OPINIÃO | Crise hídrica – lições e desafios

Segundo o IBGE entre 2013 e 2017 praticamente a metade dos 5.570 municípios teve escassez de chuva

por Patrícia Shimabuku*

Como resolver essa equação: a população global não para de aumentar e a quantidade de água potável disponível permanece a mesma (com distribuição territorial não homogênea)?

Por mais que o regime de chuvas (precipitação pluviométrica) sofra ação humana (como por exemplo, desmatamento) os períodos de seca são cíclicos e fazem parte da dinâmica da natureza, entretanto, a crise hídrica e a falta d’ água são consequências direta da forma como os recursos hídricos são gerenciados. O problema torna-se agudo quando a carência de chuvas ocorre ao mesmo tempo que há crescimento da demanda com a degradação ambiental das áreas de mananciais.

A falta d’ água provoca o desabastecimento e racionamento em inúmeras cidades, prejudica as rotinas diárias, agricultura, atividades industriais, serviços e produção de energia limpa. O racionamento, na maioria dos casos, não é declarado/assumido pelos responsáveis públicos nos períodos que antecedem a escassez concretizada. Muitos mananciais e reservatórios apresentam o nível atual considerado pelos órgãos reguladores como “estado de atenção” e se aproximando do “estado de alerta”. Os responsáveis não informam claramente o racionamento apesar da falta d’ água está diariamente nos meios de comunicação:

Segundo o IBGE entre 2013 e 2017 praticamente a metade dos 5.570 municípios teve escassez de chuva. A maior parte se concentra no Nordeste (situação crônica, semiárido), mas há municípios no limite da demanda versus oferta em todas as regiões, e apenas 14,7% tinham em 2017 um plano específico de contingência e/ou prevenção à seca. 

Que atitude iremos assumir diante dos fatos apresentados?

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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