Pesquisa da Unesp e Botucatu analisa método de fertilização em éguas

A EPPC é caracterizada por uma inflamação persistente no endométrio

da Assessoria da FMVZ

Um trabalho de pesquisa desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu, foi premiado durante a convenção anual da Associação Americana de Veterinários de Equinos”, realizada em San Antonio/Estados Unidos, no final de 2017.

Numa reportagem sobre o evento, publicada na edição de janeiro de 2018 da revista “The Horse”, respeitada publicação voltada para a saúde equina, a pesquisa desenvolvida pelo doutorando Lorenzo Segabinazzi, durante o seu mestrado, realizado com bolsa Fapesp, sob a orientação do professor Marco Antonio Alvarenga, foi considerada entre as cinco publicações mais relevantes publicadas na área de reprodução equina durante o ano de 2017. A avaliação foi feita pela professora Regina Turner, chefe da área ade Reprodução e Comportamento da University of Pennsylvania’s New Bolton Center.

O estudo conduzido por Segabinazzi investigou os efeitos da administração intrauterina de PRP (plasma rico em plaquetas) em éguas com endometrite persistente pós-cobertura (EPPC). A EPPC é caracterizada por uma inflamação persistente no endométrio, após o contato do sêmen com o útero, que não é resolvida naturalmente, provocando um ambiente desfavorável para a prenhez. A pesquisa avaliou os efeitos do PRP sobre as taxas de concepção em éguas com essa enfermidade. “É normal haver uma resposta inflamatória quando o sêmen entra no útero da égua. Isso ajuda na limpeza uterina normal”, disse Turner, na reportagem da The Horse. “Essa resposta inflamatória deve se resolver dentro de 12 horas após a cobertura/inseminação artifical. Se a inflamação persistir, essa égua é considerada um animal com menores chances de prenhez”.

Conhecendo os efeitos anti-inflamatórios do PRP, os pesquisadores levantaram a hipótese de que sua administração no útero pode diminuir a inflamação e aumentar as taxas de prenhez em éguas com EPPC. Eles avaliaram a resposta inflamatória uterina após inseminação artificial em 13 éguas com história conhecida de EPPC. Cada animal foi inseminado uma vez em cada um dos três ciclos estrais. Para o ciclo-controle, os pesquisadores não administraram nenhum tratamento. No segundo ciclo, os pesquisadores infundiram PRP no útero das éguas 24 horas antes da inseminação e, no terceiro ciclo, infundiram o PRP foi infundido quatro horas após a inseminação.

“Houve uma diminuição significativa nos marcadores de inflamação em ambos os ciclos tratados em comparação com o ciclos-controle”, observou Turner. “Da mesma forma, na histologia (avaliação microscópica de células) e biópsia houve uma diminuição significativa na evidência de endometrite em éguas tratadas com PRP.”

Para determinar se a diminuição da endometrite se traduz em melhor fertilidade, a equipe acompanhou as éguas até os 14 dias pós-ovulação para determinar as taxas de prenhez em cada ciclo. Eles descobriram que as éguas com EPPC quando não tratadas (ciclo-controle) tinham uma taxa de prenhez de cerca de 30% e as éguas tratadas (quando ambos os grupos de tratamento foram combinados) tiveram taxas de prenhez acima de 60%. “A pesquisa mostrou um aumento na taxa de prenhez e uma diminuição na inflamação em éguas suscetíveis a EPPC quando tratados com PRP em comparação com quando essas mesmas éguas não foram tratadas”, disse Turner.

Como o método de produção de PRP usado pelos pesquisadores é muito simples, eles sugerem que os veterinários considerem a adição de infusões intrauterinas de PRP à sua lista de possíveis tratamentos direcionados a éguas com EPPC.

“A realização desse trabalho ajudou muito no meu crescimento profissional, agregando conhecimento, habilidades e experiência, principalmente relacionadas e prática da pesquisa, o que é de extrema importância para quem almeja seguir profissionalmente na área acadêmica. Além disso, esse reconhecimento nos motiva a seguir em frente, nos permitindo ter mais ideias para projetos futuros”, comentou Lorenzo Segabinazzi. “Essa distinção feita pela AAEP (Associação Americana de Veterinários de Equinos) demonstra, mais uma vez, a excelência dos trabalhos desenvolvidos pela área de reprodução animal da FMVZ”, complementa o professor Marco Alvarenga.

Confira o trabalho aqui.