Pardini: “A curva de crescimento pela qual Botucatu passa deve ser mantida”

Prefeito salienta que a busca pela geração de empregos se torna o desafio principal de seu governo

por Flávio Fogueral*

Botucatu, que completa seu 164º aniversário neste dia 14 de abril, celebra a retomada do crescimento econômico com a atração de investimentos no âmbito empresarial e social. Após anos sofrendo diretamente com a crise econômica, que resultou no encerramento de mais de 1500 postos de trabalho a cidade vê a situação começar a se inverter, com dois anos seguidos de resultados positivos neste contexto. Cenário que foi possibilitado pela junção de alguns fatores, sendo que a aproximação do Poder Público com a iniciativa privada foi fundamental neste contexto, conforme analisa o prefeito Mário Pardini.

Entrando em seu terceiro ano de mandato, o chefe do Executivo municipal salienta que a busca pela geração de empregos se torna o desafio principal de seu governo. Ressalta que algumas iniciativas foram tomadas neste contexto, como a criação de frentes de trabalho, cursos de qualificação profissional para atender a demandas específicas da região e o fomento da micro e pequena empresa e o setor de serviços.

Frisando que uma das marcas do governo é a adoção de postura empresarial direcionada a uma política de resultados, Pardini ressalta que o município vive a concretização de projetos considerados ousados, como a viabilização da represa do Rio Pardo, que duplicará a capacidade de armazenamento de água para os próximos cinquenta anos. A obra, em vias de abertura de licitação, está orçada em mais de R$ 50 milhões e será custeada pela Sabesp. Outras obras de infraestrutura estão a conclusão do viaduto que interligará as regiões Leste e Norte. A estrutura faz parte do futuro Anel Viário, que será composto por novas avenidas e reestruturação de algumas já existentes, como a avenida Deputado Dante Delmanto.

O fomento econômico, cita o prefeito, também é salientado como uma das principais metas para esta segunda fase de seu mandato. A captação de novas empresas tem sido viabilizada por parcerias e iniciativas como uma nova legislação de incentivo à ampliação do parque empresarial e industrial, que será apresentada à Câmara Municipal nos próximos meses. Para Pardini, a “curva de crescimento deve ser mantida”, ampliando as opções de crescimento. Uma dessas novas opções para investimentos estará centrada com a classificação de Botucatu como Município de Interesse Turístico (MIT), o que viabilizará novos projetos para a atração de novos visitantes.

Pardini frisou que, mais do que obras, o município também vive conquistas significativas na qualidade de vida à população. Desde a construção de sete novas escolas em tempo integral, entrega de uniformes escolares a mais de 15 mil alunos da rede municipal, Botucatu também será referência regional em Saúde, com a solidificação do sistema público de saúde.

Prefeito, o senhor entra em seu terceiro ano de mandato. Foi uma gestão que enfrentou diversos desafios como a geração de empregos, sanar o déficit habitacional e avançar na infraestrutura urbana. Hoje, no seu governo, qual o maior desafio que enfrenta à frente da gestão municipal?

Se acompanhar a dinâmica da cidade e com o que ocorre no Estado e no país, é diferente o que tem sido feito aqui. Temos obras de infraestrutura que estão transformando a cidade, seja na área de mobilidade urbana ou mesmo de grandes investimentos como o sistema de drenagem de águas pluviais (piscinões), a represa do Rio Pardo para o abastecimento de água; além das casas populares que estão sendo construídas. Neste governo há a construção de escolas em tempo integral, que já somam sete. Também foi realizado um forte trabalho de transição da Organização de Saúde, que foi possível manter os funcionários da Fundação UNI para a Pirangi (atual gestora do sistema básico de saúde em Botucatu). O grande desafio, agora, é conseguir concluir todas estas obras que iniciamos. São muitas obras de engenharia, projetos e desafios econômicos para se manter fluxo de caixa. E é um compromisso de se entregar obras de qualidade para não termos que enfrentar os problemas que se enfrenta com obras cheias de vícios, revisitar ou retomar alguns pontos. Além disso, um desafio é ampliar as construções de casas populares e iniciar as obras da represa. Já acompanhamos de perto todos os trâmites para que isso ocorra e espero que uma empresa idônea assuma a obra. Outro ponto é o anel viário que, mesmo com todas as dificuldades orçamentárias, mais uma vez se faz todo o trabalho com mão-de-obra própria, assim como foi feita na primeira etapa da duplicação da Rodovia Gastão Dal Farra. É neste ambiente de recessão que almejamos terminar as sete escolas de tempo integral. Os objetivos, nestes dois anos que ainda faltam, é concluir esse grande rol de obras que está transformando a Cidade.

O Ministério da Economia constatou que no início de seu mandato, em janeiro de 2017, ainda sentindo os efeitos da crise econômica. À época, foram encerradas 1500 vagas formais de trabalho. No entanto, estes números foram se reduzindo ao longo dos meses, com as maiores empregadoras estando nos setores da indústria, serviços e varejo. Por parte do Poder Público, como dinamizar o mercado para que a geração de empregos tenha fôlego maior?

Primeiro, temos que ver o quão importante é cada setor para a dinâmica econômica, com uma forte presença da construção civil. Todas estas obras que ocorrem atualmente no município favoreceram a geração de empregos. Tem que se manter o ritmo de obras, já que mexe com a infraestrutura da Cidade e acarreta em mais oportunidades de trabalho. A agropecuária também foi um setor importante, especialmente na colheita de laranja, que ainda é manual. Mas vimos também a indústria recuperando-se. Um exemplo é a Caio Induscar, que formalizou contratos significativos. Boa parte de tudo isso se deve a méritos do próprio empresariado botucatuense. Somente ela (Caio Induscar), contratou mais de 600 funcionários somente em 2018. Há um trabalho muito próximo da Prefeitura junto aos empresários, o que tem gerado mais segurança e confiança e um ambiente propício para investimentos no município. Por exemplo, estamos propondo uma minuta de Lei de incentivos voltadas à ampliação das empresas de Botucatu e, com o excedente de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) seria revertida para tal estímulo, tanto das empresas instaladas quanto na captação de novos empreendimentos.

Outro aspecto relevante a ser frisado é quanto o incentivo à qualificação de mão-de-obra para as indústrias. Também realocamos pessoas que estavam à margem da sociedade com o programa “Botucatu em frente”, onde tratamos aspectos sociais para que sejam inseridas no mercado de trabalho. São iniciativas que fizeram Botucatu reagir à crise e comemorasse a criação de quase 3 mil postos de trabalho. De um cenário em que foram encerradas oportunidades, hoje celebramos essa reposição. A aproximação do Poder Público com a classe empresarial, com a formulação de parcerias, foi essencial para fornecer todo o suporte para captar novos investimentos.

Pardini: “A política tem que ser discutida com base em resultados”. Foto: André Godinho

Algumas empresas, no entanto, passaram por momentos de turbulências como reflexo do momento econômico que o país viveu. Algumas suspenderam a produção, outras fecharam as portas. Dentro desse contexto, como o Poder Público pode criar mecanismos de proteção às empresas que estão em Botucatu?

Há coisas que o prefeito pode e o que não consegue fazer. Não adianta bater no peito e dizer que somos os únicos responsáveis pela criação dos três mil empregos. O que podemos fazer é induzir alguns investimentos, criando parcerias e cenários de fomento com as empresas e é isso que almejamos. Mas, muita coisa é de competência do próprio mercado. Por exemplo, temos o caso da Embraer e a parceria com a Boeing, onde acompanho todas as negociações e converso com frequência com os diretores da empresa. No caso da fusão entre as empresas, a unidade de Botucatu ficará sendo Embraer. A fabricante gerou nesse processo, mais de cem empregos diretos e a nossa unidade é uma com os maiores índices de eficácia entre todas as filiais. Muito se deve à qualidade da mão-de-obra encontrada em Botucatu, que é extremamente qualificada. Mas não sabemos como será a postura da empresa caso o acordo se concretize. Outro caso é o da Duratex, que praticamente quase todos os funcionários foram absorvidos pela Eucatex. Já há negociação para que as linhas de produção desativadas sejam retomadas. A própria Duratex está modernizando a planta botucatuense para poder buscar eficiência. Todas estas informações são obtidas por causa da preocupação que o Poder Público tem em acompanhar os meandros da economia e a geração de empregos. Conversamos também com as grandes empresas para que elas tragam fornecedoras e para Cidade. Mas tudo isso não depende somente da boa vontade do governo, mas também do otimismo ou pessimismo da classe empresarial. Estou convicto que esta curva de crescimento que Botucatu passa deve ser mantida.

Foi citada, anteriormente, a possível criação de uma lei de incentivo à expansão empresarial. Como seria esta nova legislação?

Ainda estamos desenvolvendo o texto e as características desta lei. Mas basicamente será voltada a ampliação da produção das empresas já instaladas em Botucatu. Outro aspecto do texto é que haverá um fomento para aquelas que aportam no município. Algumas Cidades como Louveira e Vinhedo, por exemplo, já possuem legislações semelhantes. E hoje têm, estes municípios um parque empresarial consistente, mesmo em momentos de crise. Campinas está perdendo uma grande empresa para Louveira porque não conseguiu se manter competitiva neste aspecto.

Um ponto que foi muito sentido pelo empresariado botucatuense foi a mudança no perfil do Parque Tecnológico. Atualmente o espaço agrega dezenas de empresas, com uma dinâmica mais produtiva. Quais serão os próximos rumos do parque durante a sua gestão?

O Parque Tecnológico foi um dos indutores de emprego em Botucatu. Para se ter ideia, em 2017, abrigava uma empresa com dois funcionários. Tínhamos três diretores para a gestão e captação de investimentos. O que fizemos foi reduzir custos, principalmente na folha de pagamento, e colocamos um gerente operacional que é remunerado pela performance. As medidas surtiram resultados: hoje todo o pavilhão administrativo está lotado, há 80 funcionários diretos e indiretos trabalhando nas dependências do parque e três áreas foram destinadas para a construção de empresas. Não tínhamos mais tempo para aguardar apenas empresas de características tecnológicas, o que nos levou a discutir a função do espaço. Optou-se por diversificar o escopo e vejo como uma decisão acertada.

Botucatu concentra quase cinco mil empresas na área de varejo, serviços e também microempreendedores individuais. Como o governo, em âmbito municipal, pode incentivar o fomento e também a sobrevivência destes empreendimentos?

Temos que induzir a economia. Se você fomenta a construção civil, por exemplo, ou mesmo a indústria, nossa atividade econômica cresce. Se temos o investimentos de grandes redes, como o Confiança, com mais de 400 empregos diretos. A Prefeitura está em negociação com outras redes de supermercados para a instalação em Botucatu. Todas essas ações ajuda o pequeno comerciante e os prestadores de serviços, já que aumenta o nível de atividades e o aumento da lucratividade. Induz a investimentos significativos e diversifica a economia local. Tem que se lembrar que o nível de emprego também é proporcional às vendas dos pequenos comerciantes.

A principal via comercial de Botucatu, a Rua Amando de Barros passou desde 2016 por um intenso processo de revitalização. No ano passado, a segunda etapa foi concluída. Também se tem especulado sobre obras de infraestrutura em outros corredores, como a Major Matheus, as avenidas Dom Lúcio, Conde de Serra  Negra e a Dante Delmanto. Como está o planejamento para tais obras?

Ainda é um sonho, mas a revitalização da Dante Delmanto está mais próximo de acontecer. Já temos o projeto executivo e agora a etapa é buscar recursos para se iniciar a licitação das obras. A Conde de Serra Negra (que fará parte do anel viário devido às obras do residencial Cachoeirinha), depende da desapropriação de uma faixa de terra na saída para Vitoriana, algo que a Prefeitura precisa capitalizar verba para que isso ocorra.  

A Dante Delmanto faremos ainda em nosso governo e a expectativa é iniciar a Conde ainda nestes próximos anos. Já a avenida Dom Lúcio, que é um dos corredores comerciais mais importantes de Botucatu, já recebe algumas ações para sua conservação como a revitalização de praças (Izabel Arruda e a do Largo São José) e recape asfáltico. Hoje ela recebe, por exemplo, o projeto Avenida é Sua, com atividades culturais e esportivas, que é mais uma atração ao botucatuense. Claro que se pode planejar uma nova perspectiva para ela. No entanto, a administração pública exige priorizar e neste momento, a Dante Delmanto exige investimentos, até pelo fato de ser um corredor de acesso à Cidade.

Pardini ressalta a retomada dos investimentos em Botucatu e os desafios na reta final de seu mandato no desenvolvimento de áreas sociais. Foto: André Godinho.

Este ano Botucatu recebeu a confirmação de ser um Município de Interesse Turístico (MIT), certificação dada pelo governo estadual para o fomento turístico. Com isso, serão repassados anualmente mais de R$ 600 mil para investimentos em estrutura. Qual será o perfil e prioridades de ações para estimular o setor?

Há muito a ser feito. Uma das principais obras que está em fase de conclusão é a revitalização do complexo da Cascata da Marta, que terá centro receptivo, trilhas de fácil acesso e que são importantes para o turista. A própria barragem do Rio Pardo (nas proximidades da Cascata do Véu da Noiva) também será um indutor do turismo. Mas há outros projetos a serem explorados como o trem turístico, que ainda é algo distante. Mas esta verba complementar que o governo do Estado destinará será importante para a formulação do turismo em Botucatu.

Prefeito, o senhor frisa ter um perfil empresarial e que a política tem que ser discutida com base em resultados. O que a sua gestão absorveu deste pensamento?

Temos essa veia empresarial e demonstrado isso no governo. A política tem que ser discutida com base em resultados. Sinceramente, não tenho disposição para reuniões políticas sem objetivos e metas a serem alcançadas. Tenho uma vida partidária, mas ao mesmo tempo priorizo o resultado. Isso está sendo expresso na geração de empregos, nas obras sendo executadas. As ações do Poder Público também se traduzem na questão da segurança pública, outro exemplo que trago. Em 2018, Botucatu se tornou uma das Cidades mais seguras do Estado e quem constatou isso foi a própria Secretaria de Estado da Segurança Pública, com a melhor performance das Forças de Segurança em questões como o combate a furtos e roubos. Na Educação, por meio do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) também constatamos avanços significativos (em 2017, o município alcançou média de 6,6 pontos frente ao estabelecido pelo Ministério da Educação, que era de 6,3) . Claro que tudo isso é a soma dos trabalhos de outras gestões, mas é a obrigação manter todas essas conquistas. Política tem que se discutir com resultados.

*Entrevista publicada originalmente no número 39 da Revista Destaque Botucatu, da Associação Comercial e Empresarial de Botucatu.