Reeleito, Fernando Cury quer reativar regional da Secretaria da Saúde em Botucatu

Em âmbito federal, o deputado salientou que a disputa é a síntese da falta de discussões de propostas concretas

por Flávio Fogueral

Quando as votações foram encerradas em Botucatu, pontualmente às 17 horas de domingo (7), a expectativa no comitê do deputado estadual Fernando Cury (PPS), na Avenida Santana, era grande. Dezenas de apoiadores de campanha e o próprio parlamentar, acompanhavam com apreensão os resultados da apuração.

Quando a apuração atingiu a marca de 90% em todo o Estado, Cury, conseguiria a reeleição, superando o número de votos de 2014, quando angariou 85.925 votos. Neste pleito obteve 98.018.

O resultado Cury atribui a um trabalho direto com o eleitorado, além da solidificação de suas bases. “Foi uma eleição difícil, com uma campanha eleitoral curta. Mesmo assim, o resultado obtido surpreendeu. Foi um alto índice de abstenções e nulos. Mantemos uma votação expressiva e importante que mostra este crescimento, sendo o quinto deputado mais bem votado da bancada. Antes era trigésimo e agora sou o quinto. Sem contar que fui o deputado mais votado de meu partido. Quase cem mil votos não é brincadeira, mostra o reconhecimento da nossa população”, frisou o parlamentar.

Além de reforçar a campanha nas cidades da região, Cury também articulou presença em demais cidades consideradas estratégicas na votação. Após a celebração com correligionários, Cury atendeu a imprensa vestindo uma camisa de campanha eleitoral de 1990 a deputado estadual de seu pai, o ex-prefeito Jamil Cury. Na entrevista, o deputado reeleito reforçou algumas das principais ações que deve focar nos próximos quatro anos na Assembleia Legislativa do Estado, entre elas a reativação da Diretoria Regional de Saúde em Botucatu (atualmente é sediada em Bauru), além do fomento econômico com o aprofundamento em estímulos no turismo e na indústria moveleira.

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Regional de Saúde para Botucatu

Durante a campanha, uma das principais propostas apresentadas pelo agora deputado reeleito, era de obter a reativação da Diretoria Regional de Saúde que, em meados da década de 1990, fora transferida para Bauru. Segundo o deputado, os trâmites foram iniciados e reuniões com diversas lideranças e gestores da área ocorrerão nas próximas semanas.

“Já conseguimos formatar este trabalho e, em reuniões com o governador Márcio França (PSB), secretário estadual da saúde, Marco Antonio Zago, prefeito Mário Pardini (PSDB), secretário municipal André Spadaro. Há ainda colaboração direta com o diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu, Pasqual Barretti, para esta estruturação. Todos reunidos para que pudéssemos pensar neste trabalho. O governador se mostrou receptivo à ideia, tanto que deu a ordem para que a Secretaria Estadual de Saúde fizesse um estudo sobre tal proposta. Quinta-feira (4 de setembro), recebi uma ligação da área técnica da pasta dizendo que o desenho do “esqueleto” desse modelo para o retorno da DRS já estaria pronto. Faltam apenas algumas discussões e cumprir os trâmites legais para que essa demanda seja efetivada”, adiantou Cury.  

“O governador se mostrou receptivo à ideia, tanto que deu a ordem para que a Secretaria Estadual de Saúde fizesse um estudo”

Turismo, geração de emprego e polo moveleiro

A palavra de ordem neste momento é cuidar da geração de emprego e renda. O desemprego é grande e isso atinge também Botucatu e região. Durante a campanha vi dezenas de pessoas pedindo emprego, trabalho e oportunidades. Temos dois grandes projetos: o primeiro é cuidar do consórcio intermunicipal do Pólo Cuesta, que é a primeira associação de municípios que tem como meta fomentar e desenvolver o turismo. Essa atividade tem que ser fortalecida pois temos três estâncias turísticas (Avaré, Paranapanema e Barra Bonita), além de quatro cidades com selo de Município de Interesse Turístico (Botucatu, São Manuel, Bofete e Pardinho). Consegui também dar prosseguimento a um projeto que é a consolidação do polo moveleiro, onde teremos a oportunidade de consolidar as indústrias no ramo de móveis de madeira, com foco também nas micro e pequenas empresas. Isso envolverá desde os produtores rurais, grandes empresas e com o envolvimento das universidades”, projeta o deputado reeleito.

Apoio a Márcio França para o governo do Estado

O PPS, partido de Fernando Cury, foi a primeira sigla a declarar apoio a Márcio França (PSB) ainda na formalização das coligações para a eleição a governador. Apontado inicialmente como quarto colocado nas pesquisas, França obteve 21,48% dos votos válidos, disputando o segundo turno contra o tucano João Doria, que angariou 31,77% da preferência do eleitorado paulista.

O clã Cury, por sinal, tem ainda o irmão João Cury, ex-prefeito de Botucatu e que atualmente é secretário de Estado da Educação, também como apoiador e cabo eleitoral de Márcio França.

“A palavra de ordem é trabalhar muito para que possamos levá-lo (Márcio França) a se reeleger como governador do Estado. Já fiz esse trabalho no primeiro turno e continuarei neste momento importante. O diferencial é que agora passo a ter a liberdade para isso, já que minha campanha se encerrou. Acredito que o França tem feito um bom trabalho à frente do governo do Estado, mesmo nesse pequeno tempo em que está à frente do cargo. Creio que tenha boas propostas de trabalho, e isso se mostra ao chegar ao segundo turno. Antes estava desacreditado e era um dos últimos na pesquisa, com quatro por cento das intenções nas pesquisas”, reforça.

Região sem deputado federal e polarização política

Com as urnas apuradas em sua totalidade, por volta das 21 horas, os botucatuenses já tinham uma definição dos parlamentares que ocuparão cadeiras tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados. Uma das ausências a ser notada na próxima legislatura em âmbito federal é a de Milton Monti (PR) que, com 54.543 votos, será apenas suplente de sua legenda.

“Sem dúvida foi uma eleição difícil. Faço uma análise após a campanha acabar de que voltaremos à assembleia com musculatura maior. Fico triste porque alguns companheiros da política ficaram de fora, como é o caso do Milton Monti. Não por ser um parceiro do Fernando, mas da região. A população optou por isso e a respeitamos. As urnas precisam ser respeitadas. Outros deputados também ficaram de fora. Mas em âmbito nacional temos outros parceiros como o Arnaldo Jardim, presidente do PPS, onde sou vice-presidente. Temos que interagir mais com novos parceiros em Brasília. A população deu sim, uma mudança, para que pudéssemos ter novos governantes e deputados no espectro estadual e federal”, salientou.

“O Brasil precisa de uma conversa ampla, com a plena articulação política. Não foram debatidas grandes propostas e ideias”

Sobre o segundo turno presidencial, entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), o botucatuense tachou que a disputa é a síntese da falta de discussões de propostas concretas, sendo substituídas pela raiva e o extremismo. “Quanto à eleição presidencial, muito difícil por serem dois extremos. Isso propaga o ódio e a divisão dos extremos, do nós contra eles. O Brasil precisa de uma conversa ampla, com a plena articulação política. Não foram debatidas grandes propostas e ideias. Ficamos nas questões pessoais, com os lados escolhidos e bandeiras partidárias”, finalizou Cury.

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