OPINIÃO | Entrevistando Deus

Há momentos de excesso de didatismo ou de tentativa de ‘vender’ a ideia da fé

por Oscar D’Ambrosio

Imagine que Deus faça contato com você e se ofereça para ser entrevistado – e permita qualquer tipo de pergunta! Esse é o ponto de partida de ‘Entrevista com Deus’, filme dirigido por Perry Lang. A ideia resulta numa obra que faz pensar. Há momentos de excesso de didatismo ou de tentativa de ‘vender’ a ideia da fé, mas o todo é superior a essas partes.

Talvez o sucesso da empreitada se deva a tudo começar pela crise existencial do entrevistador. Jornalista, em busca de um sentido para a vida, estudioso de religião e traído pela esposa, ele oscila entre a descrença e a crença em algo que não sabe bem o que é. O ponto é que, quanto mais racionaliza, menos se permite ter algum sentimento mais puro e autêntico.

O importante crivo da razão, porém, o torna um excelente investigador em busca de respostas para questões existenciais aparentemente simples, mas profundas, sendo a principal por que acontecimentos terríveis afetam pessoas de boa índole. Outra questão fundamental é aa proximidade da data da morte d cada um e o que existe depois dela. As respostas são inconclusivas, mas indagadoras.

O maior ensinamento está numa tríade de densos movimentos intelectuais: saber perguntar, ter a paciência de ouvir e ainda decodificar a mensagem com raciocínio lógico, mas sem perder a sensibilidade. Talvez, para conhecer Deus, caso ele exista mesmo, esse tripé seja fundamental. Afinal, como coloca o filme, os milagres podem estar no cotidiano, mas é necessário ter a humildade de vê-los.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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