Márcio França busca consolidar nome e crê em queda de Doria e Skaf

A missão de França é sair dos atuais 8%, onde aparece tecnicamente empatado com o petista Luiz Marinho

Por Flávio Fogueral

Governador há pouco menos de seis meses, Márcio França (PSB) tenta consolidar o nome junto ao eleitorado, na tentativa de encostar nos principais concorrentes e líderes das pesquisas de intenção de voto entre os paulistas: do ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) e do presidente licenciado da Fiesp, Paulo Skaf (MDB).

Portanto, o novo chefe do Executivo paulista esteve em Botucatu na sexta-feira, 7, onde participou de evento na Associação Atlética Botucatuense (AAB) com correligionários, prefeitos, vereadores e apoiadores diversos. Durante a visita França, acompanhado do atual secretário do Estado da Educação, João Cury Neto, além de lideranças, reforçou que seu nome começa a ficar evidente como opção aos eleitores e prevê crescimento nas últimas semanas de campanha. Também ressaltou que os principais adversários sintetizam o modelo tradicional de política.

O ex-prefeito e atual secretário do Estado da Educação, João Cury, articulou a visita do governador Márcio França

Criticou a tentativa de privatização da Sabesp e, ressaltou que o impacto das tarifas dos pedágios das rodovias paulistas tende a ser diluído com as novas negociações de concessões.

Confira trechos da entrevista concedida pelo governador e candidato à reeleição. Assista também à íntegra da cobertura da visita, transmitida pelo Notícias Botucatu na fanpage oficial do site:

Tentando chegar ao segundo turno

A missão de França é sair dos atuais 8%, onde aparece tecnicamente empatado com o petista Luiz Marinho para postular uma vaga ao segundo turno. Estes são os números apresentados na última pesquisa do Datafolha ao governo estadual divulgada na quinta-feira, 6 de setembro. O nome de França teve crescimento já que na última mensuração aparecia com 4% das intenções. O atual governador possui, ainda, 17% de rejeição, quando o eleitor não votaria no nome em hipótese alguma.

Para o atual governador, o cenário pode mudar a partir das inserções na propaganda eleitoral e na chamada “Rota 40”, onde tem recebido apoio de prefeitos e deputados estaduais. “Nesta eleição temos uma população que está insegura, procurando o caminho para sair do óbvio, seja no âmbito nacional quanto nos Estados. O que se via, há poucos dias, é que a televisão mostrava apenas dois candidatos. Com a campanha eleitoral, os paulistas começam a visualizar melhor as opções. Tenho dito que os dois outros candidatos falam coisas que nitidamente servem para agradar. Não têm o conhecimento mínimo para exercer uma função dessas. A função pública hoje, sem preparo, a tendência é dar errado. As pessoas pensam que é a mesma coisa que administrar uma empresa, e não é. Tem que conviver com o parlamento, um dinamismo diferente”, salientou.

Questionado sobre os candidatos adversários, voltou a criticar os dois líderes das pesquisas (Doria e Skaf), os quais considera como mantenedores de um sistema ultrapassado de gestão pública e política. Mantém-se otimista quanto a uma possível ida ao segundo turno. “Vamos afunilar lá na frente e um dos dois candidatos perderá força. Não sei qual desses lados cairá.  Hoje temos quatro candidatos principais em São Paulo: um do PT que, em São Paulo quem não gosta do partido não vota em hipótese alguma. E dois que representam o mesmo modelo que questiono se seria bom para São Paulo”, declarou França.

Segurança pública, alistamento civil e combate ao PCC  

Um dos principais temas abordados foi quanto à segurança pública no Estado. Sindicatos vinculados à Polícia Civil aponta que hoje a corporação necessita de 13.900 agentes. esmo a Polícia Militar enfrenta redução de contingente. Em 2013, eram 89.400 PMs, número que não passa dos 77 mil no ano passado. Ou seja, há um policial disponível para 488 paulistas. O governador, no entanto, reforçou que o contingente é suficiente. “A polícia de SP tem 83 mil policiais militares e mais de 30 mil policiais civis. É um contingente maior que a Marinha e a Força Aérea brasileira. Mas o que acontece hoje é que o Estado não está isolado do resto do país. Pela primeira vez todos os índices de violência caíram no Estado. Mas não adianta falar sobre isso porque a sensação é de insegurança. primeiro, as cidades precisam de apoio financeiro para implantar monitoramento e ações de segurança. E o Estado tem essa capacidade”, ressaltou o governador.

Segundo França, uma de suas principais propostas é instituir, também, o Programa de Alistamento Civil. A iniciativa consiste em fazer com que os rapazes dispensados do serviço militar obrigatório voltem a estudar e façam curso técnico, além de receber uma bolsa de R$ 500,00. Os jovens serão orientados a realizar serviços gerais nas ruas com foco na cidadania junto à comunidade.

O combate ao crime organizado, em específico ao Primeiro Comando da Capital (PCC), cuja atuação parte de dentro dos presídios paulistas, Márcio França é enfático ao defender o atual sistema de combate à facção, com a separação dos chefes em setores específicos. “Temos mais de 230 mil presos, mais do que uma cidade de médio porte. Todos os elementos importantes do PCC estão presos, isolados. Mas é evidente que a fonte de renda é o tráfico e isso será combatido mais enfaticamente pelas polícias. Tem que se trabalhar com inteligência, tecnologia e prevenção. Mas de nada adianta combater o tráfico se as fronteiras, que também é responsabilidade da União, ficam sem fiscalização intensiva”, complementou o governador.

Privatização da Sabesp e concessão de rodovias

Durante a análise aos planos de governo dos adversários, Márcio França voltou a salientar que são necessários estudos para projetos de concessão pública. Um desses casos é de uma eventual venda da Companhia Paulista de Saneamento Básico (Sabesp). O atual governador descarta veementemente a ampliação da oferta pública dos papéis da empresa, cujo sócio majoritário é o governo estadual. “A Sabesp tem como grande patrimônio a concessão da Grande São Paulo e das grandes cidades paulistas. Se você privatiza, ela perde essas concessões, não tem valor algum”, salientou.

Outro ponto frisado foi quanto a concessão das rodovias paulistas. Com mais de 22 mil quilômetros de extensão, a malha paulista passou por constantes processos de transferência de gestão à iniciativa privada. Fato este que gera frequentes reclamações dos usuários. Em 2016, sob a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), a qual Márcio França era vice, foi anunciada nova etapa deste processo, abrangendo mais de 22 mil quilômetros, entre as quais rodovias na região de Botucatu.

“Hoje o regime de concessão rodoviária em São Paulo passa por mudanças. Licitamos duas rodovias onde, em ambos os casos, a tarifa de pedágio foi reduzida entre 25 a 30%. Mas temos que entender a lógica dessa cobrança de valores. Quando se faz a concessão inicial e há alto grau de investimento, tem que se obter o retorno.  Todas as concessões paulistas serão renovadas nos próximos quatro anos e o preço do pedágio será reduzido. Não por milagre, mas porque os investimentos já foram feitos. A única exigência que faremos é que as empresas vencedoras do processo adotem pedaços das rodovias vicinais, que estão sob gestão dos municípios. Temos milhares de quilômetros dessa rede de interligação com problemas e, por diversas vezes os prefeitos enfrentam dificuldades para realizar a conservação destas vias”, explicou.

Segundo o chefe do Executivo paulista, as tarifas tendem a ser reduzidas já que os contratos de concessão passarão por análises e processo de renovação. França lembrou que a questão logística tem impacto direto nos custos de produção e escoamento da economia paulista. Frisou, ainda, os acordos para que o preço do frete fosse reduzido, lembrando a greve dos caminhoneiros, que durou quinze dias em maio deste ano. “Prometemos aos caminhoneiros que seria permitida a passagem livre do eixo levantado, que antes era cobrado. Todos nós paulistas pagamos mais de R$ 60 milhões por estes eixos levantados, mas temos que compreender o lado dos caminhoneiros”, reforçou o governador.