OPINIÃO | Pesquisa ainda revela o desconhecimento da população sobre os benefícios das Unidades de Conservação

Se não sabemos a importância ecológica econômica das UCs como iremos protegê-la?

por Patrícia Shimabuku*

Com o objetivo de entender o nível de conhecimento da população brasileira sobre Unidades de Conservação, foram realizadas 2002 entrevistas com homens e mulheres de 16 anos ou mais, de diferentes classes sociais, numa amostra representativa nacional. A pesquisa “Unidades de Conservação” foi realizada pelo Ibope a pedido da organização não-governamental WWF.

Segundo as informações disponibilizadas no portal do Ministério do Meio Ambiente as Unidades de Conservação (UC) são espaços territoriais, incluindo seus recursos ambientais, com características naturais relevantes, que têm a função de assegurar a representatividade de amostras significativas e ecologicamente viáveis das diferentes populações, habitats e ecossistemas do território nacional e das águas jurisdicionais, preservando o patrimônio biológico existente. As UC asseguram às populações tradicionais o uso sustentável dos recursos naturais de forma racional e ainda propiciam às comunidades do entorno o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis. Estas áreas estão sujeitas a normas e regras especiais. São legalmente criadas pelos governos federal, estaduais e municipais, após a realização de estudos técnicos dos espaços propostos e, quando necessário, consulta à população.

Segundo a pesquisa, nove entre dez brasileiros acreditam que a natureza não está sendo protegida de forma adequada. Em 2014, a porcentagem era de 82% para esta pergunta. A percepção sobe para 91% dos entrevistados em 2018. A pesquisa, porém, nota que aumenta significativamente o percentual de entrevistados que atribuem aos cidadãos a responsabilidade por cuidar das unidades de conservação (parques, reservas, florestas nacionais). Em 2018, o número de brasileiros que pensam também ser atribuição dos cidadãos cuidar dessas áreas cresce 20 pontos percentuais em comparação com 2014, saltando de 46% para 66%. Mas o governo segue como o principal responsável por essa tarefa, com 72% de citações. As ONGs aparecem em 3º lugar, com 23% dos brasileiros afirmando acreditar que as organizações civis devem atuar para defender a causa ambiental.

No entanto, um ponto desperta a preocupação!

A pesquisa revelou a queda sobre conhecimento dos entrevistados sobre os benefícios que as UCs podem trazer em comparação ao ano de 2014 (ver figura).

O desconhecimento sobre os benefícios revela a nossa fragilidade no entendimento da importância e dependência no quesito meio ambiente. Se não sabemos a importância ecológica econômica das UCs como iremos protegê-la? Como iremos defende-la? Só resguardamos aquilo que nos é significativo! Antes que seja tarde, precisamos urgentemente desenvolver e implementar permanentemente políticas públicas de proteção e uso sustentável para essas áreas, buscar incentivos e parcerias financeiras, sem falar, na questão de educação socioambiental. Os conhecimentos sobre UCs estão previstos dentro das diretrizes curriculares do MEC. E como será que esses saberes estão sendo aplicados em sala de aula?

Nosso município possui três Unidades de Conservação, sendo assim, faço o seguinte questionamento: “Será que os Botucatuenses conhecem os benefícios de suas unidades de conservação? E a Gestão Pública Botucatuense?

Para consultar a pesquisa, consulte o link: https://www.imcgrupo.com/impress/gt/upload/baa46b2f7a47e9a7c9f6fd9def556dec.pdf

Para saber mais sobre as UCs, acesse o link: http://www.mma.gov.br/areas-protegidas/unidades-de-conservacao

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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