OPINIÃO | Por que ignoramos os nossos córregos urbanos?

Os córregos, ao longo da história de nossa cidade e de tantas outras foram canalizados e soterrados

por Patrícia Shimabuku*

Quantos córregos percorrem a área urbana de Botucatu?

Quantos de nós possui um córrego como vizinho?

Para onde correm suas águas? Quem depende ou quem já dependeu delas para sobreviver?

Inúmeros córregos serpenteiam nossas ruas. Alguns nascem no quintal de nossas casas. Transitamos por cima deles e ignoramos dia após dia a sua existência!

Os córregos, ao longo da história de nossa cidade e de tantas outras foram canalizados e soterrados e, somente notamos a sua presença, nos períodos de chuvas intensas, através de inundações, enchentes e alagamentos.

Problemas decorrentes da drenagem urbana já abordamos aqui, por meio de textos como: “Por que ocorrem as enchentes e inundações na região da Rodoviária?”, “Crescimento das áreas impermeáveis e seus reflexos na rede de drenagem” e “Fatores complicadores para o gerenciamento ambiental municipal”.

Como se não bastassem os problemas de drenagem e destruição de suas APP, nós o poluímos. Perdemos os rios e, com eles, toda a complexa dinâmica de vida da qual suas águas são parte essencial. Perdemos também, sua história e suas belezas na urbanização de cada território. Conhecer a realidade escondida em cada córrego (o entendimento da dinâmica de cada microbacia hidrográfica) é aperfeiçoar de maneira responsável o desenho do tecido urbano e, consequentemente, evitar os problemas originados pela urbanização.

A melhor maneira para se começar o reconhecimento da importância dos nossos córregos urbanos é resgatar a memória do bairro e de suas águas (histórias da família ou de um morador antigo para saber quem nadava, quem pescava ou como eram os piqueniques em suas margens e, ou até mesmo quando iniciaram os problemas como enchentes e lixo).

Resgatar as memórias sobre o território em que se vive permitirão um olhar crítico – amoroso para o meio ambiente urbano. E com esse novo olhar, reescrever as histórias de hoje que serão as memórias do amanhã, além de melhorar a qualidade de vida em nossas cidades. Pense, observe com carinho os nossos córregos urbanos! Valorize os “azuis urbanos”.

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

Para ler todos os artigos da colunista, acesse aqui.