OPINIÃO | Neste verão, não faça de sua casa um resort para o mosquito Aedes aegypti!

O protagonismo cidadão nas ações de prevenção e combate ao mosquito é crucial

por Patrícia Shimabuku

Quando a história se repete, preste atenção! Há uma lição que você precisa aprender que, talvez, tenha ignorado nos últimos verões: “o controle do mosquito Aedes aegypti é permanente e depende de você. Não faça de sua casa um resort para o mosquito”.

A chegada do verão traz calor, temporais, enchentes e inundações combinações perfeitas para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. De nome complicado e perninhas listradas, o mosquito é um velho conhecido de todos, que quando infectado é responsável por transmitir as doenças como a dengue, zika e chikungunya. Para evitá-las de forma efetiva basta eliminar os possíveis criadouros (locais ou recipientes que possam empoçar água). Sem criadouros não há mosquito.

Segundo as informações disponibilizadas no Portal da FioCruz os ovos do mosquito são bem pequenos e adquirem resistência ao ressecamento muito rápido. Aproximadamente 15h após a postura eles já são capazes de resistir a longos períodos de ressecamento, podendo ficar até 450 dias no seco. Esta resistência permite que sejam transportados a grandes distâncias, em recipientes secos, e que sobrevivam por um ano inteiro até o próximo verão, quando o clima chuvoso e quente poderá levar à sua eclosão e à formação das larvas e, depois, do mosquito.

O Poder Público (também) tem suas obrigações no controle do mosquito. Entretanto, toda e qualquer iniciativa/ação pública tem suas limitações. Para minimizá-las, será necessário um trabalho colaborativo com a população. Nenhum Poder Público pode enfrentar sozinho a eliminação dos focos do mosquito transmissor.

O protagonismo cidadão nas ações de prevenção e combate ao mosquito é crucial. Para haver eficácia na prevenção é preciso que todos cidadãos estejam juntos. De nada adianta um bairro inteiro ter cuidado se um (único) morador não toma as devidas precauções. Um foco de Aedes aegypti é suficiente para expor uma região inteira ao risco.

Segundo a reportagem publicada no Portal da Prefeitura Municipal de Botucatu no dia 24/10/2018, titulada como “Índice de Infestação do mosquito Aedes aegypti coloca Botucatu em sinal de alerta” a Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) realizou um Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) que apontou que 80% dos criadouros do mosquito transmissor, localizados no município, eram recipientes que não poderiam ser descartados por terem utilidade para os moradores ou pertenciam a estrutura do imóvel, como vasos e pratos de plantas, pequenos reservatórios de água (tambores e latas que armazenam água da chuva para uso posterior), bebedouro de animais, ralos, calhas e estruturas metálicas (cobertura).

A reportagem compartilhou algumas dicas de como proteger sua casa contra o Aedes aegypti:

  • Reservatórios de água: devem estar bem vedados de forma que não permita o acesso de mosquitos;
  • Pratos de plantas: são os maiores vilões, pois são os principais responsáveis, junto com outros recipientes, por manterem os ovos do Aedes aegypti no ambiente de um verão para o outro. Eles deverão ser furados ou virados de forma a impedir que acumulem água;
  • Latas, potes, frascos, brinquedos e utensílios em geral: deverão ser armazenados adequadamente de forma a impedir que fiquem expostos a chuva.
  • Bebedouros de animais (cães, gatos, bovinos, equinos, caprinos, aves em geral): deverão ser bem lavados com bucha no mínimo três vezes por semana;
  • Piscinas desmontáveis: outra vilã neste período de maior calor. As piscinas desmontáveis também deverão receber o tratamento adequado com cloro de acordo com sua capacidade de litros;
  • Garrafas retornáveis: deverão ser acondicionadas emborcadas ou em local coberto para não acumularem água das chuvas;
  • Ralos internos e externos: necessitam receber tratamento químico alternativo para que não se tornem criadouros de mosquitos. Deverão ser tratados com duas a três colheres de sopa de sabão em pó;
  • Calhas: uma calha suja ou danificada impede o escoamento adequado da água e acaba se tornando criadouro de mosquitos. Por isso é importante fazer a inspeção periódica destes recipientes.

Por fim, depois da chuva, visite seu quintal, para verificar se há algum recipiente que acumulou água e, se tiver, esvazie-o, lave-o com bucha e sabão. Não esquecer de tampá-lo. Se possível descarte-o adequadamente.

*Patricia Shimabuku é farmacêutica industrial, professora e ativista socioambiental.

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