Ednei Carreira: “o Legislativo precisa estar no mesmo trilho que o Executivo”

Em sua sexta legislatura, é o parlamentar com o mais longevo tempo de atividade

por Flávio Fogueral

O Legislativo botucatuense terá um nome conhecido como seu presidente para o biênio 2019/2020. Trata-se do vereador Ednei Lázaro da Costa Carreira (PSB), que ocupará o terceiro cargo político de maior relevância em Botucatu, substituindo Izaias Colino (PSDB). Carreira já era o atual vice-presidente da Casa.

O nome do vereador foi escolhido por sete votos, lembrando que as eleições para a mesa diretora da Câmara Municipal ocorre de forma indireta. Também irão compor a direção da Casa de Leis os vereadores Antonio Carlos Vaz de Almeida, o “Cula” (PSC) vice-presidente, Jamila Cury Dorini 1a secretária e Alessandra Lucchesi 2a secretária.

Botucatuense nato, Carreira é filho de Carlos da Costa Carreira e Barbara Cavalheiro Carreira; e casado com Lucélia Aparecida Carreira. Dessa união vieram os filhos Vagner, Rodrigo e Danilo. O futuro presidente da Câmara foi comerciário, atuando, na década de 1960, em diversos estabelecimentos comerciais. Foi, inclusive, um dos fundadores do Sindicato dos Empregados no Comércio (Sincomerciários).

Logo após, ingressou no serviço público, ao passar no concurso da Unesp, onde foi designado para a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, sendo auxiliar de suporte técnico. Exerceu cargos de representante dos servidores junto ao Conselho de Departamento e junto à Congregação da Faculdade.

Em sua sexta legislatura, é o parlamentar com o mais longevo tempo de atividade. Experiente na Casa de Leis, Carreira fora reeleito em 2016 com 1439 votos. A trajetória na vida pública teve início em 1988, quando foi eleito vereador pela primeira vez, sendo vice-presidente Constituinte e participante ativo da elaboração da Lei Orgânica de Botucatu. Nas eleições seguintes foi obtendo a reeleição, além de ocupar a presidência da Casa em três oportunidades (1997 – 1998 / 2004 / 2013 – 2014).

Agora, ao ocupar a presidência da Câmara Municipal até o final do mandato do prefeito Mário Pardini (PSDB), o vereador quer estreitar a relação entre Legislativo e Executivo, no momento em que o município vive momentos de retomada do desenvolvimento, além de situações que poderão impactar diretamente a economia botucatuense.

Frisou, em entrevista ao Notícias Botucatu, que o principal foco é trazer às pautas de discussão com os demais vereadores, propostas que garantam o fomento empresarial e, consequentemente, a geração de emprego. Define, ainda, sua atuação parlamentar, como a de um “vendedor”, onde precisar estar “com o sorriso no rosto e ter a empatia para entender as necessidades da população”.

Descarta, como prioridade, a construção de uma nova sede para a Câmara Municipal, assunto que há anos tem sido debatido pelas gestões anteriores. Admite que o atual prédio, na Rua João Passos, está saturado. Mas, o alto custo para a obra inibe qualquer intenção no sentido de um espaço maior. Ressalta que outras opções de reforma são avaliadas junto à Prefeitura.

Ednei Carreira: ” a estrutura da Câmara está defasada. Temos onze vereadores, além dos funcionários, que precisam de maior espaço”

Notícias Botucatu- Em diversas ocasiões e em entrevistas à imprensa, você sempre disse que a marca de sua gestão à frente da presidência da Câmara será de independência, porém, alinhada com o prefeito Mário Pardini. É possível manter duas posturas tão distintas no comando da Casa de Leis?

Ednei Lázaro da Costa Carreira- O governo, em si, apresenta três poderes independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Obviamente, minha postura é a de respeito, mas com oferecer a independência para que a Câmara de Vereadores possa atuar em suas proposituras. Mas, precisamos estar alinhados ao Executivo nos bons projetos. Isso não quer dizer que os maus projetos não sejam discutidos com o prefeito Mário Pardini e levar a opinião dos vereadores. Mas o Legislativo precisa estar no mesmo trilho que o Executivo. É aqui que todas as Leis que favorecem a vida dos botucatuenses passam pelo aval dos vereadores. Há vereadores que não aprovam projetos bons para a Cidade por causa de bandeira partidária ou mesmo os aprova visando as eleições. Não é isso que vislumbro. Precisamos estar juntos com o prefeito Pardini, da mesma forma que sempre estivemos em sintonia com outros ocupantes da cadeira do Executivo, para ter uma base que ofereça o desenvolvimento ao município.

NB- Vereador, no momento que Botucatu retoma o desenvolvimento econômico, após uma crise severa que assolou o país (e a Cidade) nos últimos anos. De que forma a Casa de Leis trabalhará no sentido de auxiliar no estímulo econômico?

EC- A Câmara vai trabalhar sempre em projetos que possibilitem empregos. Onde se cria uma oportunidade de trabalho, também abrimos o estímulo a geração de recursos. Por exemplo, temos os Distritos Industriais 3 e 4, recentemente em atividade e concentrando empresas. Precisamos reforçar essa atratividade. Um emprego direto gera muitos outros derivados dele, seja no comércio, na indústria ou mesmo na prestação de serviços. Uma cidade que não oferece condições para a instalação de novas empresas, se torna omissa em seu próprio desenvolvimento. Os poderes Executivo e Legislativo têm obrigação em voltar suas atenções para oferecer condições de fomento empresarial.

NB- No final de novembro, a Câmara Municipal aprovou o convênio entre Prefeitura e a Associação Comercial e Empresarial (ACEB) para que a Junta Comercial do Estado (Jucesp) seja instalada. Como avalia as parceiras que o Poder Público promove com entidades representativas?

EC– É sempre necessário fortalecer todos os tipos de parcerias, seja com o terceiro setor, as entidades de classe, ONGs (Organizações Não Governamentais), sindicatos, enfim, tudo o que possa auxiliar o município a prestar os serviços necessários para a população. Hoje há uma convergência de forças que caminham na mesma direção.

NB- Ao mesmo tempo em que o município voltou a atrair investimentos, algumas mudanças acarretam preocupação de empresários e da própria população, como o atraso em pagamento de benefícios na Unesp e a própria iminência da fusão entre Embraer e Boeing. Como a Câmara tem se articulado e quais as posturas que ela tomará frente a tais situações?

EC- Da mesma forma que o ex-presidente Izaías (Colino), que se mostrou sensível a estas questões, a Câmara deve manter sua posição. Há questões em que o Legislativo municipal não tem poder para atuar diretamente, como o caso do negócio da Embraer. Mas temos como estar a par de todos os trâmites e trazer à luz da população tudo o que ocorre. Fizemos reuniões públicas com representantes de sindicatos e da direção. Mas, precisamos estar próximos de todos os acontecimentos que possam influenciar na dinâmica econômica. Tudo o que for de interesse dos segmentos sociais e econômicos, precisam ser debatidos pela Câmara. É para isso que ela existe. Estaremos atentos a todas as questões para manter os empregos, seja com novos estímulos a outras empresas.

NB- A Câmara viveu um ano de muita movimentação em 2018. Isso por causa de iniciativas que causaram polêmica, como a apreciação do projeto de Lei que permitiria a volta das provas de laço em Botucatu. Isso poderia até permitir a volta dos rodeios em Botucatu. No entanto, após muita discussão em audiências públicas, o assunto acabou sendo postergado. O senhor se declarou favorável à liberação de tais provas. Como presidente do Legislativo, pretende colocar o assunto novamente em discussão?

EC- Estão sendo criados conselhos e grupos de discussão entre as partes envolvidas.Seja por quem defende ou não essa questão (a de liberar as provas). São elas que vão nos auxiliar a desenvolver um projeto que tange o bem-estar animal. A Câmara vai referendar o que sair dessas discussões. É um compromisso desses grupos em encontrar . Quero deixar claro que gosto de animais e os defendo. O problema é que temos uma tradição a ser preservada, como as provas de laço ou mesmo os charreteiros. É necessário encontrar a harmonia nessa discussão para amenizar os maus tratos reais a qualquer tipo de animal.

NB- Para você, qual o maior desafio a ser enfrentado pela administração municipal?

EC- Botucatu precisa ampliar seu complexo industrial. Isso é crucial para dar independência para a emancipação dos jovens e de outros botucatuenses. Temos diversas faculdades e o Parque Tecnológico, dando esse suporte e desenvolvendo inovação. Mas precisamos de empresas que absorvam essa mão de obra qualificada. Tanto a Prefeitura quanto a Câmara precisam dar condições para que o município favoreça os empresários.

NB- O senhor está em sua sexta legislatura e no quarto mandato como presidente. Passou por mandatos de diferentes prefeitos. Como projeta seu “modo de ser” à frente do comando do Legislativo?

EC- Estive junto com outros prefeitos. Tivemos o prefeito João Cury que recolocou Botucatu nos trilhos, sendo um grande articulador político para as conquistas do município. Vimos agora a volta da Diretoria Regional de Saúde. Temos agora a gestão do prefeito Pardini. Então precisamos de uma Câmara dinâmica e que se atente a essa retomada do protagonismo regional. Faço uma analogia de como deve ser minha postura, que é a de um vendedor: precisa ter o sorriso no rosto e ser sensível com as necessidades da população. Desde meu primeiro mandato, passei a atender o povo tanto na Câmara, como nos bairros, na Rua Amando, na Avenida Dom Lúcio ou qualquer outro lugar. Mas, me orgulho desde meu primeiro mandato como presidente da Câmara foi de atrair novamente o povo para acompanhar as discussões da vida política. É importante que o povo venha e converse diretamente com cada vereador. Estar aqui é também acompanhar o trabalho de todos os parlamentares.

NB- A Câmara Municipal possui uma estrutura física considerada defasada. O projeto para a construção da nova sede (nas proximidades do novo fórum) foi postergado pela gestão anterior. Pretende retomar esta ideia?

EC- Responderei com todo a sinceridade. Para construir um novo prédio, no terreno que temos ao lado do fórum, precisaríamos de um recurso muito grande. Sabemos o quanto o município precisa manter as contas em dia. Hoje analisamos alternativas para se ampliar o atual prédio, seja comprando alguns terrenos no entorno ou mesmo fazer essa ampliação de forma verticalizada. É algo desejado por todos os vereadores. Há diversas conversas com o prefeito Pardini para resolvermos este problema. E realmente, a estrutura da Câmara está defasada. Temos onze vereadores, além dos funcionários, que precisam de maior espaço para desempenhar o atendimento à população. A última reforma ampla da sede foi em 2004. Depois foram realizadas ações pontuais. Hoje, uma nova sede da Câmara passaria dos R$ 20 milhões e é um recurso que pode ser aplicado diretamente pelo município em outras áreas.