OPINIÃO | A arte de amar

O filme polonês ‘A arte de amar’ tem esse grande mérito, pois joga luzes sobre a vida e a obra de Michalina Wislocka

por Oscar D’Ambrosio*

Conhecer trajetórias daqueles que enfrentaram preconceitos e conseguiram ajudar milhares de pessoas é um privilégio. As artes têm um papel essencial nessa possibilidade de divulgação. O filme polonês ‘A arte de amar’ tem esse grande mérito, pois joga luzes sobre a vida e a obra de Michalina Wislocka.

Ginecologista, ela enfrenta a censura de uma Polônia socialista para publicar um livro que trata, abertamente, mas com fundamentação médica, de um dos temas mais tabus da humanidade: o sexo. O contexto é um país, que, na década de 1970, não discutia temas como preservativos ou orgasmo de maneira clara a e acessível.

Isso levava a abortos clandestinos, a mulheres infelizes e a relações conjugais baseadas no desconhecimento e na mentira. Tanto o partido comunista como a igreja não conseguiam lidar com a questão, e a própria autora teve que vencer suas barreiras íntimas pois, como ela mesma declara, “um cego não pode falar de cores”.

A diretora Maria Sadowska trabalha duas situações: o amadurecimento de Michalina como mulher e como médica; e a luta da escritora perante o Estado e as tradições. A tarefa é realizada com louvor, já que a vida da biografada é repleta de reviravoltas na luta pela felicidade de mulheres e homens e pela construção de uma sociedade melhor.

Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Contato: [email protected]fcmsantacasasp.edu.br