OPINIÃO | Ilha dos Cachorros

A história é contada de maneira a incluir diversos gêneros, inclusive com sons de tradicionais tambores japoneses

por Oscar D’Ambrosio*

Concorrente ao Oscar 2019 de Melhor Filme de Animação, ‘Ilha dos Cachorros’, de Wes Anderson, é uma belíssima alegoria de regimes totalitários, com elementos que mostram de como amente humana é capaz de renegar aquilo que não aceita, que não entende ou simplesmente que é diferente.

A narrativa parece simples. Um garoto japonês de 12 anos que mora numa cidade dirigida por um prefeito autoritário, desafia a ordem local que mandou para uma ilha repleta de lixo todos cães, sob alegação de que eles transmitem doenças que poderão ser mortais para os humanos.

Não há provas científicas que isso seja verdade, mas os animais são para lá levados, e o espaço se torna uma ilha de ninguém, numa cruel luta pela sobrevivência. O jovem vai para lá em busca de seu animal de estimação e a narrativa mostra as implicações de contestar um poder instituído não no diálogo, mas na violência.

A história é contada de maneira a incluir diversos gêneros, inclusive com sons de tradicionais tambores japoneses. O que encanta é mostrar que, se os seres humanos não são bons, os cães, colocados sob pressão, também podem desenvolver as piores emoções, ou seja: violência gera violência; sempre!

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.