Câmara Municipal debaterá demissões provocadas por fusão Embraer/Boeing

Em Botucatu, mais de 1.800 colaboradores seriam afetados diretamente

por Flávio Fogueral

A iminente fusão entre Embraer e a norte-americana Boeing tem chamado cada vez mais atenção das esferas sindicais e governamentais. Prestes a ser concretizado caso o governo federal (que detêm a chamada “golden share”, com poder de veto), o acordo prevê a troca de tecnologia e operações entre as empresas.

Acordo entre as fabricantes foi assinado em julho, onde se comprometem a formar uma joint venture (nova empresa) na área de aviação comercial da companhia brasileira. A nova empresa é avaliada pelo mercado em US$ 4,75 bilhões.

A medida pode afetar os 19 mil funcionários da companhia brasileira. Em Botucatu, mais de 1.800 colaboradores seriam afetados de forma direta com a criação da nova empresa.

Na ocasião do acordo, o CEO da Embraer, Paulo César de Souza e Silva, afirmou que os funcionários da aviação comercial seriam transferidos para a nova empresa formada com a Boeing. O Ministério Público do Trabalho, no entanto, alertou que a negociação pode provocar até 26 mil demissões de forma direta e de empresas que prestam serviços indiretos e terceirizados.

É nesse contexto de incertezas que a Câmara Municipal de Botucatu promove, na próxima terça-feira (18), a partir das 19 horas, audiência pública para tratar do assunto. A autoria é do presidente da Casa, Izaias Colino (PSDB). São esperados representantes de sindicatos das categorias funcionais e também da empresa brasileira.

Para o autor da audiência, a ideia é trazer o debate para a esfera municipal e os impactos que possíveis demissões ou transferências de linhas de produção possam ter na economia botucatuense. “Essa audiência sobre o acordo mostra a preocupação institucional. Para a Câmara Municipal, não importa se haverá ou não a venda. Temos 1500 funcionários diretos, fora os prestadores de serviços. Não sabemos quais rumos o acordo terá e nos compete debater alternativas pois esse cenário afeta diretamente a economia local”, salientou o presidente da Câmara.