Embraer não garante preservação dos empregos após fusão com a Boeing

Somente em São José dos Campos, foram cerca de 300 funcionários demitidos nos últimos meses

da Rede Brasil Atual

Em reunião realizada nesta sexta-feira (13) na sede da Embraer, na capital paulista, com representantes dos trabalhadores das fábricas de São José dos Campos, Botucatu e Araraquara, a direção da empresa não garantiu que os postos de trabalho estarão mantidos após a conclusão da fusão com a norte-americana Boeing. Essa postura contrasta com o discurso adotado publicamente pela empresa, e também pelo governo Temer, apontando que os empregos no Brasil seriam preservados.

“Não deu detalhes do que pretende fazer, se vai ter PDV (programa de demissão voluntária) ou demissão em massa. Mas o que ele falou foi: ‘não posso garantir isso”, relata o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Hebert Carlos, sobre o que teria dito o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva.

“O presidente disse que a junção com a Boeing pode trazer novos negócios para a Embraer, mas não garantiu. Ele também disse que não há nenhuma garantia que a empresa possa trazer um novo modelo para ser montado no Brasil”, detalha Hebert.

Segundo ele, se um novo modelo não for desenvolvido pela nova empresa formada pela joint-venture entre a Embraer e a Boeing para ser montado no Brasil num prazo de cinco a dez anos, os empregos serão inevitavelmente extintos. “Se a gente não for fabricar um novo modelo, a Embraer vai acabar se transformando numa fábrica de peças, com um quinto dos funcionários que tem hoje. Essa é a principal preocupação.”

Hebert diz que ele e os demais representantes das outras cidades que contam com fábricas da Embraer vão agora levar o que foi dito na reunião aos trabalhadores, e não descartam a realização de greve para evitar futuras demissões. Segundo ele, somente em São José dos Campos, foram cerca de 300 funcionários demitidos nos últimos meses.