Servidores da Unesp voltam a protestar pelo “calote” no 13º salário

Reitoria propôs o parcelamento de mais de R$ 130 milhões em quatro parcelas

por Flávio Fogueral

Servidores técnicos administrativos do câmpus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) promoveram na tarde desta quarta-feira, 16, mais um protesto por causa do atraso no pagamento do décimo terceiro salário. O ato percorreu as principais ruas da região central do município.

A manifestação, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp) reuniu mais de 150 participantes, entre servidores na ativa e aposentados. Empunhados com cartazes onde repudiam a administração do reitor Sandro Valentim, e exigindo o pagamento do décimo terceiro, os servidores fizeram concentração na Praça Rubião Júnior, em frente a Catedral Metropolitana; percorrendo trechos da Avenida Dom Lúcio, Rua José Vitoriano Villas Boas, Amando de Barros e Djalma Dutra. Em muitos momentos, as palavras de ordem alertavam o impacto negativo que o “calote” provocou no comércio botucatuense.

Este foi o segundo ato da greve deflagrada na segunda-feira, 14. Naquela data, uma manifestação percorreu o câmpus de Rubião Júnior, onde os servidores ocuparam espaços como saguões administrativos da Faculdade de Medicina, Instituto de Biociências e os blocos de atendimento do Hospital das Clínicas.

O imbróglio sobre o pagamento do décimo terceiro salário da Unesp atinge a mais de 12.500 servidores técnicos administrativos e professores, na ativa e aposentados, contratados sobre o regime estatutário (a exceção fica por conta dos funcionários regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, que receberam o pagamento integralmente por força da legislação trabalhista).

Alegando déficit financeiro na casa dos R$ 230 milhões em 2018, a própria Unesp admite dificuldades para a quitação de mais de R$ 130 milhões, que deveria ter ocorrido até meados de dezembro. O não pagamento do décimo terceiro salário afeta, somente nas quatro unidades instaladas em Botucatu (Faculdades de Medicina; Medicina Veterinária e Zootecnia; de Ciências Agronômicas e Instituto de Biociências) mais de 2500 servidores e professores estatutários, na ativa e aposentados.

Na tentativa de resolver o problema, o Conselho de Orçamento da reitoria propôs a quitação do décimo terceiro salário em quatro parcelas, sendo que a primeira seria paga em fevereiro –25% do valor total. As demais em maio, agosto e outubro, conforme a viabilidade orçamentária da Unesp. O plano será apresentado durante a reunião extraordinária no Conselho Universitário (CO), no próximo dia 22.

No entanto, a possibilidade de parcelamento já causa críticas entre servidores e entidades representativas.  “Procuramos sensibilizar a população que usa os serviços da universidades e o comércio para que os botucatuenses saibam o que está ocorrendo com os servidores que são estatutários. Como os funcionários que são CLT, da Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar) e da própria Secretaria de Estado da Saúde, a população acredita que todos receberam o décimo terceiro. E não é essa a realidade. Funcionários mais antigos e aposentados são os que mais sofreram com esse débito”, salientou Rosana Bicudo, integrante do Sintunesp.

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