OPINIÃO | Será mesmo, a questão ambiental uma barreira para a Economia?

As relações econômicas e os planos de governo não podem considerar os finitos e escassos recursos da natureza

por Patrícia Shimabuku*

Vamos imaginar as situações:

Situação 1

Amanhã, ao acordar, você depara com a torneira seca no seu banheiro. Caminha até a cozinha abre a geladeira e verifica que ela se encontra desligada (interrupção no fornecimento de energia elétrica).

Como ajustar a higiene pessoal, alimentação, arrumação da cozinha e abertura do portão eletrônico? Conexão wiffi e recarga da bateria do celular? Como explicar e orientar as crianças?

Situação 2

Várias semanas sem chuva e calor intenso começam a refletir na oferta e no preço dos alimentos nas prateleiras dos supermercados.

Como manter o mínimo de qualidade na alimentação?

Situação 3

Continuando a situação 2, o período de estiagem persiste comprometendo o abastecimento público de água para as indústrias, comércio e bens de serviços, consequentemente, redução na escala de trabalho e produção.

Como garantir a produção, venda e prestação de serviços? Como garantir o emprego?

Situação 4

Convergindo todas situações, com persistência do clima seco, vários pontos da cidade registram incêndios e queimadas. A horizonte e paisagem tornam-se cinza e a fumaça incomoda as vias respiratórias e irrita os olhos. Amigos e familiares apresentam complicações respiratórias. Prontos atendimentos públicos e particulares com a sala de espera lotada.

As situações descritas acima, poderiam ser roteiros e cenários de séries apocalípticas, mas infelizmente, são roteiros reais. Já vivenciamos, vivemos e estamos bem próximos de reviver essas situações de maneira permanente.

Os dias de hoje demandam e exigem uma postura diferente. A natureza revela sinais clínicos e sintomas de que sua saúde está abalada. E qual a nossa postura e ações diante do estresse ambiental, das mudanças climáticas e inconstância do abastecimento hídrico? Qual é sua postura diante as questões socioambientais: (1) omissão, (2) permissão ou (3) de luta?

Que indivíduo em sã consciência e com informação considera a questão ambiental como a barreira para o desenvolvimento econômico? Dizer que as políticas ambientais atrapalham as relações econômicas é assumir explicitamente a postura de predador suicida.  

As relações econômicas e os planos de governo não podem considerar os finitos e escassos recursos da natureza como fator para o processo produtivo e o meio ambiente como depósito dos seus rejeitos e resíduos. Todos os segmentos da sociedade (por questão de decência e sobrevivência) devem olhar para o meio ambiente como fator imprescindível para a qualidade de vida, convivência pacífica e existência de vida no Planeta Terra.

A poluição, mudanças climáticas e o estresse hídrico faz surgir a necessidade de reciclar o pensar econômico, exige a internalização das externalidades ambientais (maléficas e benéficas). Os gestores que consideram os elementos da natureza somente como bem de mercado está decretando falência dos setores econômicos além de comprometer a sua própria qualidade de vida.

A política ambiental não está equivocada. Burocracia e os discursos dos ambientalistas não travam os investimentos e o crescimento econômico, mas sim, tentam incluir os pilares da sustentabilidade e dar sustentabilidades aos segmentos econômicos!

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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