Estudantes, professores e pesquisadores da Unesp farão manifestação contra cortes em bolsas

Expectativa é reunir professores e alunos da Unesp, além de outras instituições públicas de ensino

por Flávio Fogueral

O recente anúncio de cortes para investimentos na área de Ciência, Tecnologia e Inovação, além da educação em nível superior, em especial nas pesquisas das universidades públicas, pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), tem motivado ações de repúdio e protestos em diferentes instituições como universidades públicas, institutos de educação e faculdades públicas.

Botucatu integrará a manifestação em âmbito nacional nesta quarta-feira (15), objetivando alertar a sociedade contra as reduções no financiamento da educação superior. O ato está marcado para às 17 horas em frente ao Largo da Catedral Metropolitana. A expectativa é reunir professores e alunos da Unesp, além de outras instituições públicas de ensino.

Medida confirmada pelo Ministério da Educação deve fazer com que universidades públicas, institutos federais e outras instituições de ensino e pesquisas podem ter cortes de até 30% no financiamento das mesmas. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência de financiamento do governo federal já tem adotado o contingenciamento, suspendendo o financiamento a novas pesquisas nas áreas de humanas, biológicas, saúde, tecnologia e engenharias.

As manifestações tiveram início já na segunda-feira (13), com uma reunião entre professores e estudantes no anfiteatro principal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, na Fazenda Lageado. Em pauta, o tema abordado centrou em meios e motivações para a defesa da universidade pública.

Nesta quarta-feira, 15, a manifestação terá dois momentos: na parte da manhã estão previstas atividades no campus da Unesp, em Rubião Júnior. Na oportunidade, estudantes se reunirão no Centro de Vivência do Centro Acadêmico 5 de Junho para a confecção de cartazes e ações locais. Já a partir das 14 horas haverá distribuição de panfletos nas principais ruas do Centro de Botucatu.

O corte anunciado, segundo a organização do ato, atingiria diretamente as pesquisas em desenvolvimento nas áreas das ciências agrárias, da saúde e biológicas, conforme o perfil das unidades da Unesp instaladas no município (Faculdades de Medicina; Medicina Veterinária e Zootecnia; de Ciências Agronômicas e Instituto de Biociências). A instituição concentra 3260 alunos matriculados nos cursos de graduação e 2570 em seus programas de pós-graduação e pesquisas.

Na última semana reitores das três universidades estaduais paulistas (USP, Unicamp e Unesp) emitiram carta conjunta em apoio às iniciativas de defesa da manutenção dos investimentos em ciência e tecnologia. “Há muito que a Ciência deixou de ser uma preocupação exclusiva dos cientistas para tornar-se peça estratégica nos assuntos de Estado. Na chamada sociedade do conhecimento, onde a hegemonia política e econômica quase sempre é proporcional ao grau de independência científica e tecnológica, essa relação mostra-se ainda mais aguda”, salientam os reitores.

Segundo o documento, tanto Unesp quanto USP e Unicamp representam 35% da produção científica nacional e são responsáveis diretamente por também 35% dos programas de pós-graduação do país. “Agências públicas federais de fomento que integram o sistema nacional de CT&I são fundamentais para o funcionamento das universidades, que dependem desses recursos para financiar suas linhas de pesquisa. É importante lembrar que 95% da produção científica brasileira é feita em universidades públicas, federais ou estaduais, e por institutos de pesquisa, como Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Interromper o fluxo de recursos para estas instituições, assim como para as universidades, constitui um equívoco estratégico que impedirá o país de enfrentar muitos de seus desafios sociais”, completa a carta pública.