Longe do sonho americano

O eixo central é o amor entre dois jovens que se conhecem desde a infância

por Oscar D’Ambrosio

Adaptação de livro homônimo do importante escritor norte-americano James Baldwin, publicado em 1974, o filme “Se a Rua Beale Falasse” traz questões essenciais para discutir direitos humanos. Aponta para a questão do preconceito racial sem utilizar um tom grandiloquente, mas baseado no sofrimento de pessoas comuns.

O eixo central é o amor entre dois jovens que se conhecem desde a infância. O amor é interrompido porque ele é injustamente acusado de estupro contra a filha de uma imigrante. A namorada, grávida, precisa lidar com a dor da ausência e a de se sustentar e ainda conseguir dinheiro extra para um advogado tentar provar a inocência de seu amado.

A primeira cena, em que as cores das roupas do casal apaixonado surgem como complementares, com azul e amarelo trocados nas blusas e casacos, apontam para a integração perfeita entre ambos. Mas o romantismo não tem espaço na América branca, de policiais violentos e (in) justiça morosa.

Do mesmo diretor do premiado “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, a obra merece atenção atenta, não só pela premiação de Regina King, no papel da mãe da moça grávida como Melhor Atriz Coadjuvante, mas por mostrar um EUA que poucos desejam ver na tela – e que o diretor Barry Jenkins insiste em mostrar.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.