João Cury: “Para ser secretário da Educação não preciso estar filiado”

Cury lamentou a decisão e criticou a falta de diálogo existente na legenda

por Flávio Fogueral

A expulsão de João Cury Neto do PSDB, na segunda-feira (23), causou intensa repercussão entre a base de apoio ao ex-prefeito de Botucatu, que assume o cargo de secretário de Estado da Educação amanhã, dia 25. A desfiliação ocorreu após a nomeação por parte do governador Márcio França (PSB), fato que irritou a cúpula tucana paulista.

Por meio de comunicado oficial emitido ainda na noite da expulsão, Cury lamentou a decisão e criticou a falta de diálogo existente na legenda. Salientou que o fato de estar filiado ao PSDB não era empecilho para assumir um cargo no governo estadual. “É uma pena. Se tivesse havido diálogo nada disso teria ocorrido. Até porque, em nenhum momento o governador Márcio França condicionou minha permanência no governo à desfiliação do PSDB”, declarou Cury.

A expulsão foi dada pelo presidente estadual da legenda, Pedro Tobias. Segundo o parlamentar, havia entendimento para que Cury disputasse uma vaga na Câmara dos Deputados, fato que foi declinado.  “No entendimento do partido, ao tomar a decisão de não representar o PSDB para defender o governo de um adversário no pleito de outubro, Cury feriu os incisos III e V do artigo 15 do estatuto partidário, configurando “irrefutável transgressão ética”, postou em sua página oficial no Facebook.

Já em entrevista a uma rádio de Botucatu, Tobias ressaltou que o desagravo foi quanto ao jogo eleitoral no Estado. O PSDB apresenta o ex-prefeito João Dória como pré-candidato a governador, concorrendo assim, contra Márcio França. “O João (Cury) optou por trabalhar com o Márcio. Não pode, temos candidato a governador. O nosso candidato é o João Dória. O João tinha um futuro brilhante dentro do partido, mas preferiu oito meses certo com o cargo do que pensar no futuro político dele”, disse o presidente estadual do PSDB.

A posição de Tobias, no entanto, foi rechaçada pelo ex-prefeito de Botucatu, que não indica possíveis preferências de filiação. Um dos caminhos traçados é o próprio PSB, de Márcio França; ou até mesmo o PPS, legenda onde seu irmão, o deputado estadual Fernando Cury é filiado. “Para ser secretário da Educação não preciso estar filiado. Portanto, seguirei no cargo sem filiação partidária procurando fazer o melhor pela educação do Estado de São Paulo. Não tenho dúvida de que a educação está acima de tudo isso”, salientou.

A posse de João Cury à frente da Secretaria de Estado da Educação está marcada para às 15 horas desta quinta-feira, 25, no Palácio dos Bandeirantes.

Presidente da Câmara critica a desfiliação

Um dos nomes mais representativos do PSDB de Botucatu, o vereador e presidente da Câmara Municipal, Izaias Colino, usou de seu espaço na tribuna da casa, na sessão de segunda-feira, 23, para manifestar posição quanto a desfiliação. “Lamento o ocorrido. Com muita tristeza recebi a notícia de que nosso ex-prefeito João Cury não pertence ao quadro de filiados, por conta de uma decisão exclusiva do diretório estadual. Sou membro da executiva  municipal, e nem fomos sequer consultados dessa decisão. É uma perda imensurável ao PSDB de Botucatu”, disse, lendo na sequência a nota oficial emitida por Cury.

Contatado pela reportagem, o prefeito de Botucatu, Mário Pardini, preferiu não comentar o fato e o presidente do Diretório Municipal do PSDB, André Rogério Barbosa (Curumim), salientou novamente que a legenda se reuniria na noite desta terça-feira (24), para debater o assunto.

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