CRÍTICA | 25 anos do filme ‘Philadelphia’

O que mais preocupa, um quarto de século depois, é o amplo uso de palavras como ‘tolerância’ ou ‘aceitação’

por Oscar D’Ambrosio

O filme ‘Philadelphia’ completa 25 anos em 2018. Vale a pena lembrar a data por ser um dos primeiros filmes comerciais de Hollywood a tratar temas na época ainda tabus como HIV/AIDS, homossexualidade e homofobia. Dirigido por Jonathan Demme e estrelado por Tom Hanks e Denzel Washington, marcou uma geração.

A história tem como eixo um advogado homossexual que trabalha para uma prestigiosa firma em Filadélfia. Quando fica impossível para ele esconder dos preconceituosos colegas de trabalho o fato de que tem AIDS, é demitido. Ele contrata então um colega de profissão homofóbico para levar seu caso até o tribunal. Se esse profissional com pé atrás em relação ao homossexualismo fosse convencido de que a causa era justa, o primeiro passo para vitória nos tribunais estava dado.

Permeado pela música “Streets of Philadelphia”, de Bruce Springsteen, vencedora do Oscar de Melhor Canção Original, o filme enfoca questões de assustadora atualidade, que são as resistências que envolvem justamente as escolhas sexuais de cada um. O amor entre pessoas do mesmo sexo e o desrespeito social por essas uniões permanece.

O que mais preocupa, um quarto de século depois, é o amplo uso de palavras como ‘tolerância’ ou ‘aceitação’, como se a preferência sexual e a vivência de gênero necessitassem de uma permissão da sociedade branca, heterossexual e católica. Não se trata de tolerar ou de aceitar, mas simplesmente de conviver com igualdade de deveres e direitos. Parece óbvio, mas ainda é difícil.

Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura, é Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Sobre Flavio Fogueral