OPINIÃO | Lixo, um legado pós – eventos na Cuesta

Quando este problema será uma prioridade na agenda pública municipal?

por Patrícia Shimabuku

Infelizmente, ainda encontramos todo e qualquer tipo de “lixo” (resíduos sólidos urbanos) nas estradas rurais de acesso à região da Cuesta. Problema já tratado nesta coluna inúmeras vezes e em demais veículos de comunicação de nossa cidade. Problema que está longe de uma solução assertiva, pois depende de vontade política, orçamento público, leis específicas, fiscalização – punição e educação socioambiental. 

Porém, não podemos permitir, omitir e/ou tratar com diferença eventos esportivos e/ou turísticos, independente do porte, deixar lixo (faixas e copos plásticos) como uma espécie de “legado/rastro” em nossas áreas verdes, mais especificamente nas áreas do nosso maior patrimônio natural local, a Cuesta.

Sabemos e reconhecemos a visibilidade e as receitas que inúmeros setores econômicos ganham com esses eventos. Situação que colaborou com o desenvolvimento do ecoturismo, do turismo rural e subsidiou a Lei Municipal Complementar 1233/2018 que “Institui o Plano Diretor de Turismo do Município de Botucatu e dá outras providências”. No entanto, isso não justifica ou ameniza a não vistoria pós-evento. As regras e o bom-senso são para todo e qualquer cidadão.

Qual a dificuldade da vistoria pós evento, para recolhimento dos resíduos produzidos? Para verificação de fechamento de porteiras? Avaliação de pontes e cercas? E dependendo da atividade do evento, a necessidade e ajuste de compensação ambiental?

A sinalização do trajeto é uma das primeiras preocupações dos organizadores (envolve a direção e delimitação do trajeto, bem como a segurança). Contrata-se profissionais para execução e por que não para vistoria/limpeza do trajeto pós-evento? Será que isso está no check-list de permissão do evento em nosso município? A gestão pública municipal (Secretaria Adjunta de Turismo e do Verde), COMUTUR (Conselho Municipal de Turismo) e o COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa e Meio Ambiente) estão atentos à essa preocupação? Sugiro que o Programa Cuesta Limpa se estenda aos eventos esportivos e turísticos para conscientização dos organizadores, participantes e turistas.

Recolher os resíduos (“esconder problemas debaixo do tapete”) e arrumar as estradas não podem ser ações pontuais. Precisamos dar mais responsabilidade e profissionalismo em nossas atividades esportivas e turísticas, se queremos ser uma referência no segmento turístico regional, estadual, nacional e internacional. A questão do lixo (resíduos) além da feiura, compromete a vida dos ecossistemas, polui a natureza além das questões sanitárias.  

E por fim, como estão as tratativas municipais para resolver o descarte inadequado de resíduos sólidos urbanos nas estradas rurais e em áreas verdes? Como estão os instrumentos legais que subsidiarão a fiscalização e punição? E os ecopontos?

Quando este problema será uma prioridade na agenda pública municipal?

 *Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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