Manifestação pelos direitos da mulher e contra Jair Bolsonaro reúne centenas em Botucatu

Nova manifestação em repúdio à candidatura de Bolsonaro  foi confirmada para o sábado, 6

Texto e fotos: Flávio Fogueral

A manifestação pela preservação dos direitos da mulher e da igualdade de gênero, étnica e à comunidade LGBT, realizada no sábado, 29, atraiu centenas de participantes em Botucatu. O ato também foi um repúdio à candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República, por suas declarações contra as minorias sociais.

Estimativa dos organizadores  é que mais de duzentas pessoas participaram do ato que teve concentração marcada para às 11 horas na Praça Emílio Pedutti (Bosque). Antes mesmo, apoiadores da causa levaram cartazes e fizeram um “protesto de cordel”. Além do protesto contra o candidato, conhecido por suas declarações polêmicas contra mulheres, homossexuais e afrodescendentes, os cartazes também pediam compreensão da sociedade pelo momento o qual o país atravessa.

O movimento foi definido como suprapartidário, onde diversas correntes ideológicas e políticas se fizeram presentes. “Percebemos a força da união das mulheres, nos identificamos e tornamos o movimento mais coeso. A quantidade de pessoas que vieram e que se solidarizaram foi imensa”, ressalta a psicóloga e uma das organizadoras da mobilização, Beatriz Stamato. “Sentimos a força das falas que mostram a resistência e a importância da ação, devido ao risco de se ter um candidato que desvaloriza e agride os direitos das mulheres, propaga o ódio na sociedade e propõe medidas em seu programa que representariam um retrocesso econômico ainda maior”, completa.

O protesto percorreu quadras da Rua Amando de Barros, em direção à Praça Rubião Júnior, em frente à Catedral Metropolitana. Em nova concentração, populares no uso da palavra pediram novamente a preservação de direitos e ampliação do respeito às minorias, além do desagravo ao candidato.

Jair Bolsonaro lidera a corrida presidencial, conforme pesquisa do Ibope divulgada na quinta-feira (26), com 27%; seguido de Fernando Haddad (PT), que tem 21% e Ciro Gomes (PDT), 11%. No segundo turno, porém, o polêmico candidato perde em cenários contra o petista e o pedetista.

O parlamentar, no entanto, sempre esteve envolto em polêmicas e declarações diretas contra minorias étnicas, homossexuais e, diretamente às mulheres. Em 2015, Bolsonaro afirmou que mulheres deveriam receber salário menor, porque engravidam. “Quando ela voltar [da licença-maternidade], vai ter mais um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano”, disse. Um ano antes, disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-SP) “porque ela não merece”. Declaração esta que rendeu três condenações na Justiça a Bolsonaro.

Confira um dos momentos do protesto

Vereadoras e figuras públicas presentes à manifestação

Em meio à centena de pessoas que participaram do ato pelos direitos da mulher e contra a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência, algumas personalidades políticas e públicas de Botucatu se fizeram presentes à manifestação. O ex-prefeito Antonio Mário Ielo (PDT), o ex-vice-prefeito Antônio Luiz Caldas Júnior, os ex-vereadores Luiz Carlos Rúbio e Mara Pires de Campos, além dos candidatos a deputados federal, Daniel de Carvalho (PSOL) e a estadual, Giovanni Mockus (REDE) foram alguns dos rostos encontrados em meio à multidão.

Da bancada feminina da Câmara Municipal, composta por três vereadoras, duas participaram da manifestação no sábado: Rose Ielo (PDT) e Alessandra Lucchesi de Oliveira (PSDB). A única ausência foi da vereadora Jamila Cury (PSDB).

Assista a um dos discursos durante a manifestação:

Novo ato marcado para o sábado, véspera do primeiro turno

Uma nova manifestação em repúdio à candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi confirmada para o próximo sábado, 6, com concentração na Praça Emílio Pedutti (Bosque). Dessa vez a concentração ocorrerá a partir das 16 horas. Além do ato político , também estão previstas apresentações culturais de artistas locais. Até a manhã de segunda-feira, 1º, o ato já tinha mais de 300 confirmações em sua página no Facebook.