CRÍTICA | Entre homens e máquinas

A história do robô que deseja se tornar humano e conquista esse direito na justiça

por Oscar D’Ambrosio

O filme ‘O homem bicentenário’, com o sempre carismático Robin Williams no papel central, é de uma atualidade até assustadora. No momento em que se discute tanto os limites entre homens e máquinas, principalmente no mercado de trabalho, a obra de Chris Columbus ganha uma nova dimensão.

A história do robô que deseja se tornar humano e conquista esse direito na justiça, adquirindo o direito de morrer como uma pessoa, apresenta um lirismo e ingenuidade que conquistam. Não só a máquina escolhe ser vencida pelo tempo, como faz isso movido por uma paixão por um ser humano, pois tem convicção que não suportará viver após a morte do ser amado.

A narrativa, que tem como eixo um conto de Isaac Asimov, é pontuada pela belíssima trilha sonora de James Horner e trabalha com trajetórias complementares. Enquanto o robô vai progressivamente se humanizando, a sociedade regida por homens mortais discute a sua convivência ao lado dos seres imortais que ela mesma criou.

O carinho e o afeto são valores que o robô considera essenciais e o fato de ser capaz de sentir amor o leva ao desafio maior de ser humano. Colocar sangue em seu corpo se torna a grande metáfora do filme. Será que estamos perdendo nosso coração pulsante para uma sociedade enrijecida pela competitividade pela tecnologia? O filme acredita que não. E você?

Oscar D’Ambrosio, Mestre em Artes Visuais e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, é Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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