OPINIÃO | Regulação da bebida

Há uma ilusão de que, quando se fala de álcool, com orientações e explicações, as pessoas deixariam de beber

por Guilherme Messas*

O que existe de mais eficiente para a política do álcool é a regulação. Isso significa estabelecer alguns limites do que pode e não ser feito, onde e a que horas. Trata-se de organizar o uso do álcool, que é uma droga lícita e de uso normal em nossa cultura. Não se trata de colocar a droga fora da lei, mas de fazer as regras do jogo.

Há uma ilusão de que, quando se fala de álcool, com orientações e explicações, as pessoas deixariam de beber. Isso não funciona. Não adianta chegar para um jovem e dizer que ele não pode beber e que só vai ter esse gosto aos 20 anos, por exemplo. Essa referência de data ou de idade está longe dele naquele momento.

Regular é pactuar, conversar com as pessoas, famílias, comunidades e organizações. Trata-se de estabelecer as regras do jogo. Assim é possível convencer as pessoas de que a regra é necessária e isso, evidentemente, faz tudo funcionar de uma maneira democrática, respeitando o que for decidido. Esse é o jeito mais eficaz e civilizatório de controlar o uso do álcool.

Guilherme Messas, psiquiatra especialista em Álcool e Drogas, é Professor e Coordenador do Programa de Duplo Diagnóstico em Álcool e Outras Drogas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Coordenador da Câmara Temática Interdisciplinar sobre Drogas do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Contato: [email protected]