OPINIÃO | Caos, colapso, quase uma convulsão social

O inimaginável aconteceu: em pleno ano de 2018 o Brasil sofreu uma crise de desabastecimento

por Giovanni Mockus

Nos meus breves 23 anos de vida, não me recordo de um momento em nossa história em que o clima no Brasil estivesse tão instável, nem mesmo nas jornadas de 2013 ou no processo de impeachment. Certamente, aqueles que viveram as barbáries da ditadura militar e os impasses da redemocratização do país têm mais memórias nesse sentido.

De toda forma, em nossa história recente, não houve nenhum outro momento em que a expressão e ação dos deputados e senadores fosse de total perplexidade diante da incerteza ou em que a autoridade investida no Presidente da República, em sua definição mais estreita a própria definição de Estado, estivesse tão anulada pelos seus próprios atos e pelos atos que tomaram o Brasil a partir da paralisação dos caminhoneiros. 

Giovanni Mockus é graduando em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de Brasília, dirigente nacional da REDE, Líder RAPS e um entusiasta por uma nova forma de se fazer política. Atualmente, Assessor Legislativo na Câmara dos Deputados.

O inimaginável aconteceu: em pleno ano de 2018 o Brasil sofreu uma crise de desabastecimento. Faltaram combustíveis, alimentos e insumos básicos. Se em 2013 tudo começou com os R$ 0,20, dessa vez o gatilho foi mais um aumento no preço do óleo diesel. Mas, assim como naquele ano, dessa vez também não se resumiu apenas às reivindicações iniciais.

O cenário foi de caos, colapso, quase uma convulsão social. Esse é o perigo! Apesar dos milhares de anos de evolução desde que nossa espécie descobriu o fogo, continuamos carregando em nós mesmos aquele velho instinto animal de sobrevivência. E foi justamente esse o instinto despertado após alguns dias de paralisação.

Pelo país inteiro, as pessoas correram para os supermercados, farmácias e postos de combustível para se preparar para o fim do mundo. E não é exagero dizer isso quando vemos as imagens que viralizam nas redes sociais. Brasileiros agredindo brasileiros por poucos litros de combustível, pelas últimas unidades da bolacha preferida nas prateleiras dos supermercados. E é nessa hora, quando esse instinto animal de sobrevivência ressurge, que a razão se perde a convulsão social pode acontecer.

O ápice da loucura está justamente nas pessoas que diante disso tudo clamam por uma intervenção militar, palavras do próprio comandante do Exército Brasileiro. De acordo com ele, não houve risco e nem chance de uma intervenção vinda dos oficiais em comando. A grande preocupação, no entanto, fora o efetivo, os milhares de soldados que estavam desobstruindo as rodovias, rodeados de malucos que pediam por intervenção.

Precisamos ter muita cautela e principalmente responsabilidade quando nos posicionarmos em público sobre tudo isso. Em público e para nós mesmos. A loucura sempre parte de algum lugar…

Alguém já pensou no perigo de tudo isso? O país perdeu o comando e o Presidente não tem mais autoridade legitimada diante do Estado Brasileiro. Enfim… apenas divagações de alguém que está reflexivo diante dessa instabilidade toda.

As eleições, única via democrática a vista para resolver essa questão, está a 128 dias de acontecer. Até lá, que tal deixarmos nosso instinto animal adormecido e nos dedicarmos justamente a discutir que tipo de país nós queremos? Questões como diversificar os modais de transporte, com infraestrutura de qualidade e com matriz energética alternativa, por exemplo?

Se tivéssemos feito isso nas eleições de 2014, certamente não teríamos vivido essa crise de desabastecimento e, principalmente, tamanha  instabilidade nacional.

* Giovanni Mockus é graduando em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de Brasília, dirigente nacional da REDE, Líder RAPS e um entusiasta por uma nova forma de se fazer política. Atualmente, Assessor Legislativo na Câmara dos Deputados. facebook.com/giovannimockus

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