ao Arlindo Durant. Terminando os 140 metros de extensão do viaduto, terá uma rotatória. Temos um projeto de interligar o Arlindo Durant à rodovia Alcides Soares (que dá acesso ao Distrito de Vitoriana e Rio Bonito Campo e Náutica, além da SP-191) no trecho onde demos início às obras das casas populares do Cachoerinha 1 e 2. Ou seja, nessa fase, será construído viaduto e a concepção de avenidas largas até o Jardim Ciranda.

NP- Mas estas regiões, que certamente crescerão também em número de moradores, receberão estruturas de suporte como escolas, unidades de saúde e áreas de lazer?
MP- Para se ter uma ideia, as casas que estão em construção no Cachoeirinha 1 e 2 contêm três andares. E não é somente erguer esses prédios. Estou discutindo com a empresa responsável pela obra para que seja feita uma escola em tempo integral; estamos revitalizando o complexo esportivo da Vila Maria, que não será somente campo de futebol, mas atenderá a diversas modalidades esportivas. Tem mais moradias para sair naquela região do Jardim Brasil e Ciranda. Isso era algo que ouvia da população, que as casas populares somente saiam para Rubião Júnior ou na extensão da Rodovia Gastão Dal Farra. Fiz questão de localizar essas moradias em outras regiões. Estamos articulando, ainda, a construção de mais dois conjuntos, que seriam o Cachoeirinha 3 e 4, onde passaríamos de 500 para 1000 unidades da Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida. Claro que isso ainda depende do projeto ser aprovado pela Caixa Econômica Federal.

NB- Inclusive uma de suas metas era a construção de 2 mil casas populares. Com esses números, dá para se ter noção do real déficit habitacional em Botucatu?
MP- Sabe o quanto fizemos em um ano? Mais de 1500 moradias, graças a Deus. Falava em duas mil em quatro anos. Essas casas são para moradores de Botucatu. Temos um cadastro em torno de 6 mil famílias que pagam aluguel. Tiram dinheiro do alimento para poder pagar o aluguel e muitas vezes a moradia é o que mais pesa no orçamento desses botucatuenses.

NB- Um ano de mandato, qual a sua visão de Botucatu, com toda sua beleza e complexidade, hoje para você, como prefeito?
MP- Tinha um grande compromisso com o município, que era manter o ritmo de desenvolvimento. Vínhamos de oito anos de um governo (do ex-prefeito João Cury Neto) de sucesso. A população confiou na gente e esperava que continuássemos com as políticas de crescimento econômico e social. Nosso governo, modéstia à parte, tem conseguido cumprir com esse compromisso seja na educação, saúde, habitação, geração de empregos, estrutura viária, na segurança pública com a ampliação de agentes da Guarda Municipal nas ruas. Mesmo em meio à maior crise econômica que o país viveu, nosso governo conseguiu manter Botucatu em um ritmo intenso de desenvolvimento.

NB- O que Botucatu representa para Mário Pardini?
MP- Tudo. Nasci em Santos por causa de meu pai, que era caminhoneiro, mas minha família é botucatuense. Vim com nove anos para Botucatu. Essa cidade simboliza tudo que construí em minha vida. Representa o futuro de esperança e de uma sociedade mais justa.

*Entrevista publicada originalmente na edição 27 (abril de 2018) da Revista Destaque Botucatu