OPINIÃO | Contra a homofobia

A maneira clara e direta de enfocar dois aspectos da questão merece destaque

por Oscar D’Ambrosio

Obras de arte que alertam contra a homofobia são maneiras de alertar para um tema que muitas vezes se faz presente de maneira velada. Enfocá-lo de maneira direta é o grande mérito do filme chileno ‘Nunca vas a estar solo’, de Alex Anwandter. A maneira clara e direta de enfocar dois aspectos da questão merece destaque.

O protagonista é um rapaz de 18 anos que vive com o pai, gerente de uma fábrica de manequins. O jovem, que mantém um relacionamento homossexual, é violentamente atacado na rua e internado num hospital para diversas cirurgias plásticas. Começa então a saga do pai em duas direções. Ambas igualmente complexas.

Por um lado, ele começa a tirar o véu da homossexualidade que ele mesmo tinha colocado sobre o filho. É por meio de relatos externos, de vizinhos e de amigos dele que começa a descobrir a sexualidade de quem convivia sem viver de fato sob o mesmo teto. Em paralelo, verifica como plano de saúde não paga pela agressão sofrida.

As duas dimensões se aglutinam na maneira de lidar com a dor. O preconceito próprio, as dificuldades financeiras e as marcas de ser pai com um filho que não atende às expectativas se mesclam em múltiplos desdobramentos. Ele percebe que é mais fácil fabricar um manequim artificial do que com um ser vivo, com vontades próprias numa sociedade preconceituosa, onde a diferença é geralmente vista como aberração e tratada com intolerância.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.