CRÍTICA | O poder da argumentação

O filme impressiona pela atualidade, pois a sentença de cada um baseava-se muito mais em preconceitos

por Oscar D’Ambrosio

Saber argumentar pode ser mais importante do que ver aquilo que costumamos chamar de realidade. É o que prova o filme ‘12 Angry Men’ (‘Doze Homens e uma Sentença’), de 1957. Dirigido por Sidney Lumet e com Henry Fonda como destaque, a obra é uma adaptação para o cinema de texto para TV de Reginald Rose.

Filmado praticamente inteiro numa mesma sala, a obra mostra como 12 jurados decidem o destino de um jovem porto-riquenho acusado de ter matado o próprio pai. Todos eles conhecem a máxima “todo réu é considerado inocente até que se prove a sua culpa’, mas, inicialmente, onze votam pela condenação sem ter uma opinião fundamentada. Cabe ao jurado número 8 o sr. Davis, inserir a dúvida disso no grupo.

Num brilhante processo de argumentação, Davis começa a provar que as experiências pessoais e os preconceitos de cada um estavam levando a uma decisão injusta, sem base em fatos e provas. Assim, um a um, os jurados vão alterando a sua opinião, passando o veredito de culpado a inocente.

O filme impressiona pela atualidade, pois a sentença de cada um baseava-se muito mais em preconceitos contra o imigrante latino do que em informações provadas por testemunhas ou por qualquer tipo de lógica. Existe ainda uma excelente versão para TV de 1997 com Jack Lemmon como protagonista. Ambas são imperdíveis para advogados e para todo aquele que deseja comprovar como uma boa argumentação é capaz de tudo!

Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura, é Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Sobre Flavio Fogueral