OPINIÃO | Estradas Rurais – o que o turista precisa aprender

As estradas são os primeiros pontos alterados com a chegada do turismo rural

por Patrícia Shimabuku

Você já foi em algum restaurante rural? Aliás, já ouviu falar em turismo rural?

Esse nicho de mercado em expansão em Botucatu (e na região da Cuesta) é um prato cheio para quem adora passar um bocadinho de tempo desconectado da área urbana. Chega a ser uma terapia ao ar livre. Além das belezas cênicas do trajeto, esse tipo de turismo resgata as nossas origens agrárias (estilo de vida, agricultura, criação de animais, nossas histórias, etc.), tudo isso, bem pertinho da área urbana.

Experimentar uma rotina diferente, nem que seja por algumas horas, é o principal atrativo que as propriedades rurais proporcionam. Vivenciar o contato com animais, comidas preparadas no fogão à lenha, visitação nas hortas e pomares, contações de histórias, música caipira, cafés coloniais, além de contemplar um nascer ou pôr do sol, espaços para acampamento e serviços de cavalgada são as opções que o turista poderá escolher.

Segundo o Ministério do Turismo “além da possibilidade de geração de uma renda adicional para as comunidades locais, o Turismo Rural pode contribuir para a revitalização econômica e social das regiões, a valorização dos patrimônios e produtos locais, a conservação do meio ambiente, a atração de investimentos públicos e privados em infraestrutura para os locais onde se desenvolve.”

Para que a experiência seja agradável alguns pontos deverão ser considerados. Uma gestão e gerenciamento turístico rural (que visa a sustentabilidade econômica e ambiental do segmento) deverão ser construídos, envolvendo o Poder Público, Iniciativa Privada (rede de serviços), Moradores, Conselhos Municipais Turismo e Meio Ambiente, Bombeiros, SAMU, Polícia, Órgãos de controle ambiental (principalmente, para áreas de importância e fragilidade ecológica descrita em leis e documentos técnicos), Associações de moradores, Veículos de comunicação e Entidades do terceiro setor.

Um dos “portões” da Cuesta, a estrada Geraldo Biral sofre com despejo de lixo e materiais inservíveis

As estradas são os primeiros pontos alterados com a chegada do turismo rural (aumento no fluxo de veículos e pessoas). Campanhas e blitz educativos em restaurantes rurais, hotéis e empresas de receptivo turístico sobre como trafegar em estradas rurais poderão minimizar os impactos revelados.

A seguir, listamos algumas dicas como dirigir em estradas rurais:

  Respeitar o limite de velocidade – 20Km;

  Respeitar as placas trânsito de advertência: “tráfego de animais” e “trânsito de tratores e máquinas agrícolas”;

  Em trechos de descida, dar passagem para quem está subindo;

  Em curvas fechadas, túneis e pontes com visibilidade reduzida, atenção redobrada e se necessário, utilize a buzina;

  Faróis acesos são recomendáveis;

  O uso de cinto e dispositivos de segurança para crianças são obrigatórios;

  Dirigir sob efeitos de bebidas alcóolicas também é proibido;

  Minimizar barulhos (como música alta, buzinação, etc.) para evitar o afugentamento e atropelamento de animais;

  Trafegar cuidadosamente e devagar ao passar por residências, ciclistas, motociclistas, caminhantes, cavaleiros, hortas e pomares. Velocidade acima de 20Km (movimentação dos pneus) desloca poeira da estrada (pedras, terra). Situação que poderá provocar acidentes. As partículas em suspensão (poeira) alteram a rotina dos moradores, podendo causar problemas de saúde além de comprometer a agricultura.

  Trafegar cuidadosamente sob pontes de madeira e córregos;

  Não trafegar em regiões de plantio (hortas e pomares);

  Não estacionar de forma a comprometer a passagem/saída de veículos;

  Respeitar os limites das propriedades privadas, não entrar sem autorização;

 Atenção redobrada em trechos de atoleiro ou poças pós-período de chuvas;

 Evitar trechos de mata em dias de tempestade e ventania (queda de árvores e galhos);

  Não jogar lixo na estrada, principalmente, bitucas de cigarro (fogo em mata).

Quem busca a tranquilidade e as belezas que somente o meio rural pode proporcionar, tem que ter a ciência de que sua presença será bem-vinda desde que, exista o respeito pelo meio ambiente e pela comunidade local (moradores e o ecossistema). Não podemos replicar a nossa falta de “cidadania urbana” no ambiente rural.

Lembre-se, a legislação de trânsito (bem como a ambiental, penal e civil) também se enquadra nas desconformidades em áreas rurais. Essas considerações são direcionadas também, para o munícipe botucatuense.

Por fim, como está o seu modo de dirigir em áreas rurais?

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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