Mais de 40% dos jovens da Geração Z não controlam finanças pessoais

A principal justificativa é o fato deles não saberem fazer a sua própria gestão financeira

da Assessoria

Os jovens entre 18 e 24 anos e nascidos dentro da chamada Geração Z são os primeiros nativos digitais. Crescidos em um ambiente com acesso a grandes quantidades de informações, eles ainda possuem limitações nas formas de guardar dinheiro e organizar suas finanças. Uma pesquisa conduzida pela Conf ederaç&at ilde;o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revelou que 47% desses jovens não realizam o controle das finanças pessoais.

O estudo apontou que para a maior parte dos jovens a principal justificativa é o fato deles não saberem fazer a sua própria gestão financeira, sentirem preguiça e não terem hábito ou disciplina. Para Renan Marcolin Nicolau, docente da área de gestão e negócios do Senac Botucatu, uma má administração e controle financeiro podem causar diversos prejuízos, sendo o mais comum, a discussão familiar.

“A utilização inadequada de um serviço financeiro, como, por exemplo, o de cartão de crédito, pode impactar em perdas irreversíveis ao orçamento, pois as contas começam a acumular com o passar do tempo e refletir em inadimplência. Atualmente, segundo uma pesquisa divulgada pela Perfil Consumidor da Boa Vista SCPC, o descontrole financeiro é o terceiro motivo que deixa as famílias com restrições financeiras no Brasil, perdendo somente para a diminuição da renda e do desemprego”, explica Renan.

A pesquisa revela ainda que dos entrevistados, 65% contribuem para as despesas da casa e possuem conta corrente, e desse percentual, 42% têm cartão de loja e 22% limite extra de cheque especial em uso. O estudo mostra também que seis em cada dez jovens possuem cartão de crédito, o que corresponde a 57%. Destes, um terço tem um cartão digital com abertura e operação via internet (34%), enquanto 25% dos que têm conta bancária a possuem somente em formato digital.

Na análise do especialista do Senac Botucatu, com o advento da tecnologia e da forma de apresentar os serviços financeiros, o cartão digital e as movimentações on-line oferecem maior acessibilidade ao crédito e na maioria das vezes, com menor custo em relação aos produtos tradicionais. Por esse motivo, Renan alerta para que os jovens façam pesquisas, assistam a vídeos sobre educação financeira, busquem informações e simulações de crédito. E, em alguns casos, para aqueles que desejam compreender melhor o fluxo financeiro e as formas de investimento, indica os cursos de capacitação da instituição na área de gestão e negócios.

“Como consequência da hiperconectividade, essa é a primeira geração a crescer e chegar à vida adulta tendo acesso on-line e instantâneo a grandes quantidades de informações e mesmo assim, com base na pesquisa, não sabem como gerenciar o próprio dinheiro. Por isso, buscar uma capacitação é importante para adquirir os conhecimentos necessários para saber como escolher o melhor investimento e controlar os gastos”, explica Renan.

O especialista pontua, ainda, que em casos de dívidas, o diálogo sobre dinheiro com a família é essencial para a construção do orçamento, pois uma vez que os problemas são expostos, fica mais fácil encontrar soluções em conjunto. “Dessa forma, todos terão consciência do real motivo pelo qual a decisão foi tomada, melhorando o relacionamento e promovendo a educação financeira entre os familiares.”

Mesmo assim, a orientação de Renan para quem ainda não sabe o que fazer quando o assunto for dívidas pendentes, é optar pelo pagamento à vista para negociar descontos. “Se essa não for uma opção viável no momento e a decisão for pelo pagamento parcelado, é importante verificar se a parcela é compatível com o orçamento. A pesquisa de preço e outras formas para a aquisição de um possível crédito também devem ser consultadas nesse acerto de contas.”