Botucatu recebe maior ato estudantil contra mudanças na política educacional do governo Bolsonaro

O ato reuniu mais de 500 pessoas, no que é considerada como a mais expressiva manifestação estudantil

por Flávio Fogueral

Estudantes, professores e pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e de outras instituições públicas e particulares de ensino de Botucatu promoveram, na tarde desta quarta-feira, 15, manifestação contra as propostas de cortes em bolsas de estudos e contingenciamento de investimentos na educação pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O ato reuniu mais de 500 pessoas, no que é considerada como a mais expressiva manifestação estudantil das últimas duas décadas em Botucatu, consistiu em uma concentração no largo da Praça da Catedral Metropolitana, onde foram feitas críticas à nova política educacional do governo federal. A proposta apresentada pelo Ministério da Educação é de corte estimado em 30% nos investimentos na área, o que pode afetar o repasse de verbas para ensino e pesquisas.

Os manifestantes percorreram a avenida Dom Lúcio, concentrando-se posteriormente no Largo da Praça São José, onde continuavam questionando as motivações do contingenciamento de verba. Não houve registro de incidentes, sendo que em alguns pontos os estudantes recebiam apoio de populares e, em outros momentos, críticas contra as solicitações apresentadas.

A mobilização teve início já na segunda-feira (13), com uma reunião entre professores e estudantes no anfiteatro principal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, na Fazenda Lageado. Em pauta, o tema abordado centrou em meios e motivações para a defesa da universidade pública.

O corte anunciado, segundo a organização do ato, atingiria diretamente as pesquisas em desenvolvimento nas áreas das ciências agrárias, da saúde e biológicas, conforme o perfil das unidades da Unesp instaladas no município (Faculdades de Medicina; Medicina Veterinária e Zootecnia; de Ciências Agronômicas e Instituto de Biociências). A instituição concentra 3260 alunos matriculados nos cursos de graduação e 2570 em seus programas de pós-graduação e pesquisas.

Reitores das universidades paulistas criticam o contingenciamento e corte de verbas

Na última semana reitores das três universidades estaduais paulistas (USP, Unicamp e Unesp) emitiram carta conjunta em apoio às iniciativas de defesa da manutenção dos investimentos em ciência e tecnologia. “Há muito que a Ciência deixou de ser uma preocupação exclusiva dos cientistas para tornar-se peça estratégica nos assuntos de Estado. Na chamada sociedade do conhecimento, onde a hegemonia política e econômica quase sempre é proporcional ao grau de independência científica e tecnológica, essa relação mostra-se ainda mais aguda”, salientam os reitores.

Segundo o documento, tanto Unesp quanto USP e Unicamp representam 35% da produção científica nacional e são responsáveis diretamente por também 35% dos programas de pós-graduação do país. “Agências públicas federais de fomento que integram o sistema nacional de CT&I são fundamentais para o funcionamento das universidades, que dependem desses recursos para financiar suas linhas de pesquisa. É importante lembrar que 95% da produção científica brasileira é feita em universidades públicas, federais ou estaduais, e por institutos de pesquisa, como Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Interromper o fluxo de recursos para estas instituições, assim como para as universidades, constitui um equívoco estratégico que impedirá o país de enfrentar muitos de seus desafios sociais”, completa a carta pública.

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