Caminhoneiros protestam pelas rodovias de Botucatu contra altas do óleo diesel

A partir de amanhã (23), a gasolina e o óleo diesel terão redução de 2,08% e 1,54%, respectivamente

por Flávio Fogueral

Caminhoneiros de Botucatu e  região aderiram na manhã desta terça-feira, 22, à paralisação nacional da categoria. A mobilização reuniu mais de 60 caminhões, segundo o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam) e foi motivada pelas constantes altas nos preços do diesel e derivados do petróleo. Estima-se que o combustível registrou 8% de aumento nas bombas neste ano, como prática da política de preços da Petrobras.

Carreata percorreu trecho da Marechal Rondon até o pedágio entre Botucatu e São Manuel

Os manifestantes reuniram-se por volta das 7 horas e ocuparam parte da pista da Rodovia João Hypólito Martins, a Castelinho, no trecho próximo à rotatória da divisa com a Avenida José Pedretti Neto. Foram promovidos piquetes e um buzinaço pela região. Partiram, em seguida, em direção à Rodovia Marechal Rondon (SP-300), até o pedágio na divisa com São Manuel. Após um período estacionados no acostamento, retornaram a Botucatu.

O trânsito não foi prejudicado. Mesmo assim, motoristas que não aderiram à paralisação e de veículos de passeio enfrentaram pequena lentidão por causa da quantidade de caminhões parados. A Polícia Militar Rodoviária acompanhou toda a mobilização e não registrou nenhuma ocorrência. Também foram registrados atos em Itatinga, Barra Bonita, Tupã, Ourinhos e Bauru.

Na SP-255, que liga São Manuel a Igaraçu do Tietê, o tráfego ficou intenso pela rodovia ser pista simples. Fotos: Valter Tonon Neto

Segundo Fernando David, diretor do Sindicam em Botucatu, mais de 3500 caminhoneiros exercem a atividade na região que compreende também os municípios de Bauru, Jaú, Marília, Avaré, Conchas, entre outros. “Este é um ato da Associação Brasileira dos Caminhoneiros e o objetivo é mostrar à população que estes aumentos não são mais suportados pela categoria. Para se ter uma ideia, com a nova política da Petrobras (onde os reajustes podem ser diários conforme o mercado internacional), está difícil para tanto para quem é autônomo quanto para as empresas em fazer o cálculo de gasto. Hoje gastamos quase 70% do valor do frete somente abastecendo o veículo”, ressalta.

O sindicalista alerta que as constantes altas de preços podem ser imediatamente repassados ao consumidor. O modal rodoviário é predominante na logística, por onde circula 56% das cargas e a maior parte dos passageiros no país, de acordo com o Ministério dos Transportes. “Caso tenhamos que repassar estes prejuízos no frete, sobe tudo. Desde o gás de cozinha ao feijão, serão impactados com o preço dos combustíveis”, frisou. “Ou o caminhoneiro repassa esse prejuízo ou vai à falência. Manter um caminhão é extremamente caro”, ressalta David.

No período da tarde boa parte dos caminhoneiros ficaram estacionados na região do Parque Marajoara. Com o anúncio na redução do preço da gasolina e diesel (leia abaixo), o movimento se dispersou logo em seguida. 

Petrobras anuncia redução na gasolina e diesel

A partir de amanhã (23), a gasolina e o óleo diesel terão redução de 2,08% e o do diesel, 1,54%, respectivamente, conforme anunciado pela Petrobras. A queda no preço da gasolina ocorre depois de 11 aumentos consecutivos nos últimos 17 dias e de o preço do produto ter fechado os primeiros 21 dias do mês de maio com alta acumulada de 16,07%. Com a queda de 2,08% que entra em vigor amanhã, o preço da gasolina nas refinarias cairá para R$ 2,0433. No caso do diesel, com a queda de 1,54%, após sete aumentos consecutivos, o produto passará a custar a partir de amanhã nas refinarias R$ 2,3351. O diesel acumula desde o dia 1º de maio alta de 12,3%.

Greve de 1999 paralisou rodovias com adesão de 700 mil caminhoneiros

Sempre que uma nova mobilização de caminhoneiros ocorre no país, vem à lembrança de muitos a greve geral de 1999, considerada a maior paralisação da categoria. Os motivos eram quase os mesmos desta terça-feira: aumentos constantes no preço do óleo diesel e as condições das rodovias e os pedágios.

Por mais de uma semana, profissionais do setor pararam, liberando apenas para a circulação de alimentos e combustíveis após o então presidente Fernando Henrique Cardoso anunciar o livre tráfego, com o uso das Forças Armadas. Em Botucatu, a Rodovia João Hypólito Martins concentrou dezenas de caminhões que aderiram à manifestação.

As reivindicações da categoria foram atendidas em partes: o diesel, que subira 37% naquele ano teve o índice zerado e congelado. As tarifas de pedágio- outra queixa dos caminhoneiros- também foram congeladas por dois meses.